Ecos de Brasília Distante

Capítulo 17 — A Sombra do Regime e o Pacto Silencioso

por Danilo Rocha

Capítulo 17 — A Sombra do Regime e o Pacto Silencioso

A explosão de luz azul que rasgou o ar do laboratório de Elias ressoou pelas entranhas de Brasília, um grito de guerra silencioso que, para quem soubesse ouvir, anunciava a turbulência que se aproximava. O guardião, uma relíquia de um tempo de ordem e controle absolutos, movia-se com uma precisão assustadora, seus passos metálicos ecoando como um prenúncio de desgraça. Elias, com o corpo tenso e a mente a mil, desviava de cada ataque, sentindo o calor da energia disparada em seu rosto. Ele não era um guerreiro, era um cientista, um amante. Sua luta era pela vida, não pela morte.

"Por que agora?", gritou Elias, a voz rouca de desespero, enquanto se escondia atrás de uma grossa bancada de metal. "Por que justo agora?"

O guardião não respondia, apenas continuava sua dança letal, uma máquina implacável em sua missão de proteger os segredos de uma era esquecida. Elias sabia que não poderia derrotá-lo em combate direto. Sua única chance era desativá-lo, e para isso, ele precisava acessar o painel de controle principal, o coração cibernético da criatura. Mas o painel estava do outro lado da sala, exposto aos disparos incessantes do guardião.

Enquanto Elias tentava traçar um plano, um ruído distinto se misturou ao caos. Não eram os passos pesados do guardião, mas sim um som mais ágil, furtivo. De repente, três figuras emergiram das sombras projetadas pelas máquinas. Eram membros da resistência, liderados por Mariana. Seus rostos estavam tensos, seus olhos alertas, mas havia uma determinação fria que Elias não via há muito tempo.

"Elias!", chamou Mariana, sua voz clara e firme, apesar do barulho. "Precisamos tirar você daqui!"

Elias sentiu um misto de alívio e apreensão. Ele não esperava ajuda, muito menos da resistência. "Mariana! Como vocês souberam?"

"O aumento de energia atraiu nossa atenção," respondeu um dos homens de Mariana, um tipo robusto com um braço cibernético reluzente. "Mas encontramos vocês em apuros."

O guardião, percebendo a nova ameaça, virou sua atenção para os recém-chegados. Seus olhos vermelhos se fixaram em Mariana, e uma nova rajada de energia foi disparada. O homem com o braço cibernético se moveu com velocidade impressionante, erguendo o membro metálico que funcionou como um escudo improvisado, absorvendo parte do impacto.

"Vão!", gritou Elias. "Vocês não podem enfrentá-lo!"

"Não vamos deixar você para trás," retrucou Mariana, seus olhos encontrando os de Elias em um breve momento de compreensão mútua. "Mas também não podemos ficar. O Regime está a postos. A última coisa que queremos é que eles descubram este lugar."

A menção do Regime fez um arrepio percorrer a espinha de Elias. Ele sabia o quão perigosa era a vigilância do governo autoritário que agora controlava os remanescentes da sociedade. Qualquer sinal de anomalia, qualquer atividade que pudesse desestabilizar o seu controle, seria reprimida com violência brutal.

"Eles sabem?", perguntou Elias, a voz carregada de urgência.

"Ainda não," respondeu Mariana. "Mas eles estão sempre de olho. O barulho que esse 'amigo' fez atraiu atenção indesejada. Precisamos sair daqui, Elias. Agora."

Enquanto falavam, o guardião avançava implacavelmente. Elias sabia que Mariana estava certa. Ele não podia arriscar que seu trabalho, a vida de Lúcia, caísse nas mãos do Regime. Havia uma escolha a ser feita, uma que apertava seu peito como um nó de ferro. Deixar Lúcia, mesmo que por um tempo, ou arriscar que tudo fosse perdido para sempre.

"Eu não posso deixá-la," disse Elias, olhando para Lúcia, que ainda repousava na maca, ligada a fios que agora cintilavam com uma luz fraca.

Mariana se aproximou de Elias, seus olhos transmitindo uma força incomum. "Eu entendo. Mas nem sempre a força bruta é a resposta. Às vezes, a sabedoria é fugir para lutar outro dia. Elias, eu posso ajudar você a proteger Lúcia. Posso protegê-la aqui, isolada, até que possamos encontrar uma maneira segura de continuar."

Elias olhou para Mariana, para os rostos confiantes dos seus companheiros. Ele os conhecia de um tempo que parecia ter sido há séculos. Eram pessoas que, como ele, haviam perdido tudo, mas que se recusavam a perder a esperança. "Como?", perguntou ele, a voz mais baixa, mais interrogativa.

"O Regime tem seus informantes, mas nós também temos nossos ouvidos e olhos," explicou Mariana. "Sabemos de locais seguros, esquecidos até pelo próprio governo. Podemos ocultar Lúcia, e você pode continuar seu trabalho de longe, sem o risco de ser descoberto."

O guardião deu mais um passo à frente, sua presença ameaçadora dominando o espaço. Elias sentiu o peso da decisão. Era um risco. Confiar em pessoas que ele mal conhecia, pessoas que lutavam contra um inimigo comum, mas que ainda assim representavam o desconhecido. Mas a alternativa era mais aterrorizante: a descoberta pelo Regime, a destruição de seu trabalho e, o pior de tudo, a perda definitiva de Lúcia.

"Eu aceito," disse Elias, sua voz firme, decidida. "Mas preciso de tempo. A energia está instável. Ela… ela está voltando. Eu não posso movê-la ainda."

Mariana assentiu. "Entendemos. Mas não teremos muito tempo. Meus homens vão distrair o guardião. Você tem alguns minutos. Faça o que precisa ser feito."

Enquanto os homens de Mariana se preparavam para atrair a atenção do guardião, Elias correu para o painel de controle. Seus dedos voavam sobre os botões, tentando estabilizar a energia, extrair o máximo de informações possíveis antes que tudo fosse interrompido. Ele precisava de um plano de contingência, de um backup, de qualquer coisa que pudesse salvaguardar seu trabalho.

O som da luta irrompeu pela sala. Gritos metálicos, explosões de energia. O guardião estava distraído. Elias sentiu uma pontada de gratidão por aqueles que arriscavam suas vidas por ele, por Lúcia. Ele sabia que este era o início de um pacto, um acordo silencioso forjado na urgência e no perigo.

Ele conseguiu. Um breve pico de energia, e ele extraiu os dados cruciais. Em seguida, com mãos trêmulas, ele ajustou os sistemas de suporte de vida de Lúcia, garantindo que ela permanecesse estável, mesmo com a instabilidade energética.

"Pronto!", gritou Elias. "Precisamos ir!"

Mariana e seus homens recuaram, deixando o guardião temporariamente confuso. Eles se aproximaram de Elias e da maca de Lúcia. "Vamos. Temos um caminho preparado."

Enquanto saíam apressadamente do laboratório, Elias lançou um último olhar para trás. O guardião, agora com um ferimento visível em seu braço, estava se reorganizando, a luz vermelha de seus olhos girando em busca deles. Ele sabia que aquele era apenas o começo. O Regime, a resistência, a ressurreição de Lúcia. O futuro de Brasília Distante estava se desdobrando em uma teia complexa de perigos e esperanças. E Elias, com Lúcia em seus braços, estava agora no centro de tudo. O pacto silencioso com Mariana selou seu destino, ligando-o ainda mais à luta pela sobrevivência em um mundo à beira do colapso. Ele esperava que a confiança depositada neles fosse bem empregada, pois a vida de Lúcia, e talvez a de toda a resistência, dependia disso.

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