O Preço do Nosso Amor Proibido

Capítulo 5 — A Fuga e o Refúgio

por Davi Correia

Capítulo 5 — A Fuga e o Refúgio

Aquele encontro na cafeteria foi um ponto de virada. Matheus e Diego, impulsionados por um desejo recém-descoberto e pela urgência de sua situação, começaram a se encontrar secretamente. A Lapa, antes um refúgio de esperança, tornou-se o epicentro de seu amor proibido. Em vielas escuras, em bares quase vazios, em pequenos apartamentos alugados com dinheiro que Matheus juntara secretamente, eles encontravam momentos de pura felicidade, de conexão intensa.

Cada encontro era uma batalha contra o tempo e o medo. Matheus vivia com a constante apreensão de ser descoberto por seu pai. Ele aprimorou a arte da mentira, inventando compromissos acadêmicos, reuniões de estudo, viagens curtas para visitar parentes distantes. Sua vida dupla o consumia, mas a recompensa, o sorriso de Diego, o calor de seus braços, o som de sua voz cantando para ele em particular, tornava cada risco válido.

Diego, por sua vez, sentia a pressão aumentar. A relutância de alguns donos de bares em contratá-lo era um lembrete constante da influência de Eduardo Bastos. Mas a presença de Matheus, o amor que ele sentia, lhe dava força para continuar lutando. "Nós vamos encontrar um lugar, amor", Matheus dizia, com a convicção que Diego tanto precisava. "Um lugar onde possamos ser nós mesmos, sem medo."

Uma noite, enquanto estavam no pequeno apartamento de Diego, o clima era de uma melancolia agridoce. Matheus sabia que não poderia continuar vivendo daquela forma por muito tempo. A mentira o corroía, e o medo de que algo desse errado era constante.

"Diego, nós precisamos pensar em algo", Matheus disse, acariciando o rosto de Diego. "Precisamos sair daqui. Precisamos de um lugar onde possamos viver sem ter que nos esconder."

Diego suspirou, aconchegando-se em Matheus. "Eu sei, amor. Mas para onde iríamos? E como? Seu pai é poderoso. Ele pode nos encontrar em qualquer lugar."

"Eu tenho pensado sobre isso. Tenho economizado dinheiro. E tenho um amigo, que mora em uma cidade pequena no interior, longe daqui. Ele me disse que tem um lugar tranquilo, uma casa pequena que está vazia. Poderíamos tentar... começar de novo lá." Matheus sabia que era uma fuga arriscada, mas a alternativa, continuar naquela vida de mentiras e perigo, era insuportável.

Diego olhou para ele, seus olhos cheios de incerteza, mas também de uma fagulha de esperança. "Ir para o interior? Longe de tudo isso?"

"Sim. Longe de tudo isso. Longe do meu pai, longe das expectativas, longe do medo. Um lugar onde possamos apenas ser. Você e eu."

A ideia de uma vida simples, longe do luxo e da hipocrisia, seduzia Diego. A chance de ter Matheus ao seu lado, todos os dias, sem ter que se esconder, era um sonho. "Você faria isso por mim? Deixar tudo para trás?"

"Eu faria qualquer coisa por você, Diego. Você sabe disso."

Assim, eles traçaram um plano. Matheus, com a ajuda de seu amigo, organizou os detalhes. Eles escolheram uma noite específica, quando Eduardo e Helena estariam em um evento importante, para que Matheus pudesse sair sem levantar suspeitas imediatas. Diego empacotou o essencial, seu violão, algumas roupas, alguns livros. A partida seria sigilosa, sob o manto da noite.

Na noite marcada, o coração de Matheus batia descompassado. Ele deixou um bilhete para seus pais, um bilhete que ele sabia que seria recebido com fúria e decepção, mas que era a única forma que encontrou de explicar sua decisão. Um bilhete curto e direto: "Não posso mais viver a vida que vocês escolheram para mim. Estou indo atrás da minha felicidade. Não me procurem."

Ele saiu da mansão pela porta dos fundos, levando apenas uma pequena mala. As ruas de Santa Teresa pareciam sombrias e ameaçadoras, mas Matheus sentiu uma determinação férrea. Ele dirigiu até o local combinado, onde Diego o esperava com o pequeno carro que haviam conseguido.

Os olhos de Diego brilharam ao ver Matheus. Um misto de alívio e apreensão. "Você veio", ele sussurrou, abraçando Matheus com força.

"Eu disse que viria", Matheus respondeu, sentindo a tensão começar a se dissipar com o abraço.

Eles partiram naquela noite, deixando para trás o Rio de Janeiro, suas vidas anteriores, suas famílias, tudo o que conheciam. A estrada à frente parecia longa e incerta, mas eles a percorreram juntos, de mãos dadas, o silêncio da noite preenchido pela esperança de um novo começo.

Chegaram à pequena cidade interiorana ao amanhecer. Era um lugar tranquilo, cercado por montanhas verdes e um ar puro que parecia revigorar a alma. A casa que Matheus mencionara era simples, um pouco rústica, mas acolhedora. Tinha um pequeno quintal, um fogão a lenha, e um silêncio que era um bálsamo para os ouvidos.

Os primeiros dias foram de adaptação. Matheus, acostumado ao luxo, teve que aprender a lidar com tarefas simples. Diego, por outro lado, parecia se sentir em casa. Ele passava horas no quintal, dedilhando seu violão, compondo novas melodias inspiradas na natureza ao redor. Matheus o observava, o coração transbordando de amor.

"É diferente daqui, não é?", Matheus disse uma tarde, enquanto observavam o pôr do sol tingir o céu de tons alaranjados e rosados.

"É tudo o que eu sempre quis", Diego respondeu, encostando a cabeça no ombro de Matheus. "Um lugar onde possamos construir nossa própria vida, sem que ninguém nos diga o que fazer."

Eles encontraram trabalho na cidade. Matheus, com sua inteligência e dedicação, rapidamente se destacou em um pequeno escritório de advocacia local. Diego, embora com dificuldades para encontrar apresentações formais, começou a dar aulas de violão para crianças e adultos, e a se apresentar em eventos locais, conquistando o carinho da comunidade.

A vida era simples, mas era deles. O amor que sentiam um pelo outro florescia naquele ambiente tranquilo, livre das pressões e do julgamento da alta sociedade. Eles redescobriram a beleza nas coisas simples: o cheiro da terra molhada depois da chuva, o sabor de uma fruta colhida na hora, o som do violão de Diego embalando suas noites.

Mas a sombra do passado, por mais que eles tentassem fugir, nunca desaparecia completamente. A preocupação com a reação de Eduardo Bastos era uma constante. Matheus sabia que seu pai não o deixaria em paz. Ele havia desafiado a autoridade paterna, desonrado o nome da família.

Um dia, uma carta chegou. Entregue pelo carteiro da cidade, com o brasão dos Bastos claramente visível. Matheus sentiu o pânico tomar conta de si. Diego se aproximou, com o mesmo medo nos olhos.

Matheus abriu a carta com mãos trêmulas. Era de seu pai. Não era uma carta de perdão, nem de compreensão. Era uma carta de ameaça. Eduardo Bastos exigia seu retorno imediato, ameaçando cortar todos os laços, deserdá-lo, e, mais preocupante, usar sua influência para "acabar com a vida daquele seu... amigo".

A última frase foi como um golpe fatal. O preço do nosso amor proibido estava se tornando perigosamente alto. A fuga, que deveria ser um refúgio, agora parecia ter levado ambos para um perigo ainda maior. Matheus olhou para Diego, vendo o medo em seus olhos, e sentiu uma raiva fria e determinada tomar conta de si. Ele não permitiria que seu pai destruísse a felicidade que eles haviam lutado tanto para construir. O jogo, ele percebeu, estava longe de acabar. E ele estava pronto para lutar pela primeira vez em sua vida.

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