Um Beijo em Copacabana

Capítulo 7 — As Cores da Alma na Lona Clara

por Davi Correia

Capítulo 7 — As Cores da Alma na Lona Clara

O aroma salgado do mar misturava-se à fragrância adocicada das flores tropicais que adornavam a varanda do ateliê de Miguel. O sol, agora sem pudor, banhava o espaço com sua luz generosa, realçando as cores vibrantes das telas espalhadas pelas paredes. Lucas sentia-se como um explorador em um território desconhecido, mas incrivelmente acolhedor. O beijo em Copacabana havia sido um divisor de águas, um convite silencioso para desvendar um novo capítulo, onde as incertezas davam lugar a uma esperança palpável.

Miguel o convidara para passar a tarde em seu ateliê, um santuário de criatividade onde ele parecia mais à vontade, mais ele mesmo. A ideia inicial era apenas "dar uma olhada", mas a atmosfera do lugar, a energia criativa que emanava de cada pincelada, de cada esboço, cativou Lucas de imediato.

"É aqui que a mágica acontece", Miguel disse, com um brilho nos olhos, enquanto gesticulava para as telas. "Ou, pelo menos, onde eu tento fazê-la acontecer."

Lucas caminhou lentamente entre as obras, cada uma contando uma história diferente. Havia retratos que capturavam a alma de seus retratados com uma intensidade assustadora, paisagens que pareciam vibrar com a vida pulsante do Rio de Janeiro, e algumas telas mais abstratas, onde as cores se fundiam em explosões de emoção pura.

"Você tem um talento incrível, Miguel", Lucas disse, parando diante de um quadro que representava o Cristo Redentor envolto em um manto de cores psicodélicas. "É como se você pudesse enxergar a alma das coisas."

Miguel deu de ombros, um sorriso modesto no rosto. "Eu apenas tento traduzir o que sinto, o que vejo. As cores são a minha linguagem, Lucas. E a tela é o meu caderno de anotações da vida."

Ele pegou um pincel fino e, com movimentos precisos, começou a adicionar detalhes a uma tela ainda inacabada, um retrato de uma jovem com os olhos cheios de melancolia. Lucas observava cada movimento, fascinado pela destreza de Miguel, pela forma como ele parecia conversar com a tela, guiando as cores para onde queriam ir.

"Você disse que tem medo", Miguel comentou, sem desviar os olhos da pintura. A pergunta não era invasiva, mas carregada de uma curiosidade genuína.

Lucas sentiu a familiar pontada de apreensão, mas o olhar de Miguel, a atmosfera segura do ateliê, o encorajaram a continuar. "Sim. Medo de me machucar de novo. Medo de não ser suficiente. Medo de... de não ser amado."

Miguel parou de pintar e se virou para Lucas, o olhar suave e compreensivo. "Lucas, o amor não é uma competição. E você já é suficiente. O que você é, a forma como você sente, a sua sensibilidade... tudo isso é o que te torna especial."

Ele colocou o pincel de lado e se aproximou de Lucas, parando a uma distância respeitosa. "Eu sei que o passado deixou marcas. Mas não deixe que ele defina o seu futuro. O amor é uma aposta, sim. Mas é uma aposta que vale a pena fazer."

Ele estendeu a mão e pegou um pequeno esboço em um canto do ateliê. Era um desenho a carvão de Lucas, feito em algum momento que Lucas não se lembrava, talvez em uma das tardes em que se cruzaram na praia. Era um desenho simples, mas que capturava a essência de seu olhar, a melancolia em seus traços, mas também a força que residia em sua alma.

"Eu fiz isso no dia em que nos conhecemos melhor, sabe? Naquela tarde em que conversamos sobre música e você me contou sobre seus sonhos de ser músico. Eu vi algo em você, Lucas. Algo bonito e único."

Lucas pegou o desenho, seus dedos traçando as linhas delicadas. Sentiu um arrepio percorrer seu corpo. Era uma imagem dele que ele próprio não via, uma imagem que Miguel capturou com a sensibilidade de um artista.

"Eu não sabia que você desenhava pessoas", Lucas disse, a voz baixa.

"Eu desenho o que me toca", Miguel respondeu, seus olhos fixos nos de Lucas. "E você, Lucas, me toca de uma forma que eu ainda estou tentando entender."

O silêncio que se seguiu foi preenchido por uma corrente elétrica, uma tensão doce e palpável. A luz do sol entrava pelas janelas, pintando o chão de ouro. Lucas sentiu seu coração acelerar. Ele estava ali, no ateliê de Miguel, cercado por suas obras, em um momento de intimidade que transcendia as palavras.

"Miguel...", Lucas começou, sem saber exatamente o que dizer. A urgência de se expressar, de corresponder à vulnerabilidade de Miguel, era avassaladora.

Miguel deu um passo à frente, diminuindo a distância entre eles. "Não precisa dizer nada, Lucas", ele sussurrou, a voz rouca. "Eu vejo em seus olhos o que você sente."

Ele ergueu a mão e, com a mesma delicadeza de sempre, acariciou o rosto de Lucas. Seus dedos exploraram os contornos do rosto de Lucas, como se estivessem traçando o desenho que ele próprio fizera. Lucas fechou os olhos, rendendo-se ao toque, à suavidade, à promessa contida naquele gesto.

"Eu também sinto algo por você, Miguel", Lucas confessou, a voz embargada de emoção. "Algo que eu não esperava. Algo que me assusta, mas que também me atrai de uma forma avassaladora."

Miguel inclinou-se, e seus lábios encontraram os de Lucas em um beijo mais intenso do que o da praia. Era um beijo que falava de descoberta, de entrega, de uma conexão que ia além da atração física. Era um beijo de almas que se reconheciam, que se acolhiam na vulnerabilidade, que encontravam no outro um refúgio para as suas próprias tempestades internas.

Lucas sentiu o corpo de Miguel se aproximar, os braços dele o envolvendo em um abraço forte e reconfortante. Ele se permitiu sentir, se permitiu entregar, sem medos, sem barreiras. Pela primeira vez em muito tempo, Lucas sentiu que estava dançando em uma melodia nova, onde as notas de incerteza eram gradualmente substituídas pelas harmonias da confiança e do desejo.

Enquanto os beijos se aprofundavam, Lucas sentiu as cores do ateliê ganharem vida. As telas pareciam vibrar, as paisagens a sorrir, os retratos a testemunhar o nascimento de um novo amor. E no coração de Lucas, uma tela em branco começava a ser preenchida com as cores vibrantes da esperança, pintada pelas mãos de um artista que soube enxergar a beleza em sua alma.

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