A Sombra de Ipanema

Capítulo 7 — O Rastro Sombrio na Lapa

por Bruno Martins

Capítulo 7 — O Rastro Sombrio na Lapa

A noite desceu sobre o Rio de Janeiro como um manto escuro, pontilhado por milhares de estrelas e pelas luzes vibrantes da cidade. A Lapa, com seus arcos majestosos e a alma boêmia, pulsava com uma energia diferente de Ipanema. Era um lugar de mistérios, de encontros clandestinos e de segredos sussurrados nas esquinas. E era para lá que Helena e Clara se dirigiam, em busca de um rastro, de uma pista que pudesse levá-las a Daniel.

O coração de Helena batia acelerado no peito, uma mistura de apreensão e um senso crescente de urgência. A casa azul, com sua quietude assustadora, parecia um refúgio seguro em comparação com o submundo que elas estavam prestes a investigar. Eduardo as observava, ela sabia. Cada passo que davam para longe dele era um risco, mas a necessidade de encontrar Daniel, de entender a verdade, era mais forte do que o medo.

"Você tem certeza de que ele viria para cá?", Clara perguntou, a voz baixa enquanto o táxi serpenteava pelas ruas estreitas e movimentadas.

Helena assentiu, seus olhos fixos na paisagem urbana que se desdobrava. "Daniel mencionou uma vez que tinha um contato na Lapa. Um informante. Ele disse que era alguém que sabia de tudo, de quem se movia nas sombras, nos negócios mais escusos da cidade. Ele não me disse o nome, mas eu me lembro dele falar sobre um bar, um lugar pequeno e discreto, frequentado por quem queria passar despercebido."

"Um bar na Lapa... Isso nos dá um universo de possibilidades," Clara riu sem humor. "Mas vamos começar por onde Daniel costumava frequentar. Ele te levou a algum lugar parecido antes?"

Helena pensou por um momento, revivendo lembranças de noites passadas, de risadas compartilhadas, de confidências sussurradas. "Ele gostava de lugares com música ao vivo, mas que não fossem muito barulhentos. Onde pudéssemos conversar. Ele dizia que a música de fundo era um bom disfarce para conversas mais sérias."

O táxi parou em frente a um casarão antigo, com varandas de ferro forjado e janelas altas. As luzes tênues que escapavam pelas frestas indicavam um movimento interno. Na placa desbotada, lia-se "O Sabiá Noturno". Era um lugar que Helena nunca tinha visto, mas que emanava um ar de mistério e de histórias não contadas.

"Parece promissor," Clara disse, seus olhos brilhando com determinação.

Entraram no bar. O ar era denso com o aroma de cachaça, fumaça e o perfume adocicado de mulheres. Um grupo de músicos tocava um samba melancólico em um pequeno palco. As mesas estavam ocupadas por casais em conversas sussurradas e por homens solitários que pareciam perdidos em seus próprios pensamentos.

Helena sentiu o peso dos olhares sobre elas. Duas mulheres bonitas, vestidas com elegância, em um lugar como aquele, chamavam a atenção. Ela e Clara se sentaram em um canto mais escuro, observando os frequentadores.

"Precisamos de alguém que conheça os rostos," Helena murmurou, sentindo a dificuldade da tarefa.

Clara pediu duas caipirinhas e, enquanto esperava, olhou atentamente ao redor. "Vamos tentar a sorte. Começamos perguntando de forma sutil. Quem é o 'cara' que sabe de tudo por aqui?"

O garçom, um homem corpulento com um bigode espesso e olhos cansados, aproximou-se. Clara, com um sorriso encantador, perguntou sobre alguém que pudesse lhes dar informações sobre os acontecimentos na cidade. O garçom as olhou desconfiado, mas o brilho de algumas notas de dinheiro que Clara habilmente colocou sobre a mesa, junto com um olhar persistente, pareceu amolecê-lo.

"Vocês estão procurando por quem, senhoritas? Aqui a gente não fala muito de fora," ele disse, com a voz baixa.

"Estamos procurando por um amigo," Helena respondeu, sua voz firme apesar do nervosismo. "Ele costumava vir aqui. Um homem alto, bonito, com um jeito... especial. Daniel."

O nome pareceu ressoar no silêncio momentâneo. O garçom franziu a testa, pensativo. "Daniel... Sim, eu me lembro. Um homem que vinha de vez em quando. Tinha negócios... complicados."

Clara inclinou-se para a frente. "Ele nos deixou um recado. Disse para procurarmos alguém que pudesse nos ajudar a encontrar o caminho de volta para ele."

O garçom lançou um olhar rápido para os lados, como se verificasse se estavam sendo observadas. Ele então se inclinou mais, baixando a voz. "O homem que vocês procuram... ele não está mais aqui. Há algum tempo. Ele se meteu em uma encrenca grande. Muita gente grande queria ele longe."

O coração de Helena despencou. "Encrenca? Que tipo de encrenca?"

"Não é coisa para moças bonitas como vocês ouvirem," ele disse, evasivo. "Mas posso dizer que ele tinha inimigos. E um deles... um homem muito influente, com ares de nobreza, sempre bem vestido. Ele parecia interessado em Daniel. Fazia perguntas. Mas ninguém aqui quer se meter com ele. O nome dele é... Eduardo."

As palavras atingiram Helena como um soco no estômago. Eduardo. O homem que ela acreditava ser seu protetor, seu salvador, era o mesmo homem que Daniel temia. A verdade, tão elusiva, começava a se revelar com detalhes chocantes.

"Eduardo?", Helena repetiu, a voz trêmula. "Você tem certeza?"

"Tenho. Ele veio aqui algumas vezes, perguntando por Daniel. Sempre depois que Daniel esteve aqui. Parecia estar seguindo os passos dele. Mas Daniel sumiu logo depois. Ninguém sabe para onde foi." O garçom deu de ombros. "Sinto muito. Não posso ajudar mais."

Ele se afastou, deixando Helena e Clara em um silêncio pesado. A Lapa, com sua atmosfera festiva, de repente pareceu sombria e ameaçadora. A prova que precisavam estava ali, em um sussurro de um garçom em um bar qualquer, mas era uma prova assustadora. Eduardo não era apenas um homem de negócios, mas alguém que operava nas sombras, manipulando vidas, perseguindo seus alvos.

"Eu sabia," Clara disse, sua voz carregada de raiva contida. "Eu sabia que ele era perigoso. Helena, ele está brincando com você. Ele te fez acreditar que Daniel era o problema, mas o problema é ele!"

Helena sentia a cabeça girar. A figura de Eduardo, tão confiante e gentil, agora se transformava em um monstro em sua mente. Cada sorriso, cada palavra de conforto, tudo parecia uma fachada cuidadosamente construída.

"Ele não queria que eu o encontrasse," Helena murmurou, a compreensão amarga em sua voz. "Ele me afastou de Daniel para me manter sob controle. E agora ele está garantindo que ninguém mais possa encontrá-lo."

"Precisamos sair daqui," Clara disse, levantando-se. "Precisamos pensar. Precisamos de um plano. Eduardo não vai desistir facilmente."

Ao saírem do "Sabiá Noturno", o ar da noite parecia mais frio. A música animada do bar parecia um eco distante de um mundo que não pertencia mais a Helena. Ela olhou para o céu estrelado, sentindo-se mais perdida do que nunca. O fio da verdade, que parecia ter sido reencontrado, agora se estendia em uma direção sombria, levando-a a confrontar um inimigo inesperado e implacável. A Lapa, com seus segredos, havia revelado uma parte da verdade, mas também acendera um novo medo: o medo do jogo de Eduardo.

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