A Melodia Que Nos Une

A Melodia Que Nos Une

por Davi Correia

A Melodia Que Nos Une

Capítulo 16 — O Despertar da Saudade

O sol da manhã, tímido e hesitante, espreguiçava-se por entre as cortinas de linho do quarto de hotel, pintando listras douradas no chão de madeira polida. Rafael se remexeu na cama, um resquício do sono ainda em seus olhos, mas a mente já em turbilhão. O cheiro sutil de café, vindo do pequeno coador que ele preparara mais cedo, pairava no ar. A noite anterior tinha sido uma dança de sensações, um turbilhão de emoções que o deixara exausto, mas estranhamente revigorado. O toque de Lucas, a doçura de seus lábios, a entrega em seus braços… tudo parecia um sonho vívido, mas a marca persistente na pele e o eco de seus gemidos ainda ressoavam em seus ouvidos.

Ele se levantou, sentindo o corpo responder com uma leveza que não experimentava há tempos. A vista da cidade, ainda adormecida, espalhava-se diante dele, um mar de telhados e prédios que pareciam sussurrar segredos. Cada detalhe daquele quarto, antes apenas um refúgio temporário, agora parecia carregado de significado. A caneca de café pela metade na mesinha de cabeceira, a toalha jogada sobre a cadeira, o livro aberto em uma página aleatória – tudo falava de Lucas, de sua presença marcante, de como ele havia preenchido aquele espaço, aquele vazio que Rafael mal sabia que existia.

“Que loucura foi essa?”, murmurou para si mesmo, com um sorriso bobo que teimava em se formar nos lábios. Era uma loucura deliciosa, uma transgressão doce que o sacudiu das fundações. Ele se aproximou da janela, as mãos frias tocando o vidro, observando o movimento incipiente das ruas. Os carros, as pessoas apressadas em suas rotinas matinais, pareciam pertencer a um mundo distante, um mundo onde a melodia que ele e Lucas haviam criado ainda não havia ecoado.

A saudade já batia à porta, um sentimento estranho, pois mal se separaram. Mas a intensidade do encontro deixara uma marca profunda, uma necessidade de repetição, de aprofundamento. Ele pegou o celular, o dedo pairando sobre o nome de Lucas na lista de contatos. Queria ouvir sua voz, sentir novamente o calor do seu abraço, mas hesitou. Não queria parecer desesperado, nem apressar as coisas. Aquele momento, aquele primeiro encontro íntimo, precisava ser saboreado, digerido.

Lembrou-se das palavras de Lucas sobre a música, sobre como cada nota, cada acorde, tinha seu tempo e seu lugar. Era uma filosofia de vida que ele admirava profundamente, e que agora, pela primeira vez, sentia que podia aplicar a si mesmo. A música que os unia estava apenas começando a ser tocada, e ele não queria apressar o ritmo, nem pular etapas.

Ele decidiu caminhar. A cidade, sob a luz branda da manhã, parecia ter um encanto diferente. As ruas que antes eram apenas caminhos para chegar a algum lugar, agora se transformavam em cenários, em palcos para seus pensamentos. Cada esquina, cada vitrine, cada rosto que passava, parecia carregar um potencial de encontro, de descoberta. Ele se sentia mais vivo, mais atento, como se seus sentidos tivessem sido aguçados pela intensidade da noite anterior.

Ao passar por uma pequena livraria, um aroma de papel antigo e histórias adormecidas o atraiu para dentro. O lugar era um labirinto de prateleiras repletas de livros, cada um contando uma história silenciosa. Ele vagou pelos corredores, os dedos deslizando pelas lombadas, absorvendo a atmosfera acolhedora. Foi então que seus olhos pousaram em uma seção dedicada à música. Havia partituras antigas, biografias de compositores, livros sobre teoria musical. Ele parou, o coração batendo um pouco mais rápido.

Pegou um volume grosso, com a capa desgastada e um título em relevo que dizia: “A Alma dos Instrumentos”. Abriu em uma página aleatória e leu sobre a ressonância do violoncelo, sobre como suas cordas vibravam em harmonia com a alma do músico, transmitindo dor, alegria, melancolia. Sentiu um arrepio. Era exatamente o que ele e Lucas sentiam, não é? A música que os unia não era apenas um som, mas uma ressonância de almas.

Ele comprou o livro e saiu da livraria, sentindo-se como se tivesse descoberto um tesouro. Voltou para o hotel, o peso do livro em suas mãos tão reconfortante quanto a lembrança dos braços de Lucas ao seu redor. Sentou-se à escrivaninha, o café agora frio, e abriu o livro novamente. Começou a ler, fascinado pelas descrições, pelas analogias. Cada palavra parecia um eco daquela noite, uma confirmação de que o que estava acontecendo entre ele e Lucas era algo profundo, algo que ia além da atração física.

De repente, o celular vibrou em seu bolso. Era uma mensagem de Lucas. Um sorriso radiante se espalhou por seu rosto.

“Bom dia, Rafa. Dormiu bem? Saudade já.”

Rafael suspirou, o coração leve como uma pluma. A saudade era mútua. Ele digitou rapidamente, as palavras fluindo com uma facilidade que o surpreendeu.

“Bom dia, Lu. Dormi como nunca. E a saudade é um sentimento que, pelo visto, aprendemos a cultivar juntos. Que bom que a melodia continua.”

Ele enviou a mensagem e esperou, o coração acelerado, a expectativa borbulhando em seu peito. Aquele era apenas o começo. A melodia que os unia estava se tornando mais forte, mais complexa, e ele estava ansioso para descobrir cada nota, cada acorde, cada silêncio que ela continha. O despertar da saudade era, afinal, um prenúncio de novas e intensas emoções.

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