Aurora de um Céu Copacabana

Capítulo 2 — O Legado do Silêncio nas Sombras da Urca

por Alexandre Figueiredo

Capítulo 2 — O Legado do Silêncio nas Sombras da Urca

A mansão da família Drummond, uma joia arquitetônica imersa em jardins exuberantes e com vista privilegiada para a Baía de Guanabara, era um santuário de poder e discrição. Escondida nas encostas da Urca, longe do burburinho turístico, a residência era um símbolo do império construído por Elias Drummond, um magnata da tecnologia cujos feitos eram tão grandiosos quanto misteriosos. Elias havia falecido há dois anos, deixando para sua única filha, Isabella, não apenas uma fortuna incalculável, mas também um legado de segredos que, aos poucos, começava a se desdobrar.

Isabella, uma mulher de beleza clássica e inteligência afiada, sentou-se à poltrona de couro em seu escritório particular, um cômodo imponente revestido de mogno escuro e repleto de livros antigos e artefatos tecnológicos de última geração. A luz fraca da luminária de mesa criava sombras longas e dançantes, acentuando a atmosfera de mistério que pairava no ar. Em suas mãos, ela segurava uma pequena caixa de metal, fria ao toque. Era um dos muitos itens que ela vinha descobrindo nos cofres secretos de seu pai.

A caixa não tinha nenhuma marca de identificação, nenhuma fechadura aparente. Isabella já havia tentado abri-la de todas as formas convencionais, sem sucesso. A superfície era lisa, impecável, como se tivesse sido moldada por uma tecnologia que ela sequer conseguia conceber.

"Sra. Drummond?"

A voz suave de Margarida, a fiel governanta da família há mais de trinta anos, quebrou o silêncio. Margarida era uma figura discreta, mas sua presença transmitia uma autoridade tranquila, uma lealdade inabalável.

"Entre, Margarida", respondeu Isabella, sem desviar o olhar da caixa.

Margarida entrou na sala, carregando uma bandeja com uma xícara de chá fumegante e alguns biscoitos finos. Ela depositou a bandeja na mesa lateral e observou Isabella com um olhar preocupado.

"Sua mãe ligou novamente", disse Margarida, a voz baixa. "Ela está preocupada com a senhora. Disse que a senhora tem passado muito tempo isolada aqui."

Isabella suspirou, esfregando as têmporas. Sua mãe, Dona Helena, era uma mulher de sociedade, mais interessada em eventos e aparências do que nos complexos enigmas que consumiam Isabella. "Eu sei, Margarida. Mas há tanto a ser descoberto."

Ela levantou a caixa. "Você viu isso antes? Ou alguma coisa parecida?"

Margarida se aproximou, seus olhos experientes examinando o objeto. "Não, Sra. Isabella. Nunca vi nada assim. O Sr. Elias era um homem reservado, mantinha muitos de seus projetos em segredo. Mas sempre respeitei sua privacidade."

"Ele era mais do que reservado, Margarida. Ele era um enigma. E sinto que essa caixa é a chave para desvendar parte dele."

Isabella se levantou e caminhou até a enorme janela de vidro que dava para a baía. As luzes da cidade brilhavam como constelações artificiais na escuridão. A Urca, com seu Pão de Açúcar imponente, parecia um guardião silencioso da cidade.

"Meu pai acumulou uma fortuna imensa, mas nunca foi de ostentação. Ele era um visionário, um homem obcecado por inovação. Mas havia algo mais nele. Uma busca... por algo que ele nunca revelou."

Ela se virou para Margarida. "Há um ano, descobri que ele mantinha um laboratório secreto em uma das propriedades mais remotas da família, no interior de São Paulo. Era um lugar que ninguém conhecia. E foi lá que encontrei a maioria dessas caixas. Esta é a décima terceira que não consigo abrir."

Margarida meneou a cabeça, pensativa. "O Sr. Elias sempre foi um homem à frente de seu tempo. Lembro-me de quando ele era jovem, dizia que o futuro não estava na Terra, mas nas estrelas. Que a humanidade precisava expandir seus horizontes."

"Expansão... é uma palavra que ouço muito nos documentos dele", murmurou Isabella, voltando a atenção para a caixa. "Ele falava de 'a Grande Conexão', de 'despertar de um novo ciclo'. Parecia quase místico, mas vindo dele, tudo soava como ciência avançada."

Ela pegou um tablet da mesa e começou a folhear alguns arquivos digitais. "Ele financiava discretamente diversas pesquisas, algumas delas em áreas muito fora do comum. Física quântica, inteligência artificial, biotecnologia... e algo que ele chamava de 'comunicação interdimensional'."

Margarida arregalou os olhos. "Interdimensional? Isso soa como ficção científica, Sra. Isabella."

"Para nós, sim. Mas meu pai acreditava que a realidade era muito mais complexa do que imaginamos. Ele falava sobre dimensões paralelas, sobre formas de vida que existiam em frequências diferentes das nossas. E ele estava tentando... alcançá-las."

Isabella sentiu um nó na garganta. A obsessão de seu pai, antes uma curiosidade distante, agora a consumia. Ela sentia que precisava entender o que o impulsionava, o que ele estava buscando.

"Eu encontrei um diário dele, Margarida. Escrito em código. Levei meses para decifrá-lo. E nele, ele descreve encontros. Encontros com algo... de fora. Algo que ele chamava de 'Os Guardiões'."

Margarida ficou pálida. "Guardiões? Que tipo de guardiões?"

"Ele não era claro. Descrevia seres de luz, de energia pura. Seres que o orientaram em suas pesquisas. Que lhe deram conhecimento. E que, segundo ele, estavam prestes a retornar."

Isabella olhou para a caixa em sua mão. Poderia ela conter algo relacionado a esses 'Guardiões'? Algo que seu pai deixou para ela descobrir?

"Um dos últimos registros do diário fala sobre uma 'Aurora'. Uma aurora que não seria natural. Uma aurora que anunciaria o retorno."

Naquele momento, o telefone fixo do escritório tocou, estridente. Margarida atendeu.

"Sim... Ah, Dr. Almeida... Sim, ela está aqui... Um momento, por favor."

Margarida se virou para Isabella, um brilho de surpresa em seus olhos. "É o Dr. Almeida, o chefe de segurança da Drummond Tech. Ele diz que há uma situação urgente no laboratório de pesquisa principal no Rio de Janeiro. Algo sobre uma anomalia energética sem precedentes."

Isabella sentiu um arrepio percorrer sua espinha. Anomalia energética. A palavra a atingiu como um raio. Teria isso alguma ligação com o trabalho secreto de seu pai? Com os 'Guardiões'?

Ela olhou para a caixa em sua mão, depois para a janela com vista para a baía cintilante. O céu noturno do Rio, de repente, parecia carregar um peso maior, uma promessa de algo que transcendia o mundano.

"Eu preciso ir, Margarida", disse Isabella, a voz firme. "Dr. Almeida, por favor, conecte-o ao meu celular. E prepare meu carro. Eu vou direto para o Rio."

Ela guardou a caixa em sua bolsa de couro, sentindo seu peso como um fardo e uma promessa. O legado de silêncio de seu pai estava prestes a ser rompido, e Isabella, agora, era a única herdeira desse mistério. A aurora que ele tanto mencionava, talvez estivesse mais perto do que ela imaginava.

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