A Sombra de Ipanema

Capítulo 14 — O Jogo de Elias Montenegro

por Bruno Martins

Capítulo 14 — O Jogo de Elias Montenegro

A mansão de Elias Montenegro, um colosso arquitetônico escondido em meio à exuberância da zona sul, era um símbolo de poder e opulência. Cercada por muros altos e sistemas de segurança de última geração, ela exalava uma aura de inacessibilidade, um convite silencioso para aqueles que ousassem se aproximar de seus segredos. Clara e Mariana, munidas das informações coletadas por Mariana e de uma coragem alimentada pela indignação, planejavam adentrar aquele universo de privilégios e artimanhas.

“Ele está em uma reunião importante esta noite”, informou Mariana, deslizando o dedo sobre a tela de seu tablet. “Um evento fechado, apenas para convidados selecionados. Mas eu consegui a lista de convidados… e tenho um contato que trabalha na segurança do evento.”

Clara olhou para a amiga, a apreensão misturada à determinação. “Você tem certeza disso, Mari? Se formos pegas…”

“Clara, nós não podemos esperar. Ricardo está com os documentos, e Montenegro está com Ricardo. Se ele usar essas provas para chantagem ou para conseguir o que quer, as consequências serão devastadoras. Precisamos agir agora.” Mariana suspirou, a gravidade da situação pesando em seus ombros. “Eu já pensei em um disfarce. Apenas para nos infiltrarmos e termos uma ideia do que está acontecendo lá dentro.”

Naquela noite, a mansão de Montenegro brilhava sob as luzes da cidade, um palco para um espetáculo de poder. Convidados elegantes, vestidos de alta costura e ternos impecáveis, circulavam entre obras de arte valiosas, conversando em voz baixa e trocando olhares calculistas. Clara e Mariana, vestidas como garçonetes discretas, mesclavam-se à equipe de serviço, os corações batendo em uníssono com o ritmo frenético do evento.

A cada passo, Clara sentia o peso da história que Ricardo carregava. Ela imaginava o homem, seu ancestral, percorrendo aquelas terras, sonhando com um futuro que ele nunca veria. E agora, a ganância de um homem moderno ameaçava distorcer essa história, transformando-a em uma arma.

Guiadas por sinais discretos de seu contato na segurança, elas se dirigiram para a área onde Montenegro estaria recebendo seus convidados. Em uma sala privada, decorada com móveis antigos e tapeçarias luxuosas, Clara vislumbrou Elias Montenegro. Um homem de porte imponente, cabelos grisalhos penteados para trás e um olhar penetrante que parecia analisar tudo ao seu redor. Ao seu lado, com um sorriso arrogante, estava Ricardo.

Ricardo parecia ter trocado suas roupas sujas por um terno elegante, mas a arrogância em seu olhar, a forma como ele segurava um copo de whisky com a mão tremendo levemente, denunciavam a tensão sob a superfície. Ele entregava a Montenegro uma pequena caixa de madeira entalhada – a mesma que Clara vira na Gamboa.

“Finalmente, Ricardo”, disse Montenegro, sua voz grave e melodiosa, mas com um tom de autoridade inquestionável. “Eu sabia que você não me decepcionaria.”

“Eu nunca decepciono, Dr. Montenegro”, respondeu Ricardo, um brilho de triunfo nos olhos. “Esta história, esta fortuna… é meu direito. E com a sua ajuda, eu vou recuperá-la.”

Montenegro sorriu, um sorriso que não chegava aos olhos. Ele pegou a caixa com cuidado. “E eu vou garantir que você a recupere. E que todos que tentaram nos impedir, ou que se colocaram em nosso caminho, paguem por isso.” Seu olhar pousou por um instante na direção de Clara e Mariana, que observavam escondidas atrás de uma coluna. Clara sentiu um arrepio. Ele as vira?

O contato de Mariana, um jovem com o nome de Rafael, aproximou-se discretamente. “Eles estão falando sobre os documentos. Parecem estar em um cofre aqui perto. O Dr. Montenegro é muito cauteloso com seus tesouros.”

Clara e Mariana trocaram um olhar. Precisavam agir rápido. Enquanto Rafael criava uma distração no corredor principal, indicando um possível problema de segurança, Clara e Mariana se aproximaram da sala privada. Montenegro, visivelmente irritado com a interrupção, ordenou que Ricardo cuidasse da situação.

“Vá ver o que está acontecendo, Ricardo. E diga a eles para terem mais cuidado. Não quero que essa noite seja arruinada por um pequeno deslize.”

Ricardo, com um grunhido de impaciência, saiu da sala. Era a oportunidade perfeita. Clara e Mariana entraram furtivamente.

“Onde está o cofre?”, sussurrou Clara para Rafael.

“Naquela parede”, indicou Rafael, apontando para uma grande tapeçaria que cobria uma seção da parede. “É um cofre antigo, disfarçado. Só o Dr. Montenegro sabe a combinação.”

Enquanto Mariana tentava acessar o sistema de segurança digital do cofre com seu tablet, Clara sentiu uma forte sensação de déjà vu. A grandiosidade do lugar, a tensão no ar, a presença de Ricardo… tudo a lembrava do momento em que tudo desmoronou.

De repente, Ricardo retornou, o rosto sombrio. Ele as vira.

“Vocês!”, rosnou ele, os olhos fixos em Clara. “Eu sabia que você estava envolvida nisso. Eu confiei em você!”

“Ricardo, por favor, escute!”, implorou Clara, avançando um passo. “Isso não é sobre você. É sobre o que Montenegro está fazendo. Ele está te usando!”

“Cale a boca!”, gritou Ricardo, avançando em sua direção.

Mariana, percebendo o perigo, agiu rapidamente. Ela ativou um dispositivo que emitia um som agudo e penetrante, desorientando Ricardo por um instante. Nesse momento, a porta da sala se abriu e Elias Montenegro entrou, o rosto contorcido pela raiva.

“O que está acontecendo aqui?!”, vociferou Montenegro. Ele viu Clara e Mariana, a caixa de madeira no chão perto de Mariana, e Ricardo desorientado. “Vocês duas! Guardas!”

Os seguranças da mansão invadiram a sala. Clara e Mariana se viram cercadas. Ricardo, recuperando o fôlego, olhou para Montenegro com um misto de raiva e desespero.

“Ela tentou roubar o que é meu!”, acusou Ricardo.

Montenegro olhou para Clara e Mariana com um desprezo glacial. “Levem essas duas para a sala de interrogatório. E Ricardo… você e eu temos que ter uma conversa muito séria.”

Enquanto eram arrastadas para fora da sala, Clara conseguiu vislumbrar Montenegro pegando a caixa. Ele abriu. Dentro, não havia ouro, mas sim um feixe de documentos antigos e um medalhão com um brasão familiar. A expressão de Montenegro mudou, um brilho de satisfação e poder em seus olhos. Ele havia conseguido o que queria.

Na sala de interrogatório fria e impessoal, Clara e Mariana enfrentaram o olhar de Montenegro. Ele as olhava como se fossem insetos, insignificantes e facilmente esmagáveis.

“Vocês foram muito imprudentes”, disse Montenegro, a voz calma, mas fria como gelo. “Acharam que poderiam interferir nos meus planos? Que poderiam deter o progresso?”

“Você está usando Ricardo”, disse Clara, a voz firme apesar do medo. “Esses documentos não são para provar uma linhagem, são para você chantagear e controlar.”

Montenegro riu, um som seco e sem humor. “Você é mais inteligente do que eu pensava, minha cara. Mas a inteligência não basta quando se está contra alguém como eu. Ricardo é apenas um peão. Um peão ressentido e manipulável. E ele me entregou tudo o que eu precisava.”

Ele se levantou. “Vocês têm duas opções. Ou esquecem tudo o que viram e somem da minha vida para sempre, ou enfrentam as consequências de suas ações. E eu garanto, as consequências serão desagradáveis.”

Clara olhou para Mariana, buscando força. A decisão estava tomada. Elas não fugiriam.

“Nós não vamos esquecer”, disse Clara, a voz ecoando na sala. “Nós vamos expor você.”

Montenegro sorriu, um sorriso que prometia perigo. “Veremos.” Ele se virou e saiu, deixando Clara e Mariana sozinhas na frieza da sala, enfrentando um inimigo poderoso e implacável. O jogo de poder havia se intensificado, e elas sabiam que a luta estava longe de terminar.

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