O Preço do Nosso Amor Proibido

O Preço do Nosso Amor Proibido

por Davi Correia

O Preço do Nosso Amor Proibido

Autor: Davi Correia

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Capítulo 6 — O Beijo Roubado Sob a Chuva de Lapa

A chuva caía impiedosa sobre os telhados coloridos da Lapa, um véu prateado que embaçava as luzes dos bares e transformava as ruas em espelhos d’água. Ricardo, com o coração martelando no peito, sentia o frio da noite se infiltrar em seus ossos, mas era o calor que emanava de Elias que o mantinha em chamas. Estavam encolhidos sob a marquise estreita de um botequim fechado, o cheiro de cerveja e fritura impregnado no ar. O silêncio entre eles era denso, carregado de palavras não ditas, de olhares que se buscavam e se desviavam com a urgência de segredos.

Desde que haviam se despedido naquela tarde, uma corrente elétrica parecia ligar seus corpos, mesmo a distância. Ricardo, em seu apartamento modesto na Glória, não conseguia se concentrar em nada. As partituras em sua mesa de piano pareciam rabiscos sem sentido, a melodia que antes o inspirava agora ecoava o som da voz de Elias, os contornos de seu rosto, o brilho em seus olhos profundos. Ele se pegou revivendo cada instante daquele dia na Lapa: a conversa inicial, a descoberta da paixão compartilhada pela música, a tensão palpável quando seus dedos se roçaram por acaso. Aquele beijo... Ah, aquele beijo. Um delírio, um impulso incontrolável que os arrebatou como a força de um mar revolto.

Elias, por sua vez, sentia-se em um turbilhão. O beijo com Ricardo o deixara em estado de graça e pavor simultâneos. Ele era um homem de princípios, de uma vida cuidadosamente construída sobre a estabilidade e a discrição. Aquele toque, aquele ardor, era uma afronta a tudo isso. Sua esposa, Laura, a quem ele amava com um afeto morno, mas leal, a imagem de sua filha pequena brincando em seu jardim... tudo isso se apresentava como um muro intransponível. No entanto, o que sentia por Ricardo era algo que ele nunca havia experimentado. Uma força visceral, uma conexão que transcendia a razão, a lógica, o próprio medo.

A chuva, que começara como um chuvisco tímido, agora caía em torrentes. A água escorria pela marquise, formando pequenas cachoeiras que se perdiam na calçada. Ricardo tentava disfarçar seu nervosismo, observando as poucas pessoas que se apressavam sob guarda-chuvas, rostos anônimos na noite carioca. Elias, mais perto do que o bom senso permitiria, sentia o cheiro da chuva misturado ao perfume de Ricardo, uma fragrância amadeirada com um toque de cítrico. Era um cheiro que o hipnotizava.

"Não sei por que aceitei vir até aqui, Ricardo", Elias murmurou, a voz baixa, quase inaudível sob o barulho da chuva. Seus olhos estavam fixos em um ponto distante na rua escura, mas Ricardo sabia que ele estava falando consigo.

Ricardo deu um passo à frente, a proximidade aumentando a tensão. "Eu te perguntei se você queria vir. Você disse que sim."

"Sim, mas... minha cabeça não está em ordem. Aconteceu tanta coisa hoje. E aquele beijo..." Elias suspirou, finalmente virando-se para Ricardo. Seus olhos, escuros e intensos, pareciam carregar um peso de melancolia e desejo.

"Aquele beijo", Ricardo repetiu, a voz rouca. Ele não conseguia pensar em outra coisa. O gosto de Elias em sua boca, a sensação de seus lábios contra os seus, a entrega momentânea que os desarmou. "Foi um erro, Elias?"

A pergunta pairou no ar úmido. Elias hesitou. Um erro? Para sua vida, talvez. Para o que ele representava, certamente. Mas para o que ele sentia naquele momento? A resposta era um sonoro não.

"Eu não sei o que foi, Ricardo", Elias respondeu, a sinceridade crua em sua voz. "Só sei que meu mundo virou de cabeça para baixo em questão de horas. Eu... eu nunca me senti assim."

A confissão de Elias era um bálsamo para Ricardo. Ele sentia uma pontada de culpa por ter cruzado a linha, por ter despertado algo tão perigoso em um homem aparentemente tão seguro. Mas, ao mesmo tempo, a reciprocidade em seu olhar o enchia de uma esperança avassaladora.

"Eu também não", Ricardo admitiu, sua voz um sussurro. Ele estendeu a mão, hesitante, e tocou o braço de Elias. A pele de Elias estava fria, mas sob o toque, ele sentiu uma vibração, um calor que parecia se espalhar por ambos. "Eu sei que é complicado. Sei de tudo o que você tem a perder. Mas..."

"Mas o quê, Ricardo?" Elias o incentivou, seus olhos buscando os de Ricardo com uma urgência desesperada.

Ricardo tomou coragem. A chuva, a noite, a Lapa com seus segredos e paixões... tudo parecia conspirar a favor daquele momento. "Mas o que sentimos... isso não pode ser ignorado, Elias. Não podemos simplesmente fingir que não aconteceu."

Os dedos de Ricardo deslizaram pelo braço de Elias, subindo lentamente até encontrar a mão dele. Elias não se afastou. Pelo contrário, seus dedos se entrelaçaram aos de Ricardo, um aperto firme, mas trêmulo.

"Você está me pedindo para arriscar tudo?", Elias perguntou, a voz embargada.

"Estou te pedindo para não sufocar o que é real, Elias. Para não deixar que o medo destrua algo que pode ser... nosso", Ricardo respondeu, o olhar fixo nos lábios de Elias.

A chuva continuava a cair, lavando as ruas da Lapa, mas parecia apenas intensificar a tempestade que se formava dentro deles. Elias olhou para a mão entrelaçada à de Ricardo, para os dedos que se encaixavam com uma perfeição dolorosa. Pensou em Laura, em sua filha, em sua reputação. Mas então, olhou para Ricardo, para a sinceridade em seus olhos, para a paixão que transbordava de cada gesto. Era um fogo que ele não conseguia mais apagar.

Sem mais delongas, sem mais palavras, Elias se inclinou e puxou Ricardo para mais perto. Desta vez, o beijo não foi um impulso roubado sob a chuva. Foi um beijo deliberado, um pacto selado em meio à tempestade. Era um beijo de saudade antecipada, de desespero contido, de uma paixão proibida que finalmente encontrava seu caminho. Os lábios de Elias eram firmes, exigentes, buscando em Ricardo uma resposta que ele não sabia dar, mas que seu corpo gritava. Ricardo cedeu, perdendo-se na profundidade daquele beijo, sentindo a urgência e o desespero que Elias transbordava. Era um beijo de entrega, de rendição a um sentimento avassalador que ameaçava consumi-los.

A chuva lavava seus rostos, misturando-se às lágrimas silenciosas que Elias deixava cair. E, naquele momento, sob a marquise de um botequim fechado, na Lapa noturna e chuvosa, Ricardo e Elias selaram o preço do seu amor proibido. Um preço que eles ainda não conseguiam mensurar, mas que estavam dispostos a pagar. A melodia que antes ecoava a Lapa agora era o som dos seus corações acelerados, batendo em uníssono contra o ritmo incessante da chuva.

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