O Chamado da Cobra Dourada

Capítulo 18 — O Grito do Gelo na Montanha das Lanças Gélidas

por Rafael Rodrigues

Capítulo 18 — O Grito do Gelo na Montanha das Lanças Gélidas

O ar tornava-se cada vez mais rarefeito e gélido à medida que Arion e Lyra ascendiam a Montanha das Lanças Gélidas. O nome não era mero enfeite; picos pontiagudos de rocha e gelo rasgavam o céu cinzento, parecendo lanças afiadas prontas para perfurar a alma. Ventos uivantes cortavam suas peles, e a neve, antes um manto branco e suave, agora parecia um exército de agulhas congeladas, chicoteando seus rostos e se infiltrando em suas armaduras.

Arion, com o Fragmento da Luz seguro em uma bolsa especial em seu peito, sentia o calor reconfortante da joia contra a pele, uma pequena chama contra o frio implacável. Lyra, com seu manto de couro escuro reforçado e um capuz que cobria quase todo o rosto, mantinha um passo firme, sua determinação inabalável.

"Se a beleza do Mar de Cristal era deslumbrante, esta montanha é um espetáculo de brutalidade", Lyra comentou, sua voz abafada pelo vento. Ela tossiu, o ar gelado queimando seus pulmões. "Tenho a impressão de que esta paisagem reflete a própria natureza do Rei Valerius: fria, implacável e mortal."

"Ele busca dominar tudo o que é puro e vibrante", Arion respondeu, sua respiração formando nuvens de vapor no ar. "E essas montanhas, com sua beleza selvagem e perigosa, são um reflexo de sua própria ambição desmedida. A Cobra Dourada disse que o Fragmento está no topo, onde o vento canta canções de congelamento. Devemos estar perto."

Eles continuaram a escalada, cada passo uma batalha contra a gravidade e o frio. A paisagem era desoladora e majestosa, com desfiladeiros profundos que pareciam abismos sem fundo e formações de gelo que cintilavam fracamente sob a luz difusa. A cada elevação, o perigo aumentava. Rachaduras traiçoeiras se abriam no gelo, e avalanches repentinas ameaçavam engoli-los.

Em um ponto, enquanto cruzavam uma ponte de gelo precária sobre um abismo profundo, um rugido gutural ecoou pelo ar. Do meio da nevasca, emergiram criaturas de gelo e rocha, com olhos vermelhos e garras afiadas. Eram os Grolks das Montanhas, feras ancestrais que protegiam as alturas.

"Parecem ter nos sentido", Lyra sibilou, desembainhando sua adaga. A energia do Fragmento da Luz pulsou em Arion, e ele sentiu uma força renovada.

"Eles não passarão!", Arion declarou, sacando sua espada, a lâmina brilhando com um reflexo tênue do poder que emanava do Fragmento.

A batalha foi feroz. Os Grolks eram fortes e rápidos, seus ataques devastadores. Lyra se movia com agilidade letal, sua adaga encontrando os pontos fracos das criaturas, enquanto Arion, com a força amplificada pelo Fragmento, bloqueava e contra-atacava com golpes poderosos. O choque do aço contra a rocha e o gelo ecoava pelas montanhas, uma sinfonia brutal.

Um dos Grolks investiu contra Arion, suas garras raspando em sua armadura. Arion, concentrando a energia do Fragmento, desferiu um golpe ascendente que partiu a criatura ao meio. O corpo de gelo e rocha desmoronou em um monte de escombros congelados.

Lyra, por sua vez, usou sua astúcia. Quando um Grolk se aproximou, ela o atraiu para a beira de um penhasco, e com um movimento rápido, o empurrou para o abismo. O som do corpo da criatura caindo ecoou por um longo momento antes de se perder na vastidão.

Após uma luta exaustiva, os Grolks foram derrotados. Arion e Lyra, ofegantes e feridos, mas vitoriosos, olharam um para o outro.

"Parece que o Fragmento da Luz tem um efeito protetor", Arion disse, sentindo a energia do Fragmento se estabilizar.

"Ou simplesmente nos dá a coragem necessária para enfrentar o que quer que apareça", Lyra respondeu, limpando o sangue de sua adaga. "Vamos, o topo nos espera."

Continuaram a escalada, a paisagem tornando-se cada vez mais desoladora e, ao mesmo tempo, mais bela. Chegaram a um planalto varrido pelo vento, onde o gelo era tão espesso que parecia vidro. No centro do planalto, erguia-se um obelisco de gelo puro, translúcido e imponente, com runas antigas gravadas em sua superfície.

No topo do obelisco, preso por uma formação de gelo cristalino, estava o segundo Fragmento da Luz. Era um cristal hexagonal, que irradiava uma luz branca e penetrante, tão intensa que parecia conter a essência do sol do meio-dia.

Ao se aproximarem, o vento intensificou-se, transformando-se em um vendaval ensurdecedor. O ar parecia vibrar com uma energia fria e antiga. A Cobra Dourada havia dito que o vento cantava canções de congelamento. E agora, Arion e Lyra podiam sentir a verdade dessas palavras.

Uma figura etérea começou a se formar a partir do gelo e do vento. Era um espírito da montanha, um guardião elemental feito de puro frio e força. Seus olhos eram como lascas de gelo, e sua voz era o próprio uivo do vento.

"Quem ousa perturbar o sono do inverno?", a voz do espírito ressoou, fria e cortante como o gelo. "Vocês buscam o que não lhes pertence. O calor de sua ambição não tem lugar aqui."

Arion deu um passo à frente, a mão sobre o Fragmento da Luz. "Não buscamos possuir, mas resgatar. O Rei Valerius ameaça mergulhar o mundo em trevas. Precisamos deste Fragmento para combatê-lo."

O espírito da montanha riu, um som que parecia rachar o gelo. "O Rei Valerius é apenas um reflexo da escuridão que reside em todos. Vocês, mortais, são fracos. Seus corações são frios como a montanha, mas sua esperança é uma chama frágil que logo se apagará."

"Nossa esperança é o que nos impulsiona", Arion retrucou, sua voz firme apesar do frio que o envolvia. "E a força que o Fragmento da Luz nos confere não é de ambição, mas de proteção."

O espírito da montanha preparou-se para atacar, o ar ao redor dele se tornando ainda mais frio. Mas antes que pudesse avançar, Lyra interveio.

"Seu poder reside no frio, guardião", disse Lyra, sua voz surpreendentemente calma. "Mas a vida encontra um caminho, mesmo nas condições mais extremas. O sol, que vocês tanto temem, é a fonte de toda a vida. E nós carregamos um pedaço desse sol."

Ela apontou para o Fragmento da Luz. O espírito hesitou, seus olhos de gelo fixos no brilho quente que emanava do cristal.

Arion aproveitou a oportunidade. Concentrando toda a sua vontade, ele projetou a energia do Fragmento da Luz em direção ao espírito. Não era um ataque, mas uma oferenda de calor, um lembrete da vida que existia além do frio eterno.

O espírito da montanha recuou, o brilho do Fragmento parecendo ferir seus olhos de gelo. "Vocês... vocês carregam o fogo que o inverno não pode apagar. Mas o caminho à frente será mais perigoso. O deserto de areia e sol guardará um segredo sombrio."

Com um último uivo de vento, o espírito se dissolveu, voltando a ser parte da paisagem gelada. O vento diminuiu, e o silêncio voltou a reinar no planalto.

Arion, sentindo a energia se estabilizar, caminhou até o obelisco de gelo. Com cuidado, ele removeu o Fragmento da Luz da formação de gelo. Ao tocá-lo, uma onda de calor revigorante percorreu seu corpo, dissipando o frio que se havia infiltrado em seus ossos.

"Temos o segundo Fragmento", disse Arion, sentindo o peso e o poder da joia em suas mãos.

Lyra assentiu, olhando para o horizonte. "As Terras Fulgurantes. O deserto. Um lugar de calor extremo e segredos sombrios, como o espírito avisou. Espero que a sede e o sol não nos consumam antes que encontremos o terceiro Fragmento."

Com o segundo Fragmento da Luz seguro, Arion e Lyra iniciaram a descida da Montanha das Lanças Gélidas. O vento ainda soprava, mas agora parecia um lamento melancólico, em vez de uma ameaça. A missão continuava, e a cada passo, a chama da esperança ardia com mais força, alimentada pelo poder do sol e pela determinação inabalável daqueles que lutavam contra as trevas.

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