A Sombra de Ipanema

Capítulo 5 — A Rede de Vingança

por Bruno Martins

Capítulo 5 — A Rede de Vingança

O peso da pistola antiga na mão de Daniel, a frieza do metal contra a palma, parecia um prenúncio sombrio. A descoberta na Casa Azul havia rompido a barreira do tempo, revelando que a morte de Arnaldo Alencar não fora um mero caso de suicídio, mas sim um assassinato frio e calculado. Isabella sentiu um misto de alívio e pavor. Alívio por ter encontrado uma peça crucial no quebra-cabeça, pavor pela complexidade e pelo perigo que aquela investigação representava.

"Precisamos sair daqui, Daniel", Isabella disse, sua voz tremendo levemente. "Agora."

Daniel assentiu, guardando a arma cuidadosamente em um compartimento secreto em sua bolsa. "Você tem razão. Mas não antes de falarmos com o Sr. Antunes. Precisamos saber se ele viu algo, ou alguém."

Eles desceram as escadas com cautela, a sensação de serem observados pairando no ar. Ao chegarem à sala de estar, encontraram o Sr. Antunes sentado em uma poltrona antiga, o olhar perdido no nada.

"Sr. Antunes", Daniel chamou, sua voz firme, mas contida. "Precisamos conversar com o senhor. Sobre a casa."

O caseiro se virou, um misto de surpresa e apreensão em seu rosto enrugado. "Já terminaram a inspeção?"

"Sim", Isabella respondeu, tentando soar o mais natural possível. "E encontramos algo que nos preocupa. Ouvi um barulho no andar de cima, como se algo tivesse caído. O senhor sabe de alguma coisa?"

Sr. Antunes hesitou por um momento, seus olhos percorrendo o rosto de Isabella e depois o de Daniel. Ele parecia envelhecer alguns anos diante deles.

"Eu... eu ouvi alguma coisa também", ele confessou, a voz embargada. "Um barulho vindo do quarto de criança. Pensei que fosse um rato. Mas agora que vocês perguntam..." Ele engoliu em seco. "Ontem à noite, eu vi um carro parado na rua, por volta da meia-noite. Um carro escuro, com vidros fumê. Ficou parado ali por um tempo, e depois sumiu. Achei estranho, mas não dei muita importância."

"Um carro escuro, com vidros fumê", Daniel repetiu, seus olhos fixos no caseiro. "O senhor se lembra da marca ou do modelo?"

"Não, senhor. Estava escuro demais. Mas parecia um carro grande, caro."

Daniel e Isabella trocaram um olhar. Aquela descrição era vaga, mas indicava que alguém estava monitorando a propriedade. Alguém que não queria ser visto.

"Obrigado, Sr. Antunes", Daniel disse. "Sua informação é muito valiosa. Se o senhor se lembrar de mais alguma coisa, por favor, nos procure. Aqui está o meu cartão." Ele entregou um cartão discreto ao caseiro. "Qualquer coisa, ligue a qualquer hora."

Ao saírem da Casa Azul, o céu nublado parecia se adensar ainda mais, como se a própria natureza estivesse prenunciando a tempestade que se aproximava. A sensação de perigo se intensificou. Eles não eram os únicos interessados nos segredos daquela casa.

De volta ao apartamento de Daniel, a atmosfera era carregada de tensão. Ele espalhou documentos e fotografias sobre a mesa, diagramas da casa, perfis de pessoas ligadas à família Alencar.

"A morte de Arnaldo Alencar foi o estopim de uma série de eventos", Daniel explicou, apontando para um recorte de jornal antigo. "Sua viúva, Helena Alencar, e seus dois filhos, Ricardo e Sofia, desapareceram do mapa logo depois. Rumores davam conta de que fugiram para a Europa, fugindo de dívidas ou de ameaças. Mas nunca houve confirmação."

"E o comprador estrangeiro da casa?", Isabella perguntou. "Quem é ele?"

"Essa é uma das perguntas que ainda não consegui responder. O nome que aparece nos registros é de uma offshore, uma empresa de fachada. O dinheiro que pagou pela casa é limpo, mas a origem é obscura. Suspeito que seja alguém querendo encobrir algo, ou alguém que planeja usar a casa para seus próprios fins."

Daniel pegou um mapa de Ipanema. "Acredito que a morte de Arnaldo não foi apenas um crime passional ou financeiro. Foi algo mais elaborado, algo que envolveu a fuga da família e o desaparecimento de provas. E o Sr. Antunes viu um carro suspeito ontem à noite. Isso significa que alguém está vigiando a propriedade. Alguém que pode ter interesse em impedir que a verdade venha à tona."

"Mas por quê?", Isabella insistiu. "Qual o interesse de alguém em manter o assassinato de Arnaldo Alencar em segredo, décadas depois?"

"Talvez a verdade sobre a morte dele revele outros crimes. Talvez envolva pessoas poderosas que ainda estão vivas. Talvez a família Alencar não tenha desaparecido, mas sim se escondido, e agora alguém quer silenciá-los para sempre." Daniel olhou para Isabella, a intensidade em seus olhos verdes aumentando. "E a sua ligação com tudo isso, Isabella... eu sinto que ainda não a descobrimos. Por que você se sente tão atraída por essa história? Por que você sente que algo em sua vida está incompleto?"

Ele pegou o medalhão que Isabella havia guardado e o colocou sobre a mesa. "Estas iniciais 'AA' não são apenas de Arnaldo Alencar. Acredito que podem ser de outra pessoa também. Talvez um ancestral seu, com uma ligação esquecida com os Alencar."

A ideia era perturbadora. Isabella pegou o medalhão, sentindo seu peso familiar. Ela sempre teve uma forte conexão com o Rio, uma sensação de que pertencia àquele lugar de uma forma profunda e inexplicável. Mas nunca imaginou que essa conexão pudesse ter raízes tão antigas e sombrias.

"O que você acha que devemos fazer agora?", Isabella perguntou, a voz baixa.

"Precisamos descobrir quem é o comprador estrangeiro da casa. Precisamos investigar o paradeiro da família Alencar. E precisamos descobrir qual é a sua ligação com essa história", Daniel respondeu. "Mas, acima de tudo, precisamos ter cuidado. Se alguém está vigiando a Casa Azul, é provável que também esteja vigiando a nós."

Ele se aproximou de Isabella, seu olhar fixo no dela. "Eu não posso te obrigar a se envolver nisso, Isabella. É perigoso. Mas sinto que o destino nos uniu por um motivo. E eu não quero enfrentar isso sozinho."

Isabella olhou para Daniel, para a paixão em seus olhos, para a determinação em seu semblante. Ela sabia que estava mergulhando em águas profundas e perigosas, mas a verdade, por mais assustadora que fosse, precisava vir à tona. E ela sentia que, ao lado de Daniel, encontraria a coragem necessária para enfrentar as sombras que pairavam sobre Ipanema.

"Eu vou com você", Isabella disse, sua voz firme. "Não vamos deixar que a verdade permaneça enterrada."

Um sorriso sutil surgiu nos lábios de Daniel. Era um sorriso de alívio, mas também de reconhecimento. Ele sabia que, juntos, eles tinham uma chance. A rede de vingança que se formava em torno da Casa Azul parecia ter se estendido para eles, mas eles estavam prontos para lutar. A noite em Ipanema, antes um convite ao romance, agora se transformava em um campo de batalha silencioso, onde a verdade e o perigo caminhavam de mãos dadas, sob a sombra imponente do Cristo Redentor.

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