A Sombra de Ipanema

Capítulo 8 — A Farsa do Amor Verdadeiro

por Bruno Martins

Capítulo 8 — A Farsa do Amor Verdadeiro

Os dias que se seguiram à investigação na Lapa foram um tormento silencioso para Helena. A casa azul, com suas paredes que pareciam absorver seus medos, tornou-se um palco para a encenação cruel de Eduardo. Ele, com sua habilidade inata de manipulação, redobrara sua atenção, como um predador que sente o cheiro do medo em sua presa. Cada gesto de carinho, cada palavra de conforto, agora soava oco, carregado de uma intenção perversa.

"Meu amor, você tem estado tão distante ultimamente," Eduardo disse uma manhã, enquanto tomavam café na varanda com vista para o mar. Ele acariciou o rosto de Helena com uma ternura estudada, seus olhos azuis transmitindo uma preocupação que ela sabia ser falsa. "Não consigo mais dormir direito, pensando em você. Essa preocupação com Daniel te consome."

Helena forçou um sorriso, sentindo o nó na garganta. "Estou apenas preocupada, Eduardo. Queria que ele estivesse aqui. Sinto falta dele."

"Eu também sinto," Eduardo suspirou, apertando sua mão. "Mas você precisa entender, querida. Daniel tomou suas próprias decisões. E talvez, apenas talvez, esse afastamento tenha sido necessário para que você pudesse finalmente se entregar ao nosso amor. Um amor que sempre esteve aqui, esperando por você."

A hipocrisia dele era palpável, um veneno doce que ela sentia se espalhar por suas veias. O "amor verdadeiro" de Eduardo era uma máscara, e ela estava começando a enxergar o monstro por trás dela. Clara, com sua perspicácia e lealdade inabalável, a alertava constantemente.

"Não se iluda, Helena," Clara disse em uma de suas visitas secretas. "Ele está te preparando. Ele quer que você aceite a mentira dele. Que você se sinta grata por ele estar 'cuidando' de você."

"Mas eu não sei o que fazer, Clara. Se eu o confrontar, ele pode fazer algo pior. E se ele realmente machucou Daniel?" A ideia a consumia, alimentando seu medo e sua impotência.

"Precisamos de provas concretas. Algo que ele não possa negar. Algo que mostre a todos quem ele realmente é." Clara estava determinada. Ela havia se aprofundado em suas próprias investigações, pesquisando sobre o passado de Eduardo, sobre seus negócios, sobre os boatos que circulavam em círculos menos visíveis. "Descobri algumas coisas sobre um dos projetos dele. Um empreendimento imobiliário em Angra dos Reis. Tinha muitos problemas. Licenças irregulares, denúncias de desvio de verbas... e algumas pessoas desapareceram perto dali."

"Desapareceram?", Helena repetiu, o sangue gelando em suas veias.

"Sim. Pessoas que poderiam ter falado demais. O nome de Eduardo estava ligado a essas irregularidades, mas sempre de forma indireta. Ele era muito bom em se manter limpo." Clara olhou para Helena com seriedade. "Se conseguirmos provas disso, algo que o incrimine diretamente, teremos nossa chance."

A ideia de ir a Angra dos Reis parecia distante, perigosa. Mas a esperança de encontrar alguma pista sobre Daniel, ou ao menos desmascarar Eduardo, a impulsionava.

"Como podemos fazer isso?", Helena perguntou, sentindo uma centelha de determinação reacender em seu peito.

"Eu tenho um contato. Alguém que trabalhou naquela região. Ele pode ter informações. Mas precisaremos ir até lá. Discretamente."

A viagem para Angra dos Reis foi feita em segredo. Enquanto Eduardo acreditava que Helena estava em casa, cuidando de si, ela e Clara se deslocavam em direção à costa verde, onde o mar azul se misturava com o verde exuberante das montanhas. A atmosfera de Angra era diferente, mais serena em sua beleza natural, mas escondia um submundo de negócios escusos, onde a influência de homens como Eduardo podia ser sentida.

Elas encontraram o contato de Clara em um pequeno restaurante à beira-mar. Era um homem chamado Jonas, um pescador com um olhar sagaz e mãos calejadas pelo trabalho. Ele contou histórias sombrias sobre o empreendimento de Eduardo, sobre a pressão exercida sobre os moradores locais, sobre o silêncio imposto através de ameaças e subornos.

"Aquele lugar era uma máfia," Jonas disse, balançando a cabeça. "Eduardo mandava em tudo. Quem reclamava sumia. Ele tinha gente para tudo. E quem ousava investigar... bem, terminava mal."

"Você sabe de alguma coisa que possa nos ajudar? Alguma prova?", Helena perguntou, a voz embargada pela emoção.

Jonas hesitou por um momento, olhando para o mar. "Eu vi algumas coisas. Documentos que foram jogados fora. Uma pilha de papéis em uma lixeira perto de um dos canteiros de obra. Coisas que pareciam importantes. Eu peguei alguns, por precaução. Nunca se sabe quando uma informação pode valer ouro. Ou sua vida."

Ele as levou até sua pequena casa de pescador, onde, em uma caixa de metal enferrujada, guardava alguns documentos amassados e manchados. Entre eles, Helena encontrou o que procurava: um contrato preliminar que ligava Eduardo diretamente a uma das empresas de fachada usadas para o empreendimento, e algumas correspondências que indicavam ordens diretas para "lidar" com opositores.

"Isso é o que precisamos," Clara disse, seus olhos brilhando de triunfo. "Isso vai desmascará-lo."

De volta ao Rio, a carga em seus corações era imensa. Elas tinham as provas, mas o risco de confrontar Eduardo era ainda maior. Ele sentia a mudança em Helena, a frieza que começava a substituir o medo.

"Você parece mais animada hoje, meu amor," Eduardo disse, com um sorriso que não alcançava seus olhos. "Veio me contar alguma novidade sobre Daniel?"

Helena o encarou, a decisão em seus olhos. A farsa do amor verdadeiro estava prestes a desmoronar. "Eduardo," ela começou, sua voz firme e clara, "eu descobri tudo."

A expressão de Eduardo mudou sutilmente, um lampejo de surpresa e irritação em seus olhos, rapidamente substituído por uma máscara de confusão. "Descobriu o quê, Helena? Você está me assustando."

"Descobri quem você realmente é. Descobri o que você fez. Que você não é o homem que diz ser. Que você manipula, que você mente, que você se livra das pessoas que te atrapalham." Helena tirou os documentos da bolsa, estendendo-os sobre a mesa. "Eu sei sobre Angra dos Reis. Eu sei sobre as pessoas que desapareceram. E eu sei que você afastou Daniel porque ele era um obstáculo para você."

O sorriso de Eduardo desapareceu completamente. Seus olhos se tornaram frios, calculistas. A máscara de homem gentil e preocupado se desfez, revelando a face do predador. "Helena, você está sendo irracional. Essas bobagens... de onde você tirou isso?"

"De quem realmente se importa," Helena respondeu, sua voz ainda firme, embora seu coração estivesse acelerado. "De quem não tem medo de você."

Eduardo levantou-se, seus punhos cerrados. A tensão na sala era palpável, o silêncio quebrado apenas pelo som das ondas batendo na praia. Ele sabia que havia perdido o controle. O jogo estava virado. E a farsa, finalmente, havia chegado ao fim.

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