Memórias da São Paulo Cibernética

Capítulo 12 — A Sombra do Sintético

por Danilo Rocha

Capítulo 12 — A Sombra do Sintético

No submundo de Neo-Copacabana, um labirinto de becos neon e vielas escuras onde a luz artificial mal alcançava, o cheiro de ozônio e suor pairava no ar. Era ali, longe dos arranha-céus reluzentes do centro de São Paulo Cibernética, que figuras sombrias negociavam o que a lei condenava. E em um dos bares mais obscuros, um lugar chamado “O Refúgio do Bug”, um homem com um implante cibernético vibrante em sua têmpora esquerda observava um pequeno grupo de indivíduos.

O homem, conhecido apenas como Sombra, era um negociante de informações, um intermediário para aqueles que buscavam o que o sistema oficial considerava proibido. Seus olhos, um misto de cinza e azul elétrico, analisavam cada movimento, cada expressão facial, buscando sinais de fraqueza ou intenção oculta. Ele estava ali por um motivo específico: um novo cliente, um cliente misterioso que se comunicara através de canais criptografados, oferecendo uma quantia exorbitante por dados que poucos possuíam.

A porta do bar se abriu com um rangido metálico, e um homem adentrou o recinto. Era alto, com ombros largos e um semblante fechado. Seu rosto era marcado por uma cicatriz fina que descia da testa até a bochecha, um vestígio de um passado violento. Ele usava um sobretudo longo e escuro, que escondia seu corpo, mas não a aura de perigo que o cercava. Sombra sentiu um arrepio percorrer sua espinha. Havia algo naquele homem, algo que ia além da sua aparência intimidante.

O homem se aproximou da mesa onde Sombra o aguardava. Não houve cumprimentos formais. Apenas um aceno de cabeça e um olhar penetrante. “Você é Sombra?”, a voz dele era grave, rouca, como se tivesse sido arranhada por metal.

Sombra assentiu lentamente. “E você é o comprador. Você me disse que tinha uma proposta interessante.”

“Interessante é pouco”, o homem se sentou, o couro do banco rangendo sob seu peso. “Eu busco informações sobre um projeto. Um projeto antigo, mas de imenso potencial. O Projeto Éden.”

O nome ecoou no bar abafado. O Projeto Éden era uma lenda urbana, um boato sussurrado nos cantos mais escuros da rede. Falava-se de um projeto secreto da OmniCorp, a gigante tecnológica que dominava São Paulo Cibernética, um projeto voltado para a criação de vida sintética com consciência autônoma. Muitos o consideravam um mito, uma fantasia de cientistas obcecados. Mas Sombra sabia que os mitos, às vezes, tinham um fundo de verdade.

“Projeto Éden?”, Sombra repetiu, fingindo hesitação. “Ouvi falar. Dizem que foi engavetado. Desmantelado.”

O homem sorriu, um sorriso frio que não alcançou seus olhos. “Engavetado, talvez. Desmantelado, quem sabe. Mas os dados… os dados podem ter sido levados para outro lugar. E eu preciso desses dados.”

“E por quê? Por que um homem com seus… recursos… estaria interessado em um projeto tão antigo e controverso?”

“Digamos que eu tenho um interesse pessoal no resultado desse projeto”, o homem tirou uma maleta metálica da bolsa e a colocou sobre a mesa. O clique das travas ecoou. “Aqui está. Metade do pagamento adiantado. Em créditos não rastreáveis.”

Sombra abriu a maleta. Dentro, uma pilha de cartões de memória brilhava sob a luz fraca. Ele pegou um deles, o toque frio do material sintético em seus dedos. Ele sabia que aquilo era um risco. Mexer com informações da OmniCorp era como brincar com fogo. Mas o dinheiro… o dinheiro era tentador.

“Eu não tenho os dados completos”, Sombra disse, com cautela. “Mas conheço quem pode ter. Pessoas que trabalhavam no projeto. Pessoas que foram dispensadas quando ele foi… ‘engavetado’.”

“E onde encontro essas pessoas?”

“Um nome. Dr. Aris Thorne.”

O homem, que até então se apresentara apenas como “Cliente”, levantou uma sobrancelha. “Thorne… Eu o conheço. Ele desapareceu.”

“Não desapareceu. Ele se esconde. E se você quer o que ele sabe, você vai ter que encontrá-lo. E eu posso te dar uma dica de onde começar a procurar.” Sombra apontou para um canto escuro do bar, onde um homem corpulento, com um implante de olho cibernético que emitia um brilho vermelho, observava tudo de forma discreta. “Aquele é Big Joe. Ele tem contatos no submundo. Ele sabe onde Thorne se esconde. Mas ele não dará essa informação de graça.”

O Cliente assentiu. “Eu cuido disso.” Ele se levantou, o movimento fluido e calculado. “Traga-me os dados, Sombra. Traga-me tudo que você conseguir sobre o Projeto Éden e sobre Aris Thorne. E a segunda metade do pagamento será sua.”

Antes que Sombra pudesse responder, o homem se virou e saiu do bar, desaparecendo tão abruptamente quanto havia chegado. Sombra observou a porta se fechar, sentindo o peso da decisão que acabara de tomar. Ele se sentia como um peão em um jogo perigoso, manipulado por forças que ele mal compreendia. Mas a promessa de riqueza era forte demais para ser ignorada. E a curiosidade sobre o Projeto Éden, um projeto que prometia revolucionar a própria definição de vida, era um veneno que corria em suas veias. Ele olhou para a maleta aberta, o brilho dos créditos não rastreáveis refletindo em seu implante cibernético. O jogo havia começado, e ele sabia que as apostas eram altíssimas. A sombra do sintético, a promessa de uma vida criada em laboratório, pairava sobre São Paulo, e ele estava prestes a mergulhar de cabeça em seus segredos mais obscuros.

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