Aurora de um Céu Copacabana

Claro! Prepare-se para mergulhar nas profundezas de "Aurora de um Céu Copacabana", onde a paixão, o perigo e o futuro se entrelaçam sob o sol do Rio de Janeiro.

por Alexandre Figueiredo

Claro! Prepare-se para mergulhar nas profundezas de "Aurora de um Céu Copacabana", onde a paixão, o perigo e o futuro se entrelaçam sob o sol do Rio de Janeiro.

Capítulo 16 — O Eco das Estrelas em Santos Dumont

O ar em Santos Dumont parecia vibrar com uma energia incomum, um murmúrio subjacente que ia além do burburinho típico dos viajantes apressados e dos despedidos emocionados. Era um eco, um resquício da batalha travada nas profundezas de Copacabana, um fantasma tecnológico que pairava sobre os ombros de cada um que ali pisava. Clara, ainda sentindo o arrepio da revelação de Elias, apertava a mala com mais força, os nós dos dedos brancos sob a pele bronzeada pelo sol carioca. Ao seu lado, Lucas tentava manter uma fachada de calma, mas seus olhos, tão expressivos quanto o mar que se estendia à frente, denunciavam a tempestade interna.

“Você tem certeza disso, Clara?”, Lucas perguntou, a voz baixa, quase inaudível em meio ao ruído constante. Ele olhou para ela, buscando nos olhos azuis a confirmação que seu coração ainda hesitava em aceitar. “Sair agora, sem mais nem menos, depois de tudo o que aconteceu?”

Clara assentiu, um movimento quase imperceptível. “Elias estava certo, Lucas. Nós mexemos em algo que não compreendíamos completamente. A ‘Aurora’… não é só um projeto. É uma ameaça. E se ficarmos aqui, seremos os primeiros alvos dele. Ou pior, seremos cúmplices involuntários.” Ela respirou fundo, o cheiro salgado do oceano misturando-se à apreensão. “Eu vi o que ele é capaz de fazer com as mentes das pessoas. Aquele brilho nos olhos dos engenheiros… era como se estivessem possuídos.”

“Mas ir para onde?”, insistiu Lucas, as sobrancelhas franzidas em preocupação. “Não temos para onde ir. O Elias tem olhos e ouvidos em todos os lugares. Se descobrirmos que sumimos, ele vai nos caçar até o fim do mundo.”

“É por isso que não podemos ir para qualquer lugar”, Clara respondeu, um brilho de determinação surgindo em seu olhar. “Precisamos de um lugar que ele não esperaria. Um lugar onde possamos nos esconder, pensar, planejar. E onde possamos encontrar ajuda.” Ela hesitou por um instante, a decisão pesando em sua alma. “Precisamos ir para o Nordeste. Para a casa da minha avó em Jericoacoara.”

Lucas a olhou, surpreso. Jericoacoara. O nome evocava imagens de dunas douradas, lagos de água doce cristalina e um pôr do sol que pintava o céu com cores vibrantes. Um refúgio de paz, mas também um lugar isolado. “Jericoacoara? Clara, isso é… longe. E como vamos chegar lá? Precisamos de dinheiro, de passagens aéreas discretas.”

“Eu tenho um pouco de dinheiro guardado”, Clara confessou, um rubor subindo em suas bochechas. “E eu posso vender algumas das minhas joias mais antigas. Coisas que não têm valor sentimental, mas que têm valor monetário. O suficiente para as passagens e para começarmos.” Ela olhou para ele, seus olhos buscando conexão. “E a minha avó… ela sempre foi uma mulher forte, sábia. Ela viveu muitas coisas. Talvez ela possa nos ajudar a entender o que está acontecendo, ou pelo menos nos dar um lugar seguro para pensar.”

Lucas ponderou por um momento, o dilema em seu rosto cada vez mais evidente. A ideia de fugir, de se tornar um foragido em seu próprio país, era assustadora. Mas a alternativa, enfrentar Elias sem um plano, sem saber o verdadeiro alcance de seu poder, era ainda mais aterrorizante. Ele se lembrou da frieza nos olhos de Elias, da forma como ele falava da “Aurora” como se fosse uma divindade. Era um tipo de loucura que ele não conseguia ignorar.

“Ok”, ele disse, finalmente. “Jericoacoara. Mas temos que ser rápidos e discretos. Sem despedidas, sem avisos. Assim que embarcarmos, mandamos uma mensagem para quem se importa, de um local seguro.”

Clara sentiu um alívio imenso invadir seu peito. Ela sabia que não seria fácil, mas a decisão de agir, de não se render ao medo, era o primeiro passo. “Vamos para o terminal de cargas. Tenho um contato lá, um velho amigo do meu pai que me deve um favor. Ele pode nos ajudar a embarcar em um voo cargueiro discreto. É mais arriscado, mas é a nossa melhor chance de não sermos notados.”

Enquanto se dirigiam para o terminal, o sol já se punha, lançando longas sombras sobre a pista. O som de um turboélice distante ecoou no ar. Clara imaginou o mundo que deixavam para trás: as luzes cintilantes de Copacabana, os segredos guardados nas profundezas do oceano, a promessa perigosa da “Aurora”. Ela apertou a mão de Lucas, sentindo a firmeza de seus dedos. Eles estavam sozinhos contra um inimigo poderoso, mas unidos pela esperança e pela necessidade de proteger um futuro que ainda não havia nascido.

No terminal de cargas, o cheiro de combustível e borracha era forte. O amigo de Clara, um homem corpulento chamado Jorge, os recebeu com um aceno discreto. Ele era um homem de poucas palavras, mas de grande lealdade.

“Certo, Clara”, Jorge disse, a voz rouca. “Tenho um voo para Recife em uma hora. Um voo cargueiro, sem passageiros registrados. Se vocês não se importam com o desconforto, é a melhor opção.”

“Obrigada, Jorge”, Clara disse, sentindo a gratidão inundá-la. “Você não sabe o quanto isso significa.”

Lucas olhou para Jorge. “Precisamos de duas passagens, para Jericoacoara, se possível. Ou pelo menos o mais perto que você puder nos levar.”

Jorge franziu a testa. “Jericoacoara é complicado por cargueiro. Mas posso te deixar em Fortaleza. De lá, vocês pegam um ônibus ou um transfer. É a melhor coisa que consigo fazer agora.”

“Feito”, Lucas disse sem hesitar.

Enquanto esperavam, Clara e Lucas se sentaram em um banco desgastado, observando os trabalhadores carregarem caixas e contêineres. A ansiedade era palpável, mas também havia uma estranha sensação de liberdade. Eles estavam deixando para trás uma vida, um passado, e se lançando no desconhecido.

“Você acha que vamos conseguir?”, Lucas perguntou, a voz carregada de incerteza.

Clara olhou para o céu que começava a se tingir de roxo e laranja. “Eu não sei, Lucas. Mas sei que temos que tentar. Não podemos deixar que Elias vença. Não podemos deixar que a ‘Aurora’ destrua tudo o que amamos.” Ela sorriu fracamente. “Meu pai sempre dizia que mesmo na escuridão mais profunda, sempre há uma pequena luz. Acho que estamos indo em busca dessa luz.”

Quando o avião cargueiro finalmente decolou, o rugido dos motores abafou qualquer pensamento de volta. Lá embaixo, as luzes do Rio de Janeiro se transformaram em um tapete cintilante, um mundo que parecia cada vez mais distante. Clara fechou os olhos, a imagem de Jericoacoara – das dunas, do mar, da casa de sua avó – em sua mente. Era um farol de esperança em meio à tempestade que se avizinhava. Eles estavam fugindo, mas também estavam lutando. E essa luta, ela sabia, seria definida pelo eco das estrelas em um céu que eles esperavam um dia poder chamar de seu novamente.

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