O Último Sol de Ipanema

Capítulo 17 — O Coração das Montanhas e o Sussurro do Passado

por Alexandre Figueiredo

Capítulo 17 — O Coração das Montanhas e o Sussurro do Passado

O ar nas montanhas era frio e cortante, uma lufada de pureza que contrastava brutalmente com a opressão das cidades esquecidas. O terreno era traiçoeiro, salpicado de rochas pontiagudas e vegetação rasteira que parecia se agarrar à terra com a força de quem se recusa a desistir. Lira, Kael e Davi avançavam com cautela, cada passo calculado, seus sentidos aguçados para qualquer sinal de perigo. A Semente, guardada com zelo, parecia vibrar em sintonia com a energia bruta e indomável das montanhas.

"Tem certeza que é por aqui, Lira?", Kael perguntou, seu olhar escrutinando a paisagem acidentada. A falta de qualquer marcação humana ou tecnologia Kaelan era ao mesmo tempo reconfortante e perturbadora.

Lira consultou mentalmente as imagens que Aurora havia gravado em sua memória. "O rio deve estar próximo. E as rochas... três delas. Ela me descreveu como sentinelas antigas, marcadas pelo tempo e pelo vento." Ela apontou para um vale distante, onde um fio de prata serpenteava entre as rochas. "Ali. Acho que estamos chegando."

Davi, embora exausto, mantinha um olhar atento. A cada passo, ele sentia uma conexão crescente com a terra. As montanhas pareciam sussurrar histórias antigas, ressonâncias de um tempo em que a humanidade vivia em harmonia com a natureza, antes que a ganância e a tecnologia desenfreada a levassem à beira da extinção. Ele se lembrava das palavras de sua mãe sobre a "Energia Vital", e começava a entender o que ela significava.

"Minha mãe falava sobre isso", Davi disse, sua voz embargada pela emoção. "Sobre como a Terra tem uma alma. Que podemos senti-la se ouvirmos com atenção."

Kael deu um leve sorriso. Ele sempre fora um homem cético, pragmático, guiado pela lógica e pela sobrevivência. Mas a jornada com Lira e Davi, a perda de Aurora, o mistério da Semente... tudo isso o forçara a questionar suas próprias convicções. Havia algo de profundo e inegável na fé de Lira, na esperança que ela irradiava, mesmo em meio ao desespero.

Eles desceram em direção ao rio, a água correndo cristalina sobre pedras polidas. O som da correnteza era um bálsamo para os ouvidos fatigados. Lira seguiu a margem, seus olhos percorrendo as formações rochosas. De repente, ela parou.

"Ali!", exclamou, apontando para uma clareira à beira do rio. Erguendo-se imponentes e majestosas, três rochas gigantescas formavam um círculo natural, cada uma marcada por séculos de erosão, parecendo guardiãs silenciosas de um segredo ancestral.

"As sentinelas", sussurrou Davi, maravilhado.

Enquanto se aproximavam, uma aura de energia sutil começou a emanar das rochas. Lira sentiu a Semente em sua bolsa pulsar com mais intensidade, como se reconhecesse um lugar de poder. Ela tirou o fragmento, segurando-o em sua palma. A luz difusa do dia parecia se concentrar nele, criando um brilho suave.

"O que fazemos agora?", perguntou Kael, sua mão repousando instintivamente no coldre de sua arma improvisada.

Lira olhou para as rochas, sentindo a pulsação da Terra sob seus pés. "Aurora disse que a Semente responderia a um lugar de forte conexão. Acho que este é o lugar." Ela se aproximou da rocha central, sua superfície áspera e fria. Com reverência, ela colocou o fragmento da Semente em uma reentrância natural na pedra.

Por um instante, nada aconteceu. O silêncio das montanhas parecia preencher o espaço, carregado de expectativa. Então, um leve zumbido começou, crescendo gradualmente em intensidade. As rochas ao redor pareceram vibrar, e uma luz azulada emanou da reentrância onde Lira havia colocado a Semente. A luz se espalhou, percorrendo as veias das rochas, iluminando os padrões antigos em sua superfície.

"É isso!", exclamou Davi, seus olhos arregalados. "É a energia que minha mãe falava!"

A luz azul intensificou-se, formando um feixe pulsante que subiu em direção ao céu. De repente, o ar ao redor deles pareceu ondular. Diante de seus olhos, uma abertura começou a se formar no espaço, como uma cortina de água iridescente. Era um portal, um portal para um lugar desconhecido.

Kael sacou sua arma, desconfiado. "O que é isso? Outra armadilha?"

"Não", Lira respondeu, sentindo a energia do portal. Era pura, antiga, e transmitia uma sensação de paz. "É o refúgio. O 'Último Refúgio'."

No entanto, antes que pudessem dar um passo, um som estridente ecoou pelas montanhas. Um som metálico, agourento.

"Kaelan!", Kael gritou, sua voz tensa. "Eles nos encontraram!"

Uma esquadrilha de drones Kaelan emergiu de trás de uma cordilheira, suas luzes vermelhas piscando ameaçadoramente na paisagem serena. Seus feixes de energia começaram a disparar em direção a eles.

"Precisamos ir! Agora!", Lira gritou, agarrando o braço de Davi.

Eles correram em direção ao portal, os disparos Kaelan zunindo perigosamente perto. Kael cobriu a retaguarda, disparando contra os drones com sua arma improvisada, sua mira precisa e letal.

"Vão na frente!", ele gritou. "Eu os cubro!"

Lira, com o coração apertado pela preocupação, empurrou Davi para dentro do portal. O jovem hesitou, olhando para trás, para Kael lutando bravamente.

"Não posso deixá-lo!", ele protestou.

"Ele vai nos seguir!", Lira insistiu, sua voz firme, apesar do medo. Ela entrou no portal, sentindo a vertigem familiar de uma translocação espacial.

Kael deu um último disparo, desativando um dos drones mais agressivos. Sabendo que não podia mais se atrasar, ele se virou e correu em direção ao portal, que começava a se fechar. Com um último salto, ele mergulhou na luz iridescente, bem a tempo de a abertura se fechar com um pop suave, deixando as montanhas em silêncio mais uma vez, apenas com o som do rio e o sussurro do vento.

Eles caíram em um chão macio, uma grama de um verde vibrante que parecia brilhar. Ao se levantarem, viram-se em um vale escondido, cercado por cachoeiras cristalinas e uma vegetação exuberante que parecia ter sido preservada em um estado de perfeição intocada. O ar era doce e perfumado, e o sol, que irradiava de um céu de um azul profundo, parecia ter uma qualidade diferente, mais pura, mais vital.

"Onde estamos?", Davi sussurrou, maravilhado.

Lira olhou ao redor, sentindo a energia do lugar. "Este é o Último Refúgio. Um lugar esquecido pelo tempo, protegido pela própria Terra."

Kael, recuperando o fôlego, examinava o ambiente com cautela. "É... bonito. Mas onde estão os outros?"

Enquanto ele falava, uma figura emergiu de trás de uma cachoeira, uma mulher de pele escura e olhos penetrantes, vestida com tecidos rústicos feitos de fibras naturais. Ela os observava com uma mistura de curiosidade e desconfiança.

"Quem são vocês?", ela perguntou, sua voz grave e melodiosa. "E como encontraram este lugar?"

Lira sentiu uma pontada de esperança. A mulher parecia forte, resiliente. "Viemos de longe", Lira respondeu, com um sorriso hesitante. "Fomos enviados por Aurora. Buscamos refúgio e... ajuda."

A mulher estudou Lira por um longo momento, seu olhar fixo no fragmento da Semente que Lira ainda segurava. Um brilho de reconhecimento cruzou seus olhos. "Aurora...", ela murmurou. "Não ouvíamos esse nome há muitos anos." Ela deu um passo à frente. "Meu nome é Zaya. E este lugar... este lugar é o último vestígio de um mundo que se recusa a morrer."

Compartilhar este capítulo:

เว็บไซต์นี้ใช้คุกกี้

เราใช้คุกกี้เพื่อปรับปรุงประสบการณ์การอ่านนิยายของคุณ วิเคราะห์การเข้าชม และแสดงโฆษณาที่เกี่ยวข้อง รายได้จากโฆษณาช่วยให้เราให้บริการอ่านนิยายฟรีต่อไปได้ อ่านรายละเอียดเพิ่มเติมที่ นโยบายความเป็นส่วนตัว

ตะกร้า eBook

ตะกร้าว่างเปล่า

เพิ่ม eBook ลงตะกร้าเพื่อรับส่วนลดพิเศษ

ส่วนลด Bundle

ซื้อ 3-4 เล่มลด 10%
ซื้อ 5-9 เล่มลด 15%
ซื้อ 10+ เล่มลด 20%