Aurora de um Céu Copacabana

Capítulo 3 — O Encontro nas Ruínas da Estação Zero

por Alexandre Figueiredo

Capítulo 3 — O Encontro nas Ruínas da Estação Zero

O Rio de Janeiro, sob o véu da noite, parecia um palco grandioso para os dramas que se desenrolavam em seu seio. Naquele momento, porém, o drama estava longe das luzes e do glamour, em um local esquecido pela cidade: as ruínas da Estação Zero, um projeto de energia experimental abandonado há décadas, engolido pela vegetação da Floresta da Tijuca. A estrutura de concreto, outrora um símbolo de progresso, agora ostentava o ar de um templo profano, suas entranhas expostas ao céu.

Jade e Léo chegaram em um carro robusto, as luzes da cidade ficando para trás à medida que se aprofundavam na mata. A estrada, precária e escura, era um convite à aventura e ao perigo. Jade dirigia com precisão, seus olhos verdes perscrutando a escuridão, enquanto Léo consultava um mapa em seu tablet, a luz azulada iluminando seu rosto concentrado.

"Estamos perto", disse Léo, levantando a cabeça. "O sinal da anomalia está mais forte aqui. Algo está gerando um campo de energia incomum nessas ruínas."

Jade estacionou o carro em uma clareira, o motor silenciando o burburinho da mata. O ar estava úmido e perfumado com o cheiro de terra e vegetação molhada. A única luz vinha da lua, filtrada pelas copas densas das árvores.

"Vamos com cuidado", disse Jade, pegando uma lanterna potente de sua bolsa. "Não sabemos o que vamos encontrar."

Eles caminharam em direção à estrutura imponente das ruínas. O silêncio era quase absoluto, quebrado apenas pelo canto noturno de insetos e o farfalhar ocasional de algum animal na mata. As paredes de concreto, cobertas de musgo e trepadeiras, pareciam sussurrar histórias de um passado esquecido.

Ao adentrarem o que um dia fora o salão principal da estação, a lanterna de Jade varreu o ambiente. Máquinas enferrujadas, cabos expostos e o eco fantasmagórico de um tempo de prosperidade. No centro da sala, onde outrora existira um reator colossal, havia algo que os fez parar.

Uma luz azulada e etérea pulsava suavemente, emanando de um ponto no centro do salão. Não era uma luz artificial, mas algo orgânico, vibrante, que parecia dançar no ar. A energia que irradiava era palpável, um zumbido sutil que ressoava em seus ossos.

"Incrível...", sussurrou Léo, os olhos arregalados. "É daqui que vem a anomalia. Mas o que é isso?"

Jade se aproximou lentamente, a lanterna em punho. A luz pulsante parecia atraí-la, como um farol em meio à escuridão. Ela sentiu a mesma sensação de admiração e apreensão que sentira ao observar as estrelas. Era algo grandioso, desconhecido.

"É como as anomalias que detectamos no espaço", disse Jade, a voz embargada pela emoção. "A mesma assinatura energética. Mas aqui. Na Terra."

Enquanto eles examinavam a fonte da luz, um barulho de pneus derrapando na terra batida os fez se sobressaltar. Outro veículo se aproximava. Luzes potentes cortaram a escuridão, iluminando a entrada das ruínas.

"Quem mais estaria aqui?", murmurou Léo, olhando para Jade.

Da caminhonete preta e blindada, desceram duas figuras. Uma delas, um homem alto e de ombros largos, com um terno impecável apesar do local remoto, era o Dr. Almeida, chefe de segurança da Drummond Tech. Ao seu lado, uma mulher. A luz da lanterna de Jade a atingiu no rosto, e Jade sentiu um choque.

Era Isabella Drummond.

Jade já a havia visto em algumas reportagens, em eventos de caridade e empresariais. A herdeira do império tecnológico. Seus olhos, embora em um tom diferente, possuíam a mesma profundidade misteriosa dos olhos de Jade. Um reconhecimento silencioso pareceu pairar entre elas.

"Sra. Drummond?", disse Léo, surpreso. "O que a senhora faz aqui?"

Isabella ignorou a pergunta, seus olhos fixos na luz azulada que pulsava no centro das ruínas. Sua expressão era de assombro e familiaridade.

"Meu pai...", sussurrou ela, a voz quase inaudível. "Ele sabia. Ele esteve aqui."

Dr. Almeida, percebendo a tensão, adiantou-se. "Senhoras e senhores, sou Dr. Almeida, chefe de segurança da Drummond Tech. Fomos alertados por nossos sensores sobre uma anomalia energética de nível sem precedentes neste local. A Sra. Drummond, proprietária do terreno, veio verificar pessoalmente."

Jade deu um passo à frente. "Sou Jade Alves, astrofísica. Estamos monitorando anomalias semelhantes em um setor específico do espaço há meses. Nunca imaginamos que pudesse haver uma conexão aqui na Terra."

Isabella se virou para Jade, seus olhos verdes encontrando os olhos verdes dela. Havia uma conexão instantânea, uma compreensão mútua que transcendia as palavras.

"Meu pai...", começou Isabella, a voz embargada. "Ele pesquisava algo similar. Anomalias, padrões energéticos. Ele acreditava em algo... grande. Algo que estava para retornar."

Ela tirou de sua bolsa a pequena caixa de metal que não conseguia abrir. A superfície lisa e fria parecia estranhamente atraída pela luz pulsante.

"Eu encontrei isso entre os pertences dele. Um dos muitos objetos que ele deixou para trás. E o diário dele fala sobre uma 'Aurora'. Uma aurora que anunciaria um retorno."

Enquanto Isabella falava, a luz azulada no centro da sala começou a intensificar-se. O zumbido sutil se transformou em um som vibrante, quase como um canto. As paredes de concreto tremeram levemente.

Léo olhou para o scanner em seu pulso. "Os níveis de energia estão disparando! Jade, o que está acontecendo?"

Jade sentiu um arrepio na espinha. O pressentimento que a acompanhava há dias estava se realizando. "É o sinal", disse ela, a voz firme, apesar da apreensão. "Ele está respondendo."

A luz azulada se expandiu, formando um vórtice que parecia sugar o ar ao redor. No centro do vórtice, formas geométricas complexas começaram a se manifestar, flutuando e se transformando em padrões hipnóticos.

Isabella apertou a caixa em sua mão. "Meu pai falava de 'Os Guardiões'. Seres de luz que o orientavam. Ele acreditava que eles retornariam."

De repente, um dos padrões geométricos se destacou do vórtice, aproximando-se de Isabella. Ele pairou em frente a ela, pulsando com uma luz intensa. A caixa em sua mão começou a vibrar. Com um leve clique, a superfície lisa da caixa se abriu.

Dentro, não havia nada. Apenas uma cavidade polida e um brilho tênue que parecia emanar de seu interior.

"O que é isso?", perguntou Isabella, confusa.

Jade, observando a interação, sentiu uma epifania. "Não é o que está dentro da caixa, Isabella. É a caixa em si. É um receptáculo. Um dispositivo de ativação."

Enquanto ela falava, o padrão geométrico se aproximou mais da caixa aberta. Um feixe de luz azulada emanou do padrão e atingiu o interior da caixa. Um mapa estelar complexo e em constante movimento surgiu dentro da cavidade, projetado em três dimensões.

"É um mapa estelar", disse Jade, maravilhada. "Mas não é um mapa que eu conheça. As constelações... a posição das estrelas... é algo que nunca vimos."

Léo se aproximou, examinando o mapa projetado. "Parece indicar um ponto específico. Uma localização."

O vórtice de energia começou a diminuir, a luz pulsante se tornando mais suave, retornando ao seu estado original. O som vibrante se silenciou, deixando apenas o eco da natureza ao redor.

Isabella fechou a caixa, que se selou com outro clique suave. Ela olhou para Jade, uma mistura de admiração e apreensão em seus olhos.

"Meu pai estava certo. Não era ficção. Era real."

Jade assentiu, sentindo o peso da revelação. "E agora, nós sabemos. Sabemos que há algo lá fora. E que eles estão enviando sinais. Ou talvez... nos chamando."

Dr. Almeida, que observava tudo com uma expressão de espanto controlado, pigarreou. "Sra. Drummond, o nível de energia voltou ao normal. Parece que o fenômeno cessou. Recomendo que retornemos para a segurança."

Isabella olhou para Jade uma última vez, um vislumbre de determinação em seu olhar. "Obrigada, Jade. Sua pesquisa nos trouxe até aqui. E este mapa..." Ela segurou a caixa com firmeza. "Este mapa é a próxima etapa."

Jade sentiu que o destino a havia unido a Isabella naquele lugar esquecido. A paixão por desvendar mistérios cósmicos, antes solitária, agora encontrava eco em outra alma.

"A aurora que seu pai mencionou...", disse Jade, olhando para o céu estrelado que começava a se revelar através da copa das árvores. "Talvez ela esteja apenas começando."

Enquanto deixavam as ruínas da Estação Zero, o Rio de Janeiro, adormecido sob a luz da lua, parecia guardar um segredo ainda maior. Um segredo que ligava as estrelas distantes à terra firme, e que agora residia em um mapa estelar oculto em uma caixa misteriosa, nas mãos de duas mulheres que estavam prestes a embarcar em uma jornada que mudaria o curso da humanidade.

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