O Preço do Nosso Amor Proibido

Capítulo 13 — O Eco da Ausência

por Davi Correia

Capítulo 13 — O Eco da Ausência

O silêncio da cabana na serra, antes um bálsamo para a alma, agora parecia um eco amplificado da ausência de Rafael. Matias acordava a cada madrugada, o corpo ainda sentindo o calor do amado, a mente lutando contra a realidade fria e dura. A cada raio de sol que penetrava pelas frestas da madeira, ele sentia um aperto no peito, uma saudade que dilacerava. Rafael havia partido há uma semana, mas parecia uma eternidade.

As cartas, que antes chegavam com a regularidade de um coração apaixonado, haviam cessado. A última missiva, escrita com a letra apressada de quem tem medo de ser pego, trazia notícias de um confronto inevitável. Rafael mencionara a conversa com os pais, a briga, as ameaças. Falara sobre a pressão para se casar com Isabella, a desaprovação de sua orientação sexual, a ameaça de deserdá-lo. Ele escrevera sobre a dor de sentir a rejeição familiar, mas também sobre a força que a ideia de Matias lhe dava.

“Eu te amo, Matias. E por isso, eu preciso fazer isso. Preciso lutar por nós. Por mim. Não sei quanto tempo vai levar, mas saiba que cada dia longe de você é um suplício. Estou tentando, meu amor. Estou tentando não me perder.”

Matias releu a carta pela décima vez, as palavras marcadas pela ansiedade. Ele sabia que Rafael estava em um campo minado, cercado por pessoas que só enxergavam o próprio interesse e a própria honra distorcida. O mundo de Rafael era um labirinto de aparências, onde a verdade era um luxo inaceitável. E Matias, o homem que amava Rafael pelo que ele era, estava do lado de fora, esperando.

Ele passava os dias trabalhando na roça, a terra se tornando sua única confidente. As mãos calejadas, o corpo suado, eram uma forma de canalizar a angústia. Ele conversava com as plantas, com o vento, com as montanhas, como se pudesse enviar seus pensamentos e sentimentos para Rafael.

“Você consegue, meu amor”, ele sussurrava para o nada. “Você é forte. Mais forte do que eles pensam. Lembre-se de quem você é. Lembre-se de nós.”

Os dias na serra, antes repletos de risadas e carícias, agora eram povoados pela solidão e pela incerteza. Matias se pegava olhando para o telefone fixo, desejando que ele tocasse, mesmo sabendo que Rafael não poderia ligar abertamente. Ele pensava nos olhares de desconfiança que recebia dos poucos vizinhos da região, que já haviam notado a ausência de Rafael.

“O moço da cidade sumiu, né?”, o Sr. Antônio, o dono do pequeno armazém, comentou um dia, enquanto Matias comprava mantimentos.

Matias apenas assentiu, tentando disfarçar o nervo. “Ele teve que resolver uns assuntos lá.”

“Assuntos que o afastaram tanto assim? Faz tempo que não o vejo. E a moça? A noiva? Ela não vem mais visitá-lo?”

A menção a Isabella fez o estômago de Matias revirar. Ele sabia que a farsa dos Vasconcelos era complexa, e que a família de Rafael certamente estaria orquestrando um plano para manter as aparências. “Ele não está mais… noivo”, Matias disse, a voz calma, escolhendo as palavras com cuidado.

O Sr. Antônio ergueu uma sobrancelha. “É mesmo? Que coisa. Ele parecia tão apaixonado.” A curiosidade nos olhos do homem era palpável, mas Matias sabia que não podia dar mais detalhes.

À noite, a solidão se tornava ainda mais pungente. Matias se deitava na cama, sentindo o lado vazio de Rafael ao seu lado. Ele acariciava o travesseiro, imaginando o rosto do amado, o sorriso tímido, os olhos que brilhavam quando ele falava de seus sonhos. Ele se lembrava da primeira vez que se viram, da atração imediata, da descoberta de um amor que parecia desafiar todas as leis.

Um dia, um carro desconhecido, um sedã escuro e luxuoso, subiu a estrada de terra em direção à cabana. Matias sentiu o coração disparar. Ele reconheceu o modelo. Era o tipo de carro que a família Vasconcelos dirigia. Uma onda de pânico o invadiu. Seria Rafael? Teria ele sido forçado a voltar? Ou seria alguém vindo procurá-lo?

Ele observou o carro estacionar a uma certa distância, e duas figuras saírem. Um homem alto e robusto, com um terno escuro que parecia apertado em seu corpo, e uma mulher elegante, com um chapéu que escondia parte do rosto. Matias reconheceu a silhueta da mulher. Era Helena.

Ele esperou, o corpo tenso, o olhar fixo nos visitantes. Eles caminharam em sua direção, com passos firmes e decididos. Helena parecia mais dura, sua serenidade habitual substituída por uma frieza calculista. O homem ao seu lado, o segurança, emanava uma aura de ameaça.

“Senhor Matias?”, Helena perguntou, a voz firme, sem qualquer traço de calor.

“Sim, sou eu”, Matias respondeu, a voz calma, mas com uma firmeza que o surpreendeu.

“Eu sou Helena Vasconcelos, irmã de Rafael. E este é meu acompanhante.” Ela fez um gesto para o homem, que permaneceu em silêncio, os olhos fixos em Matias. “Estamos aqui para conversar sobre meu irmão.”

“Rafael não está aqui”, Matias disse, diretamente. “Ele me disse que precisava de um tempo. E eu respeitei isso.”

Helena deu um sorriso irônico. “Ah, ele está longe. Nós sabemos. E ele está… confuso. Nós estamos aqui para ajudá-lo a encontrar o caminho de volta.” Seus olhos percorreram a cabana simples, o jardim modesto, e então voltaram para Matias, com um olhar de desprezo. “É aqui que ele se esconde? Com você?”

“Nós construímos um refúgio aqui, Sra. Vasconcelos. Um lugar onde podemos ser nós mesmos.”

“Ser vocês mesmos? Você chama isso de ser você mesmo? Viver escondido, como párias? Rafael é um Vasconcelos. Ele tem um nome a zelar, um futuro a construir. Um futuro que não inclui… isso.” Helena fez um gesto vago, como se estivesse se referindo à relação deles.

“O amor não escolhe classe social, Sra. Vasconcelos. Nem gênero.” Matias sentiu a raiva subir, mas a manteve sob controle. Ele não daria a ela a satisfação de vê-lo desmoronar.

“O amor de Rafael é por sua família, por seu legado. Ele foi iludido, seduzido por um… um estilo de vida que não lhe pertence. Nós estamos aqui para trazê-lo de volta. E queremos que você coopere conosco. Para o bem dele.”

“Eu não vou cooperar para destruir o amor que sinto por ele. Nem o amor que ele sente por mim.”

Helena suspirou, como se estivesse lidando com uma criança teimosa. “Olha, senhor Matias. Eu não sou uma mulher cruel. Eu só quero o melhor para o meu irmão. E o melhor para ele é uma vida normal. Um casamento com uma mulher, filhos, continuar o nome da família. O que você está oferecendo a ele? Uma vida de sombras? De vergonha?”

“Eu estou oferecendo a ele amor verdadeiro. Lealdade. Um lugar onde ele é aceito por quem ele é.”

“Isso não é suficiente para um homem como Rafael. Ele precisa de mais. De estabilidade. De reconhecimento social.” Helena deu um passo à frente, o olhar penetrante. “Nós vamos levá-lo de volta. Quer você queira ou não. E é melhor que você não interfira. Para o seu próprio bem.” A ameaça velada era clara.

Matias sentiu um arrepio. Ele sabia que a família Vasconcelos era poderosa, mas nunca imaginou que chegariam a esse ponto. “Rafael não é um objeto que vocês podem simplesmente mover de um lugar para outro. Ele tem vontade própria. Ele me ama.”

“Ele está temporariamente confuso. Mas nós vamos consertar isso.” Helena se virou, o segurança a seguindo. “Pense bem, senhor Matias. É a última chance de evitar um grande sofrimento. Para todos nós.”

Eles entraram no carro e partiram, deixando um rastro de poeira e incerteza. Matias ficou parado, o coração batendo forte no peito. Ele sabia que a luta de Rafael estava longe de terminar. E agora, ele também estava no centro dela. O eco da ausência de Rafael era ensurdecedor, mas agora, era misturado com o barulho dos tambores de guerra que a família Vasconcelos estava tocando. Ele fechou os olhos, sentindo a força da terra sob seus pés. Ele amava Rafael. E por esse amor, ele lutaria. Ele esperaria. E ele estaria lá para Rafael, quando ele precisasse dele mais do que nunca.

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