A Promessa da Capitania Real

O Encontro em Abrolhos e a Máscara Caída

por Caio Borges

A chegada ao arquipélago de Abrolhos foi marcada pela beleza austera e a sensação de isolamento. As ilhas, pontilhadas de rochas vulcânicas e envoltas em um véu de névoa matinal, pareciam guardar segredos ancestrais. O "Vingança Real" ancorou em uma baía protegida, as águas cristalinas revelando um leito marinho repleto de corais coloridos e peixes exóticos. O silêncio era quase palpável, interrompido apenas pelo grito das gaivotas e o suave bater das ondas contra o casco do navio. Para o Capitão Rodrigo, no entanto, aquele silêncio era enganador. Ele sabia que por trás daquela serenidade natural, um perigo espreitava. A Sombra da Noite, mesmo que não estivesse presente fisicamente, deixava rastros, e Rodrigo estava determinado a segui-los. Ele reuniu seus homens na proa, o sol já aquecendo o convés.

"Tenente Tiago", disse Rodrigo, a voz ecoando na quietude do amanhecer. "Quero que organize patrulhas em todas as ilhas. Fiquem atentos a qualquer sinal de atividade incomum. Navios menores, fogueiras noturnas, qualquer coisa que fuja do normal." Ele olhou para cada um dos seus homens, a seriedade em seu rosto refletindo a importância da missão. "E redobrem a vigilância. A Sombra da Noite é astuto, e pode estar observando-nos neste exato momento." Tiago, com a sua habitual presteza, assentiu. "Sim, Capitão. Farei como ordenado." Enquanto as equipas de patrulha se preparavam, Rodrigo dedicou-se a examinar os mapas náuticos, procurando por pontos estratégicos, enseadas escondidas, qualquer lugar que pudesse servir de refúgio para o corsário. A informação que ele possuía era fragmentária, mas apontava para Abrolhos como a base de operações da Sombra da Noite. Havia relatos de um navio grande, mascarado e veloz, que aparecia e desaparecia nas brumas, semeando o terror e desaparecendo antes que qualquer perseguição fosse eficaz.

Foi durante a tarde, enquanto explorava uma das ilhas menores, que Tiago encontrou algo. Uma pequena cabana escondida entre a vegetação densa, com sinais recentes de ocupação. Dentro, encontraram provisões, mapas rudimentares da região e, o mais importante, um pequeno diário. O diário, escrito em letra cursiva elegante, pertencia à Sombra da Noite. As páginas revelavam não apenas os planos de ataque do corsário, mas também, para a surpresa de Tiago, menções a encontros secretos com um "aliado importante" em Salvador. As datas dos encontros coincidiam com períodos de informações privilegiadas que os corsários pareciam ter sobre as patrulhas da Capitania. Rodrigo, ao ler as passagens mais incriminadoras, sentiu um arrepio percorrer a sua espinha. A letra era familiar. Muito familiar. Uma sensação de traição pairou no ar, mais densa que a neblina que começava a envolver as ilhas.

"Capitão", disse Tiago, a voz embargada pela incredulidade e pela raiva. "Este nome... ele aparece aqui repetidamente. 'Gomes'. E há referências a reuniões em uma residência específica, perto do palácio do governador." Rodrigo fechou o diário, o olhar fixo no horizonte onde o sol começava a se pôr. O nome "Gomes" não era apenas um nome qualquer. Era o nome de um dos homens mais influentes de Salvador, um conselheiro próximo do governador, um homem que sempre se apresentara como um defensor ferrenho da Coroa e da ordem. A máscara havia caído. A Sombra da Noite não era apenas um corsário ousado, mas um fantoche nas mãos de alguém que se escondia à vista de todos, alguém que usava a sua posição de poder para minar a própria autoridade que jurara defender. A promessa de justiça agora se tornava mais urgente e perigosa do que Rodrigo jamais imaginara.

Compartilhar este capítulo:

เว็บไซต์นี้ใช้คุกกี้

เราใช้คุกกี้เพื่อปรับปรุงประสบการณ์การอ่านนิยายของคุณ วิเคราะห์การเข้าชม และแสดงโฆษณาที่เกี่ยวข้อง รายได้จากโฆษณาช่วยให้เราให้บริการอ่านนิยายฟรีต่อไปได้ อ่านรายละเอียดเพิ่มเติมที่ นโยบายความเป็นส่วนตัว

ตะกร้า eBook

ตะกร้าว่างเปล่า

เพิ่ม eBook ลงตะกร้าเพื่อรับส่วนลดพิเศษ

ส่วนลด Bundle

ซื้อ 3-4 เล่มลด 10%
ซื้อ 5-9 เล่มลด 15%
ซื้อ 10+ เล่มลด 20%