Entre Dois Corações Cariocas

Capítulo 14 — A Tempestade em São Conrado

por Enzo Cavalcante

Capítulo 14 — A Tempestade em São Conrado

A vista da praia de São Conrado, com o Morro Dois Irmãos imponente ao fundo e a imensidão azul do oceano, era, em circunstâncias normais, um espetáculo de tirar o fôlego. Mas para André, naquele momento, era apenas um cenário de desolação. A brisa que antes o confortava agora parecia uivar, carregada de acusações e incertezas. Ele caminhava pela areia, os pés afundando na maciez, sentindo-se tão perdido quanto as conchas espalhadas à sua volta.

O confronto com Mariana e a confissão de Léo haviam deixado André em um turbilhão emocional. Ele amava Léo, sentia isso com uma força avassaladora. Mas a revelação sobre o passado de Léo, a dor que ele causara à família de Mariana, pesava como uma âncora em seu coração. Ele se sentia dividido entre o amor que sentia e a necessidade de entender a verdade por trás de tudo aquilo.

“André?”

A voz de Léo, hesitante e carregada de dor, o fez parar. Ele se virou, encontrando Léo a alguns metros de distância, a figura solitária na vastidão da praia. Os olhos de Léo estavam vermelhos, e a palidez em seu rosto denunciava a noite em claro.

André sentiu um aperto no peito. Ele queria correr para Léo, abraçá-lo, dizer que tudo ficaria bem. Mas a raiva e a confusão o impediam. “O que você quer, Léo?”

Léo se aproximou lentamente, como um animal ferido. “Eu quero te explicar, André. Quero que você entenda.”

“Entender o quê? Que você fugiu, deixou sua amiga e a família dela na mão, e agora volta como se nada tivesse acontecido?”, André disse, a voz carregada de mágoa.

“Não é assim que aconteceu, André”, Léo implorou. “Eu fui um covarde, sim. Eu me deixei levar pelo medo. Mas eu nunca quis machucar ninguém. Eu fui enganado, manipulado. E quando percebi o estrago, eu entrei em pânico. Eu achei que fugir era a única solução.”

“E o seu irmão, Léo? O que aconteceu com ele?”, André perguntou, a voz falhando.

Léo suspirou, um som pesado de angústia. “Ele… ele acabou preso. Por minha causa. Mas ele não era o culpado. Foi tudo um esquema para me incriminar e tirar o dinheiro. Eu não tinha provas para provar minha inocência na época, e estava com medo de que ele piorasse a situação se eu me entregasse. Eu me perdi no meio de tudo.”

André ouvia atentamente, mas a dor nos olhos de Léo não apagava a imagem da Mariana desesperada. “E você não pensou em voltar? Em tentar resolver as coisas? Em falar com a Mariana?”

“Eu pensei em voltar todos os dias, André. Mas eu tinha vergonha. Vergonha do que eu fiz, vergonha de ter sido tão fraco. E eu sabia que a Mariana estava com muita raiva, e ela tinha razão. Eu não sabia como encarar o estrago que eu causei.” Léo parou, a voz embargada. “Até você aparecer. Você me deu esperança. Me fez acreditar que eu podia ser uma pessoa melhor. E o que eu sinto por você… isso me deu a coragem que eu precisava.”

André olhou para o mar, a imensidão azul refletindo a turbulência em seu interior. Ele amava Léo. Amava a forma como ele o fazia sorrir, a forma como ele o entendia, a forma como ele o fazia sentir vivo. Mas como poderia construir um futuro sobre as ruínas do passado de Léo? Como poderia confiar em alguém que, por medo, havia abandonado as pessoas que o amavam?

“Eu não sei, Léo”, André sussurrou, a voz embargada. “Eu não sei se consigo superar isso. Eu sinto muito por você ter passado por tudo isso, mas… a dor que você causou… é muito real.”

Léo deu um passo à frente, a mão estendida em direção a André, mas parou a poucos centímetros. “André, por favor. Eu sei que errei. Eu sei que errei muito. Mas eu tô aqui agora. E eu tô disposto a fazer tudo para consertar as coisas. Eu quero consertar as coisas com a Mariana. E eu quero consertar as coisas com você. Eu te amo, André. Eu te amo mais do que tudo.”

As palavras de Léo eram sinceras, carregadas de uma emoção crua. André sentiu as lágrimas brotarem em seus olhos. Ele viu o homem que amava ali, sofrido, arrependido, buscando uma segunda chance. Mas a imagem de Mariana, com o rosto marcado pela dor, também estava ali, vívida em sua mente.

“Eu também te amo, Léo”, André admitiu, a voz embargada. “Mas eu preciso de tempo. Preciso entender se esse amor é mais forte do que a dor que você causou.”

Léo assentiu, a esperança misturada com a dor em seus olhos. “Eu entendo. Eu vou esperar, André. Eu vou fazer tudo o que for preciso para reconquistar sua confiança. E eu vou atrás da Mariana. Eu preciso pedir perdão a ela.”

André se afastou um pouco, sentindo a necessidade de espaço. A praia de São Conrado, com sua beleza grandiosa, parecia agora um palco para a sua própria batalha interna. Ele sabia que precisava tomar uma decisão, uma decisão que afetaria não apenas a ele e a Léo, mas também a Mariana.

“Eu vou tentar falar com a Mariana também”, André disse, sua voz mais firme. “Ela é minha amiga, e eu preciso entender o lado dela.”

Léo assentiu, um brilho de gratidão em seus olhos. “Obrigado, André. Por tudo.”

Enquanto Léo se afastava, voltando para a escuridão da noite, André ficou ali, sozinho na praia, o som das ondas quebrando na areia ecoando a tempestade em seu coração. Ele amava Léo, profundamente. Mas o caminho à frente era incerto, cheio de obstáculos. A sombra do passado pairava, e ele precisava encontrar a força para decidir se o amor deles seria capaz de superar a tempestade.

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