O Preço do Nosso Amor Proibido

Capítulo 4 — O Silêncio Que Grita

por Davi Correia

Capítulo 4 — O Silêncio Que Grita

De volta à mansão em Santa Teresa, o silêncio era quase insuportável. A presença de Eduardo e Helena era um peso constante, um lembrete silencioso do escândalo daquela noite. Matheus se trancou em seu quarto, sentindo a humilhação e a raiva fervilhando em seu interior. As palavras de seu pai ecoavam em sua mente, cruéis e definitivas: "Matheus não tem amigos desse tipo. Eu decido com quem ele anda."

Ele olhou para o celular. Centenas de mensagens de amigos e familiares o parabenizando pela festa, por sua "postura impecável". Ninguém imaginava a tempestade que se abatia sobre ele. Ele sabia que não podia ligar para Diego. Seu pai provavelmente já teria feito algumas ligações, alertado quem precisasse ser alertado. A influência dos Bastos era vasta, capaz de destruir reputações com um simples telefonema.

Na manhã seguinte, a atmosfera na mansão era tensa. Eduardo e Helena mal o olhavam nos olhos. A conversa se resumia a ordens e instruções. "O jantar com os Costa esta noite é importante, Matheus. Seja pontual e comportado." A ameaça implícita pairava no ar.

Matheus tentou se concentrar nos seus estudos, mas as palavras dos livros pareciam distorcidas, sem sentido. Sua mente vagava para a Lapa, para o olhar de Diego, para o calor de sua presença. Ele se sentia dividido, dilacerado entre o dever e o desejo. O mundo que ele conhecia parecia de repente pequeno e sufocante, enquanto o mundo de Diego, por mais perigoso que fosse, era o único lugar onde ele sentia que podia respirar.

Os dias se transformaram em semanas. Matheus cumpria seus compromissos com a perfeição fria que lhe era esperada. Jantares, eventos, encontros com jovens "promissoras". Ele sorria, conversava, mas por dentro, sentia um vazio crescente. Ele se tornara um fantasma em sua própria vida, movido por uma força invisível que o impelia para frente, para um futuro que não o pertencia.

Ele evitava a Lapa como a peste, temendo o encontro com Diego, temendo a dor de um adeus definitivo, mas também temendo a tentação de ir ao seu encontro. Ele sabia que Diego, com sua força de caráter, provavelmente não o procuraria. As barreiras sociais eram fortes demais. E a influência de seu pai, ainda mais.

Um dia, porém, em uma cafeteria no centro da cidade, enquanto tentava se afogar em um café forte e em livros de direito, ele o viu. Diego.

Ele estava sentado em uma mesa próxima, lendo um livro, com o violão apoiado na cadeira ao seu lado. Matheus sentiu o coração disparar. Ele hesitou. Deveria ir? Ignorá-lo? O que diria?

Diego levantou os olhos, como se sentisse o olhar sobre si. Seus olhos encontraram os de Matheus. Havia um misto de surpresa, dor e resignação em seu olhar. Ele deu um leve aceno de cabeça, um cumprimento silencioso e melancólico.

Matheus sentiu um nó na garganta. Ele sabia que precisava fazer alguma coisa. Ele se levantou, pegou sua xícara de café e caminhou até a mesa de Diego.

"Oi", ele disse, a voz rouca.

"Oi, Matheus", Diego respondeu, sem erguer muito os olhos do livro.

"Eu... sinto muito por aquela noite", Matheus começou. "Meu pai... ele é assim. Ele não entende."

Diego fechou o livro, colocando-o sobre a mesa. "Eu sei como ele é. E eu sei o que você é. Não se desculpe por algo que não foi culpa sua."

"Mas eu deveria ter ficado. Deveria ter dito algo mais. Eu me senti... envergonhado."

"Eu sei que se sentiu. Eu também senti. Mas não por nós. Por ter que ouvir aquelas palavras. Por ter que ver você ser arrastado para longe", Diego disse, sua voz embargada. "Você é um bom homem, Matheus. Preso em um lugar onde a bondade não tem valor."

Matheus sentou-se na cadeira vazia à frente de Diego. A presença dele era reconfortante, familiar, como um bálsamo para suas feridas. "Eu não sou bom. Sou um covarde. Eu deveria ter enfrentado meu pai."

"Você enfrentou. À sua maneira. E isso é um começo", Diego disse, com um sorriso fraco. "Não se machuque mais por isso."

Eles ficaram em silêncio por um momento, o som da cafeteria ao redor parecendo distante.

"Você ainda toca?", Matheus perguntou, quebrando o silêncio.

Diego deu um leve sorriso. "Sempre. É a única coisa que me mantém de pé."

"Eu gostaria de ouvir você tocar de novo."

Diego o encarou, um brilho de esperança nos olhos. "O 'Violão Encantado' ainda está lá. Se você tiver coragem."

Matheus sentiu um calor no peito. "Eu tenho. E você?"

Diego suspirou, o brilho de esperança diminuindo um pouco. "Eu não sei, Matheus. As coisas ficaram mais difíceis depois daquela noite. Seu pai fez questão de deixar claro para algumas pessoas que eu não sou uma companhia adequada. Alguns donos de bares já estão relutantes em me contratar."

Matheus sentiu uma pontada de culpa. Sua família, sua influência, estava machucando Diego. "Eu não sabia. Eu sinto muito."

"Não sinta. Apenas... viva sua vida. Faça o que eles esperam de você. Talvez seja o melhor para todos", Diego disse, com uma resignação que partiu o coração de Matheus.

"Não. Eu não quero fazer o que eles esperam de mim. Eu quero...", Matheus parou, sem saber como expressar a avalanche de sentimentos que o consumia. "Eu quero você, Diego."

As palavras saíram em um sussurro, mas foram como um grito no silêncio da cafeteria. Diego o encarou, seus olhos arregalados, cheios de uma emoção que Matheus não soube decifrar.

"Matheus...", Diego começou, mas hesitou.

"Eu sei que é loucura", Matheus continuou, sentindo-se mais corajoso do que nunca. "Eu sei que é proibido. Mas eu não consigo mais fingir. Eu não consigo mais viver sem isso. Sem você."

Diego estendeu a mão sobre a mesa, e Matheus a pegou. A pele de Diego era quente, e o toque enviou arrepios por todo o corpo de Matheus.

"Você está falando sério?", Diego perguntou, sua voz baixa e intensa.

"Sim. Mais sério do que jamais fui em toda a minha vida."

Eles se olharam, um pacto silencioso selado entre eles. O medo, a pressão, as consequências, tudo parecia secundário diante da verdade que acabara de ser dita.

"Mas e se formos descobertos?", Diego perguntou, a preocupação evidente em seu rosto.

"Nós vamos ser cuidadosos", Matheus respondeu, apertando a mão de Diego. "Nós vamos encontrar um jeito. Eu não vou deixar que o meu pai destrua isso."

Naquele momento, Matheus sentiu uma força que nunca soubera possuir. A força do amor, mesmo que proibido, mesmo que arriscado. Ele sabia que o caminho seria difícil, repleto de perigos e sacrifícios. Mas pela primeira vez em muito tempo, ele sentiu que estava vivendo, e não apenas existindo. O silêncio que antes o sufocava agora gritava com a promessa de um amor que desafiava todas as barreiras.

No entanto, a sombra dos Bastos era longa e implacável. E os olhos de Eduardo, sempre vigilantes, já haviam percebido a ausência incomum de seu filho em casa. As sementes da desconfiança haviam sido plantadas, e Matheus, em sua busca pela liberdade, não percebia que estava sendo observado, que seus passos eram acompanhados, e que o preço do seu amor proibido estava prestes a aumentar drasticamente. O silêncio que ele achava que o protegia era, na verdade, o prelúdio de uma tempestade que se aproximava.

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