Guardiões do Coração da Amazônia
Capítulo 4 — A Trama Sombria de Morwen
por Lucas Pereira
Capítulo 4 — A Trama Sombria de Morwen
A luz do cristal das Raízes Sagradas, agora nas mãos de Isadora, irradiou para o céu, um feixe de energia pura que perfurou a copa das árvores e alcançou o reino de Aethelgard. No mundo submerso, Lyra sentiu a mudança. A energia sombria que envolvia o Coração da Amazônia diminuiu um pouco, permitindo que sua luz natural brilhasse com mais intensidade.
"Eles conseguiram!", exclamou Lyra, seus olhos azuis cheios de alívio. "A energia das Raízes Sagradas está enfraquecendo o controle de Morwen. É a nossa chance!"
Em sua fortaleza sombria, nas entranhas de um vulcão adormecido, Morwen rugiu de fúria. A dor que emanava do Coração da Amazônia era um tormento, e a interferência da energia das raízes era um insulto à sua invencibilidade.
"Aqueles vermes da terra e do mar ousam me desafiar?", sibilou Morwen, seus olhos vermelhos brilhando com ódio. Sua forma era a de uma mulher bela, mas etérea, com pele pálida como a neve e cabelos negros como a noite, mas uma aura de corrupção a envolvia, distorcendo a realidade ao seu redor. "Eles acreditam que podem me deter? Tolos!"
Ela chamou seus servos mais leais: os Ghouls da Sombra, criaturas retorcidas e desumanizadas, e os Sussurrantes, entidades que se alimentavam do medo e da desesperança.
"Vocês irão para a floresta", ordenou Morwen. "Encontrem esses Guardiões e destruam-nos. E tragam-me o cristal das Raízes Sagradas. Seu poder me tornará invencível."
Enquanto isso, na Amazônia, Isadora, Kael e os guerreiros Yanomami retornavam de seu santuário. O cristal das Raízes Sagradas pulsava em suas mãos, uma promessa de cura e proteção. Mas a floresta não estava em paz. O ar estava carregado de uma tensão palpável, um prenúncio de perigo iminente.
Aruã, sempre vigilante, apontou para a frente. "Alguém se aproxima. Não são da floresta."
Emergindo das sombras, um grupo de figuras esqueléticas e sombrias avançou. Seus corpos eram pálidos e emaciados, seus olhos vazios de vida, e emanavam uma aura de frio glacial. Eram os Ghouls da Sombra, os servos de Morwen.
"Eles vieram nos buscar", disse Kael, sua voz firme. "Morwen não nos deixará em paz."
A batalha começou. Os Ghouls da Sombra eram implacáveis, suas garras afiadas buscando dilacerar qualquer um que estivesse em seu caminho. Os guerreiros Yanomami lutaram com bravura, suas flechas e lanças atingindo os mortos-vivos com precisão. Mas os Ghouls eram difíceis de matar, e a cada golpe, a energia sombria que os envolvia parecia regenerá-los.
Isadora sentiu o cristal em suas mãos vibrar com mais intensidade. Ela sabia que precisava usar seu poder. Erguendo o cristal, ela o concentrou em direção aos Ghouls. Uma onda de luz pura e revitalizante emanou do cristal, atingindo as criaturas sombrias. Elas gritaram de agonia, suas formas se contorcendo enquanto a luz as consumia. A energia da vida era um veneno para elas.
"O cristal! Ele os enfraquece!", exclamou Isadora.
Kael e os guerreiros redobraram seus esforços, impulsionados pela esperança. A luz do cristal parecia fortalecer sua determinação, tornando-os mais fortes e mais rápidos. Aos poucos, os Ghouls da Sombra foram sendo dizimados, suas formas sombrias se desfazendo em pó.
No entanto, quando a última criatura foi destruída, um novo perigo surgiu. Do alto das árvores, vozes sussurrantes e insidiosas começaram a ecoar, atacando suas mentes. Eram os Sussurrantes, entidades que se alimentavam do medo e da dúvida.
"Vocês não podem vencer...", sussurravam as vozes. "A escuridão é eterna. A derrota é o único destino."
Isadora sentiu a dúvida começar a se instalar em sua mente, uma tentação de desistir, de sucumbir ao desespero. Mas ela olhou para Kael, para o rosto sereno e determinado do velho pajé, e se lembrou de seu propósito.
"Não!", ela gritou, sua voz ecoando pela floresta. "A vida é mais forte que a escuridão! A esperança é mais forte que o medo!"
Ela concentrou toda a sua força e fé no cristal. Uma luz ainda mais intensa emanou dele, envolvendo todo o grupo. Os sussurros cessaram, a dúvida dissipou-se. A energia pura do cristal os protegia dos ataques mentais de Morwen.
"Eles sobreviveram aos Ghouls e aos Sussurrantes", sibilou Morwen em sua fortaleza, a frustração evidente em sua voz. "Isso não pode ficar assim. Preciso de um plano mais direto."
Ela olhou para Victor Montenegro, que estava ajoelhado a seus pés, a humilhação ainda marcada em seu rosto. "Montenegro, você falhou em me trazer o cristal. Mas você ainda pode ser útil."
"O que deseja, minha senhora?", perguntou Montenegro, com uma voz subserviente.
"Você me ajudará a criar uma distração", disse Morwen. "Enquanto eu ataco Aethelgard diretamente, você e seus homens irão para a floresta. Encontrem os Guardiões e atraiam-nos para longe de seu caminho. Use a ganância e o medo deles para seus propósitos."
Montenegro assentiu com um sorriso cruel. "Será um prazer, minha senhora."
De volta à Amazônia, Isadora sabia que o tempo estava se esgotando. A energia do cristal das Raízes Sagradas estava diminuindo, e Morwen certamente planejava seu próximo movimento.
"Precisamos retornar a Aethelgard", disse Isadora. "Lyra disse que a batalha final seria lá."
Kael assentiu. "Sim. O Coração da Amazônia está lá, e é onde Morwen concentrará seus ataques. Precisamos estar lá para defendê-lo."
Enquanto se preparavam para reabrir o portal, um novo som ecoou pela floresta. Não era o som dos Ghouls ou dos Sussurrantes, mas o rugido de máquinas pesadas. Carros de combate e troncos de árvores caídos em seu caminho indicavam que Montenegro e seus homens estavam avançando, com a intenção de destruir tudo em seu caminho.
"Eles querem nos impedir de chegar a Aethelgard", disse Aruã, sua postura tensa.
"Eles querem nos distrair", corrigiu Isadora, compreendendo o plano de Morwen. "Morwen está atacando Aethelgard agora. Precisamos ir!"
Com um esforço concentrado, Isadora usou o restante da energia do cristal para reabrir o portal. A luz azul-esverdeada surgiu novamente, prometendo um caminho para a batalha final.
"Vão!", disse Kael. "Eu e os guerreiros cuidaremos deles. Vocês precisam ir para Aethelgard. O destino do Coração da Amazônia depende disso."
Isadora hesitou. Deixar Kael e os guerreiros para trás era um risco enorme. Mas ela sabia que ele estava certo. Aethelgard era o campo de batalha principal.
"Eu voltarei, Kael", ela prometeu.
"Eu sei que sim, filha da floresta", respondeu o velho pajé, com um sorriso terno. "Agora vá. A floresta confia em você."
Com o coração apertado, Isadora atravessou o portal, seguida pelos guerreiros Yanomami mais jovens. A última coisa que viu foi Kael, em pé, firme como uma montanha, pronto para enfrentar a escuridão que se aproximava. A trama sombria de Morwen se desenrolava, e a guerra pelo Coração da Amazônia havia entrado em sua fase mais crítica.