No Silêncio do Amanhã

Capítulo 13 — O Preço da Liberdade e a Sedução do Perigo

por Enzo Cavalcante

Capítulo 13 — O Preço da Liberdade e a Sedução do Perigo

A conversa com Gabriel, embora dolorosa, serviu como um catalisador para Miguel. A ameaça de Helena, antes um fantasma que o assombrava em silêncio, agora se tornava um inimigo tangível, um obstáculo a ser superado. Ele não podia mais fugir, não podia mais fingir que ela não existia. Era hora de confrontar a sua própria história, de uma vez por todas.

Nos dias seguintes, Miguel passou horas ao telefone, não apenas com advogados, mas com pessoas que ele conhecia e que poderiam ajudá-lo a lidar com a situação de Helena de forma mais definitiva. Ele sentia um misto de ansiedade e determinação. Sabia que Helena não se renderia facilmente, e que ela poderia tentar métodos cada vez mais drásticos para manipulá-lo.

Gabriel observava Miguel com uma mistura de admiração e preocupação. Ele via a tensão no rosto de Miguel, as noites mal dormidas, a forma como ele se tornava mais reservado quando o assunto era Helena. Embora Miguel tentasse protegê-lo, Gabriel sentia o peso que ele carregava.

“Você tem certeza que quer fazer isso, Miguel?” Gabriel perguntou certa noite, enquanto preparava um chá. “Você não precisa se expor assim por minha causa.”

Miguel se virou para encará-lo, um leve sorriso cansado em seus lábios. “Gabi, não é por sua causa. É por nós. E é por mim. Eu não posso mais viver com esse fantasma me assombrando. Helena é um capítulo que precisa ser encerrado, de uma vez por todas.” Ele se aproximou de Gabriel, tocando suavemente em seu rosto. “E eu não vou deixar que ela estrague o que estamos construindo. Nem que machuque você.”

Gabriel inclinou-se para o toque, sentindo o calor da mão de Miguel em sua pele. Aquele gesto era um reforço da confiança que ele depositava em Miguel, um lembrete de que não estavam sozinhos nessa luta. “Eu sei. E eu estou aqui com você.”

Apesar da promessa, a sedução do perigo parecia atrair Helena. Ela intensificou suas táticas, não mais apenas por telefone. Certo dia, enquanto Miguel estava em uma reunião importante, Helena apareceu em seu escritório. A recepcionista, surpresa e sem saber como agir, acabou permitindo que ela entrasse.

Helena, com seu habitual ar de superioridade e um sorriso provocador, entrou no escritório de Miguel sem bater. Ela estava impecavelmente vestida, exalando um perfume caro e venenoso.

“Miguel, querido,” ela disse, a voz suave como seda, mas com um fio de aço. “Eu não conseguia mais ficar longe. Precisava ver você. E talvez… resolver algumas pendências.”

Miguel se levantou abruptamente, o sangue fervilhando em suas veias. “Helena, o que você está fazendo aqui? Eu disse que não queria mais contato.”

“Ah, mas você sabe que isso é impossível, não é?” Ela se aproximou dele, passando a mão levemente por seu braço. “Nós temos uma história. E você sabe que é difícil apagar anos de… intimidade.”

“Nossa intimidade acabou há muito tempo, Helena,” Miguel disse, afastando-se dela com firmeza. “E o que você está fazendo aqui é invasão. Saia do meu escritório.”

Helena riu, um som agudo e desagradável. “Invasão? Eu diria que estou reclamando o que é meu. E você, meu bem, sempre foi meu.” Seus olhos escuros pousaram em uma foto de Miguel e Gabriel que estava na mesa. Um sorriso cruel se formou em seus lábios. “Ah, entendi. O novo passatempo. Tão… previsível.”

A menção de Gabriel fez Miguel cerrar os punhos. “Não ouse falar dele, Helena.”

“Por quê? Ele é o motivo pelo qual você está tão… diferente? Tão relutante em voltar para mim?” Helena se aproximou da mesa, pegando a foto. “Ele parece tão… frágil. Aposto que ele precisa de alguém para cuidar dele. Alguém como você, não é? O grande protetor.”

“Helena, se você não sair agora, eu chamo a polícia,” Miguel ameaçou, a voz controlada, mas carregada de raiva.

“Oh, você não faria isso, Miguel. Não estragaria tudo por causa desse… garoto.” Helena colocou a foto de volta no lugar, com um cuidado exagerado. “Você tem mais a perder do que pensa. E eu… eu tenho todas as cartas na mão.”

Ela se virou para sair, mas antes de fechar a porta, lançou um último olhar para Miguel. “Pense bem, Miguel. O preço da sua liberdade pode ser mais alto do que você imagina. E ele… ele pode ser o primeiro a pagar.”

A porta se fechou, deixando Miguel em um silêncio assustador. A ameaça de Helena não era apenas verbal, era palpável. Ela estava disposta a usar Gabriel para atingi-lo. A liberdade que ele tanto almejava parecia agora mais distante do que nunca, e o preço… o preço parecia ser a segurança de Gabriel.

Quando Miguel chegou em casa naquela noite, encontrou Gabriel preparando o jantar, uma serenidade que contrastava com a tempestade dentro de Miguel. Ele tentou parecer normal, mas Gabriel percebeu a tensão em seu olhar.

“Miguel? Aconteceu alguma coisa?” Gabriel perguntou, a preocupação tomando conta de sua voz.

Miguel hesitou. Ele não queria assustar Gabriel, mas também não podia mais esconder a verdade. “Helena veio ao meu escritório hoje.”

Gabriel parou de mexer na panela, virando-se para Miguel. A apreensão voltou aos seus olhos. “E o que ela queria?”

“Ela… ela estava tentando me manipular. E ela… ela ameaçou você, Gabi,” Miguel disse, a voz embargada pela raiva e pela impotência. Ele contou a Gabriel sobre a visita de Helena, sobre as palavras dela, sobre a ameaça velada.

Gabriel ouviu atentamente, o rosto pálido. A fragilidade que ele tanto lutava para superar parecia se manifestar novamente. A ideia de ser usado como arma contra Miguel o assustava profundamente. “Ela disse que eu poderia ser o primeiro a pagar?”

“Ela disse algo assim,” Miguel confirmou, sentindo o peso da culpa. “Eu sinto muito, Gabi. Eu deveria ter lidado com ela antes. Deveria ter te protegido melhor.”

Gabriel se aproximou de Miguel, tocando em seu braço. “Não, Miguel. Você não teve culpa. Ela é que é assim. E você está fazendo o seu melhor para resolver isso.” Ele respirou fundo. “Eu… eu estou com medo.”

Miguel o abraçou com força, sentindo o corpo trêmulo de Gabriel contra o seu. “Eu sei. Eu também estou. Mas vamos enfrentar isso juntos. Eu não vou deixar que ela te machuque. Eu prometo.”

Naquela noite, o sono foi difícil para ambos. A ameaça de Helena pairava sobre eles como uma nuvem escura. Mas, em meio ao medo, havia também uma força crescente. A determinação de Miguel em proteger Gabriel, e a coragem de Gabriel em enfrentar seus medos ao lado de Miguel, criaram uma ligação ainda mais forte. O preço da liberdade era alto, mas a perspectiva de um futuro juntos, livre das sombras do passado, era um farol que os guiava através da escuridão. A sedução do perigo era real, mas o amor que florescia entre eles era um escudo mais poderoso.

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