Um Beijo em Copacabana

Claro, mergulhe comigo nesse mar de emoções cariocas.

por Davi Correia

Claro, mergulhe comigo nesse mar de emoções cariocas.

Um Beijo em Copacabana Romance BL Autor: Davi Correia

Capítulo 1 — O Encontro Sob o Sol de Janeiro

O sol de janeiro beijava a pele do Rio de Janeiro com a intensidade de um amante recém-encontrado. Em Copacabana, a areia parecia um tapete dourado estendido sob o céu de um azul quase irreal, pontuado por nuvens preguiçosas que mais pareciam algodão doce. A brisa marítima, salgada e morna, trazia consigo o aroma inebriante de maresia misturado ao perfume adocicado dos quiosques de mate e biscoito Globo. O som das ondas quebrando na orla era uma melodia constante, um convite à calma e à contemplação.

Era ali, naquele cenário de cartão postal, que Lucas encontrava seu refúgio. Um jovem de vinte e dois anos, com cabelos escuros e rebeldes que teimavam em cair sobre seus olhos castanhos, intensos e cheios de uma melancolia que poucos percebiam. Lucas era um artista, um aspirante a fotógrafo com um olhar aguçado para a beleza efêmera do mundo, mas um coração que parecia ter esquecido como amar. Sua câmera, uma fiel companheira, era a extensão de sua alma, capturando momentos fugazes que ele temia que, de outra forma, se perdessem para sempre. Hoje, porém, a inspiração parecia ter tirado férias. Ele caminhava pela orla, os pés afundando na areia fofa, sentindo o calor subir pelas pernas, mas a alma ainda fria.

Ele se sentou na areia, perto do calçadão, observando a multidão que desfilava em um turbilhão de cores e sons. Famílias fazendo castelos de areia, turistas tirando fotos com o Pão de Açúcar ao fundo, surfistas deslizando pelas ondas com a graça de golfinhos. Era um espetáculo de vida, vibrante e pulsante, mas Lucas se sentia um espectador distante, separado por um vidro invisível de toda aquela alegria. Ele suspirou, o som abafado pelo barulho da praia.

"Linda vista, né?", uma voz rouca e melodiosa quebrou o silêncio que o envolvia.

Lucas levantou os olhos, surpreso. Ao seu lado, um rapaz esguio, com a pele bronzeada pelo sol e cabelos claros que dançavam ao vento, sorria para ele. O rapaz tinha olhos verdes penetrantes, que pareciam guardar segredos antigos, e um sorriso que iluminava seu rosto como um raio de sol. Ele vestia uma camiseta branca simples, que realçava seus braços fortes e torneados, e bermuda jeans. Havia algo nele que prendia a atenção, uma aura de confiança e leveza que contrastava com a introspecção de Lucas.

"É... sim. Linda", Lucas respondeu, um pouco hesitante. A beleza do rapaz era inegável, e ele sentiu uma súbita e inesperada aceleração em seu peito. Era uma sensação que ele conhecia bem, mas que evitava a todo custo.

"Meu nome é Rafael", o rapaz estendeu a mão, um gesto aberto e amigável.

Lucas hesitou por um segundo, antes de apertar a mão de Rafael. A pele dele era quente e macia. "Lucas."

"Prazer, Lucas. Você parece pensativo. Algo te incomoda nesse dia perfeito?", Rafael perguntou, seus olhos verdes perscrutando o rosto de Lucas com uma curiosidade genuína.

Lucas deu de ombros, sentindo-se um pouco exposto. "Nada demais. Só... contemplando a vida. E a beleza do lugar."

Rafael riu, um som agradável que se misturou ao murmurinho da praia. "Ah, essa beleza não cansa nunca. Eu moro aqui perto, mas todo dia é como se fosse a primeira vez que eu visse Copacabana. Tem algo mágico nesse lugar."

"Magia que eu pareço não conseguir capturar com minha câmera hoje", Lucas admitiu, pegando a câmera que estava ao seu lado.

Rafael olhou para a câmera com interesse. "Fotógrafo? Que legal! O que você gosta de fotografar?"

"Pessoas. Momentos. A alma das coisas", Lucas respondeu, e então se arrependeu. Soava pretensioso demais.

Mas Rafael não se ofendeu. Pelo contrário, seus olhos brilharam. "Eu adoraria ver seu trabalho um dia. Tenho certeza que você vê o mundo de um jeito especial."

Lucas sentiu um calor subir pelo pescoço. Era raro alguém elogiar seu trabalho com tanta convicção. "Talvez...", ele murmurou.

Os dois ficaram em silêncio por um momento, apenas observando o movimento da praia. O sol começava a descer no horizonte, pintando o céu com tons vibrantes de laranja, rosa e dourado. Era um espetáculo para ser guardado na memória, e Lucas sentiu uma pontada de arrependimento por não ter sua câmera em mãos.

"Você parece um pouco perdido em seus pensamentos", Rafael disse novamente, quebrando o silêncio. "Seus olhos contam histórias que você não quer me contar ainda."

Lucas sorriu levemente. Rafael parecia ter uma capacidade impressionante de ler as pessoas. "Histórias complicadas, talvez."

"Quem não tem?", Rafael respondeu, um toque de melancolia em sua voz que fez Lucas se perguntar sobre seu passado. "Mas às vezes, contar essas histórias, mesmo para um estranho, pode aliviar o peso."

Lucas olhou para Rafael, para a sinceridade em seus olhos verdes. Ele sentiu uma urgência, uma vontade de se abrir. Aquele rapaz, com sua aura luminosa e sua doçura inesperada, parecia o tipo de pessoa que poderia entender.

"Eu... perdi alguém", Lucas começou, a voz embargada. "Há um tempo. E desde então, o mundo perdeu um pouco da sua cor."

Rafael ouvia atentamente, sem interromper. Quando Lucas terminou de falar, ele colocou uma mão gentil no ombro de Lucas. O toque era leve, mas transmitia um conforto profundo.

"Eu sinto muito", Rafael disse, sua voz suave como uma carícia. "A perda é uma sombra difícil de dissipar. Mas a vida é feita de ciclos, Lucas. A noite sempre dá lugar ao dia, e mesmo depois da tempestade mais forte, o sol volta a brilhar."

As palavras de Rafael tocaram Lucas profundamente. Era como se ele tivesse tocado em uma ferida antiga, mas com um bálsamo suave. Ele olhou para Rafael, para a compaixão em seus olhos.

"Você fala como um poeta", Lucas disse, um sorriso sincero se formando em seus lábios.

Rafael deu de ombros, um leve rubor surgindo em suas bochechas. "Eu só tento ver o lado bom das coisas. E acreditar na força da vida."

Eles continuaram conversando por mais um tempo, sobre arte, sobre o Rio, sobre os pequenos prazeres da vida. Lucas se sentiu mais leve a cada palavra trocada. A presença de Rafael era contagiante, sua energia renovava a alma de Lucas.

Quando o sol finalmente se pôs, mergulhando Copacabana em um crepúsculo rosado, Rafael se levantou.

"O tempo voa quando a gente se diverte", ele disse. "Eu preciso ir. Mas eu adoraria continuar essa conversa em outra oportunidade."

Lucas sentiu uma pontada de decepção. Ele não queria que aquele momento acabasse. "Eu também", ele disse, sentindo um rubor subir em seu rosto.

Rafael sorriu, um sorriso que fez o coração de Lucas disparar novamente. "Que tal amanhã? Aqui mesmo, no mesmo horário? A gente pode tomar um mate, ver o pôr do sol de novo."

"Eu adoraria", Lucas respondeu sem hesitar.

Rafael anotou o número de Lucas em um pedaço de papel que tirou do bolso. "Até amanhã, Lucas."

"Até amanhã, Rafael."

Lucas observou Rafael se afastar, sua silhueta desaparecendo gradualmente na multidão. Ele ficou sentado na areia por mais um tempo, sentindo o calor do corpo de Rafael ainda em seu ombro, o eco de sua voz em seus ouvidos. Pela primeira vez em muito tempo, ele sentiu uma faísca de esperança acender em seu peito. Talvez, apenas talvez, o Rio de Janeiro e Rafael pudessem ser a cura que sua alma tanto precisava. O sol de janeiro, que antes parecia apenas quente, agora parecia carregar a promessa de um novo começo.

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