No Silêncio do Amanhã

Capítulo 14 — A Fúria dos Ventos e o Porto Seguro

por Enzo Cavalcante

Capítulo 14 — A Fúria dos Ventos e o Porto Seguro

A ameaça de Helena pairava sobre Miguel e Gabriel como uma nuvem de tempestade prestes a desabar. A visita dela ao escritório de Miguel e as palavras carregadas de veneno haviam acendido um alerta vermelho. Miguel, antes hesitante em confrontar Helena diretamente, agora sentia uma urgência crescente. A segurança de Gabriel era a sua prioridade máxima, e ele não permitiria que Helena a colocasse em risco.

Na manhã seguinte, Miguel tomou uma decisão drástica. Ele não ia mais tentar evitar Helena. Ia confrontá-la de frente, com a ajuda de seus advogados, para que ela entendesse que seus jogos cruéis haviam chegado ao fim. Ele fez um telefonema longo e tenso, expondo todos os detalhes da perseguição de Helena, suas ameaças e invasões. Era um passo arriscado, mas necessário.

Gabriel, enquanto isso, sentia-se em um turbilhão de emoções. O medo ainda estava presente, mas ele se esforçava para não deixar que ele o dominasse. Ele sabia que a reação de Miguel era a melhor resposta possível, e que ele estava agindo para protegê-lo. Ele se dedicou a tarefas cotidianas, tentando manter a normalidade, mas o coração disparava a cada toque inesperado do telefone.

Ao entardecer, Miguel chegou em casa, o semblante carregado. Gabriel o esperava na sala, o olhar interrogativo.

“E então?” Gabriel perguntou, a voz baixa.

Miguel suspirou, sentando-se no sofá e puxando Gabriel para perto de si. “Eu tomei as providências, Gabi. Meus advogados entraram em contato com ela. Um pedido formal para que ela cesse todo e qualquer contato comigo e com pessoas próximas a mim. Se ela não o fizer, medidas legais mais severas serão tomadas.”

“E ela… ela reagiu?” Gabriel perguntou, sentindo um aperto no peito.

“Ainda não tenho certeza. Mas ela sabe que eu estou falando sério agora. Não estou mais brincando.” Miguel olhou para Gabriel, o olhar intenso. “Eu não quero que você se preocupe. Eu vou cuidar disso. E eu não vou deixar que nada aconteça com você.”

Gabriel se aconchegou em Miguel, sentindo o calor e a força de seu abraço. Naquele momento, ele sabia que estava no lugar certo, com a pessoa certa. “Eu sei que você vai, Miguel.”

No entanto, o destino, com sua crueldade característica, não deixaria que a resolução fosse tão fácil. Naquela mesma noite, enquanto Miguel e Gabriel jantavam tranquilamente em casa, o telefone tocou. Era um número desconhecido. Miguel atendeu, a precaução em sua voz.

“Alô?”

“Miguel?” Uma voz masculina, fria e calculista, respondeu. “Seus advogados são muito eficientes. Mas não o suficiente. Sua ex-namorada me contratou para te dar um recado.”

O estômago de Miguel revirou. Helena havia ido longe demais. “Quem é você? E o que você quer?”

“O que eu quero é que você desista dessa bobagem de processo. Diga aos seus advogados para pararem. E volte para a Helena. Se não, você vai se arrepender amargamente.”

“Eu não vou desistir,” Miguel disse, a voz firme, apesar do medo que se instalava em seu peito. “E Helena não vai me ameaçar. Nem a ele.”

“Ah, o garoto bonito,” o homem riu, um som desagradável. “Ele é um ponto fraco, Miguel. E pontos fracos são os primeiros a serem quebrados.”

A ligação caiu. Miguel ficou ali, o telefone na mão, o silêncio do apartamento agora ensurdecedor. A ameaça era real, e vinha de alguém contratado por Helena. O perigo não era mais apenas psicológico.

Gabriel, vendo o estado de Miguel, levantou-se e foi até ele. “Miguel? O que foi? Quem era?”

Miguel se virou para Gabriel, o rosto pálido. “Era alguém contratado pela Helena. Para me ameaçar. E para te ameaçar também.”

O medo se materializou nos olhos de Gabriel. Ele sentiu o chão sumir sob seus pés. A fúria dos ventos que Miguel tanto temia havia chegado, e ele estava no meio dela.

“Eles sabem sobre mim,” Gabriel sussurrou, a voz embargada.

“Eu sei,” Miguel disse, o tom de voz desesperado. “Eu sinto muito, Gabi. Eu sou um idiota. Eu deveria ter antecipado isso.”

“Não, Miguel. Você não é. Você está lutando. E eu estou com você,” Gabriel disse, a voz ganhando uma nova força, um anseio por não ser um fardo.

Naquele momento, um barulho alto vindo do lado de fora chamou a atenção deles. Um estrondo metálico, seguido por gritos. Miguel e Gabriel correram para a janela. Um carro havia colidido violentamente contra a entrada do prédio. A fumaça começou a subir. Era uma distração, um show de horrores orquestrado por Helena.

“Isso é para nos assustar,” Miguel disse, a voz tensa. “Uma forma de nos pressionar.”

“Mas eles sabem onde moramos,” Gabriel disse, o pânico começando a tomar conta. “Eles sabem onde nos encontrar.”

Miguel sentiu o pânico de Gabriel, e isso o impulsionou a agir. Ele não podia deixar que Helena os encurralasse. Ele precisava tirá-los dali.

“Gabi, nós precisamos ir. Agora,” Miguel disse, a voz firme. “Pegue uma mala pequena. O essencial. Eu vou pegar o carro.”

Enquanto Gabriel corria para o quarto, Miguel pegou as chaves do carro e uma pequena mochila com documentos importantes. Ele sabia que não podia lutar contra a violência com violência, mas podia se proteger. Ele podia criar uma distância segura.

Eles saíram do apartamento às pressas, o barulho da sirene se aproximando ao longe. O carro de Miguel estava estacionado na rua. Miguel sentiu o olhar de Gabriel em seu rosto, a confiança em meio ao caos.

“Para onde vamos?” Gabriel perguntou, a voz trêmula.

“Para um lugar seguro,” Miguel respondeu, ligando o motor. “Um lugar onde Helena não nos encontrará. Pelo menos, por enquanto.”

Ele dirigiu por estradas secundárias, evitando as vias principais. A sensação de perseguição era palpável. Cada carro que se aproximava, cada luz que piscava no retrovisor, o deixava em alerta máximo. Gabriel, ao seu lado, segurava sua mão com força, um porto seguro em meio à tempestade.

Miguel decidiu que o melhor seria ir para a casa de um amigo de confiança no interior, um lugar isolado onde poderiam se abrigar até que a situação com Helena se resolvesse. Era uma viagem longa, mas necessária. A fúria dos ventos os empurrava para longe de sua vida, mas também os unia em uma busca desesperada por segurança.

Enquanto dirigiam pela noite adentro, Miguel sentiu um alívio misturado à apreensão. Ele havia tirado Gabriel do perigo imediato, mas sabia que a luta estava longe de terminar. A cada quilômetro percorrido, ele sentia a necessidade de proteger Gabriel se fortalecer. E Gabriel, ao seu lado, não era mais o homem frágil que havia conhecido. Ele era resiliente, corajoso, e estava ali, lutando ao lado de Miguel. O porto seguro que eles buscavam não era apenas um lugar físico, mas sim a conexão que haviam construído, a confiança mútua que os fortalecia. E essa era uma força que nem Helena, nem seus capangas, poderiam destruir.

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