Segredos em Santa Teresa

Capítulo 10 — O Confronto na Pedra do Arpoador

por Thiago Barbosa

Capítulo 10 — O Confronto na Pedra do Arpoador

A tensão na pequena casa de Clara era palpável. Os dois homens, com a frieza de predadores, cercavam Helena e Bernardo, enquanto Clara observava a cena com o rosto lívido. A mansão em Santa Teresa, a mata atlântica, e agora a casa afastada no Alto da Boa Vista – cada local parecia apenas um palco temporário na perseguição implacável de Armando Vasconcelos.

“Não vou com vocês”, disse Helena, a voz firme, apesar do tremor interno. Ela olhou para Bernardo, um olhar de cumplicidade e desafio. Ele entendeu. Era a hora de agir.

No momento em que os homens se aproximaram, Bernardo, com uma agilidade surpreendente, empurrou uma mesa em direção a eles, criando uma distração. Helena aproveitou a oportunidade e correu para os fundos, enquanto Bernardo enfrentava os agressores.

“Vá, Helena! Eu cuido deles!”, gritou Bernardo, e o som de luta ecoou pela casa.

Helena correu pela mata, o coração disparado, o ar rarefeito queimando seus pulmões. Sabia que não podia voltar para a mansão. Precisava de um lugar público, movimentado, onde pudesse se sentir minimamente segura para pensar. A Pedra do Arpoador, com sua vista deslumbrante e a constante presença de pessoas, veio à mente.

Enquanto corria, ouviu o som de uma sirene distante. A polícia? Teria o delegado que Bernardo contatou agido tão rápido? Ou seria uma armadilha ainda maior? A incerteza a consumia, mas a necessidade de sobreviver a impulsionava.

Chegou à Pedra do Arpoador, ofegante, o corpo dolorido, os cabelos desalinhados. As pessoas passeavam tranquilamente, casais admiravam o pôr do sol, crianças brincavam. O contraste entre a serenidade do local e o caos de sua vida era gritante.

Encontrou um banco isolado e sentou-se, tentando controlar a respiração. O peso dos documentos que trazia de Genebra parecia insuportável. Era a prova de anos de corrupção, a prova da crueldade de Armando, a prova da verdade sobre a morte de seus pais. Mas, por si só, não era suficiente. Precisava de um plano.

Enquanto ponderava, sentiu uma mão em seu ombro. Ela se virou bruscamente, o coração na garganta. Era Bernardo. Ele estava machucado, com um corte na testa, mas vivo.

“Bernardo! Graças a Deus! O que aconteceu?”

“Consegui me livrar deles. A polícia chegou logo depois. Aparentemente, o delegado recebeu uma denúncia anônima sobre atividades suspeitas na casa de Clara. Tive sorte. Mas eles sabem que você fugiu. Eles vão procurá-la por toda parte.”

Helena sentiu um fio de esperança. “O delegado… ele pode nos ajudar, não é? Temos as provas.”

Bernardo suspirou. “Ele é um homem de princípios, Helena. Mas Armando tem influência. Ele pode desacreditar as provas, difamar você. Precisamos de algo que o pegue de surpresa. Algo que não possa ser negado.”

Olharam um para o outro, o silêncio carregado de um entendimento mútuo. A resposta estava ali, no amor e na dor que os ligavam, no desejo de justiça que os impulsionava.

“Roberto Almeida”, disse Helena, a voz baixa e decidida. “Ele é o braço direito de Armando. Ele executa as ordens. Se pudermos pegar ele em flagrante, ou conseguir uma confissão dele…”

“Seria o golpe fatal”, completou Bernardo. “Mas ele é tão perigoso quanto Armando. E opera nas sombras.”

“Eu o vi em Genebra, Bernardo. No banco. Ele estava lá com meu tio. Eles estavam discutindo algum plano. Ele é parte integral disso.” Helena relembrou a cena, a imagem de Almeida com seu sorriso frio e calculista.

De repente, um carro preto, o mesmo que vira em frente à casa de Clara, parou abruptamente a alguns metros de distância. Dois homens desceram, os mesmos que a haviam confrontado. Eles olharam diretamente para Helena e Bernardo.

“Eles nos acharam de novo”, disse Bernardo, tirando uma pequena pistola de dentro do paletó. “Fique atrás de mim, Helena.”

O sol começava a se pôr, pintando o céu com tons vibrantes de laranja e roxo. A beleza do cenário contrastava com a ameaça iminente. Os homens se aproximavam, suas intenções claras.

“É agora ou nunca, Helena”, disse Bernardo, a voz firme. “Precisamos atraí-los para o meio da multidão. Usar o caos a nosso favor.”

Helena assentiu, o medo dando lugar a uma determinação feroz. Ela pegou um dos seus celulares e discou um número. Era o número do delegado que Bernardo havia mencionado.

“Delegado, aqui é Helena Vasconcelos. Preciso de ajuda. Estou na Pedra do Arpoador. Fui atacada por homens ligados a Armando Vasconcelos. Eu tenho provas contra ele e Roberto Almeida. Eles estão me seguindo. Por favor, venha rápido!”

Enquanto falava ao telefone, os homens se aproximavam. Bernardo atirou para o alto, assustando as pessoas ao redor, que começaram a se dispersar em pânico. No meio da confusão, Helena pegou uma pedra grande do chão e a atirou contra a cabeça de um dos homens, fazendo-o cambalear.

O segundo homem, furioso, avançou sobre Bernardo. Os dois se engalfinharam, caindo e rolando pela areia. Helena, aproveitando a distração, correu em direção ao outro homem, que havia se recuperado e agora se virava para ela, a arma em punho.

“Você não vai escapar, sua vadia!”, gritou ele.

No momento em que ele ia atirar, sirenes de polícia soaram ao longe, cada vez mais próximas. Os homens, percebendo que estavam encurralados, hesitaram. Helena, com um lampejo de inspiração, jogou a bolsa com os documentos de Genebra para longe, fazendo com que o homem se virasse em direção a ela.

Bernardo, com um último esforço, conseguiu imobilizar seu oponente. E então, os carros da polícia chegaram, bloqueando a saída. Os homens foram detidos, e Helena, com o coração ainda acelerado, entregou os documentos a um policial.

O delegado chegou logo em seguida, um homem de semblante sério e olhar penetrante. Ele ouviu atentamente o relato de Helena e Bernardo, examinando as provas. A visão do sol se pondo sobre o mar, pintando o céu com cores de esperança, parecia um prenúncio de um novo começo.

Armando Vasconcelos e Roberto Almeida, pela primeira vez, enfrentariam as consequências de seus crimes. Helena sabia que a luta ainda não havia acabado, que muitos segredos ainda seriam desvendados. Mas ali, na Pedra do Arpoador, sob o céu tingido de vermelho e dourado, ela sentiu que havia dado um passo decisivo. A memória de seus pais, e o amor que ela sentia por eles, a haviam guiado através da escuridão. A sombra dos Vasconcelos, que pairava sobre Santa Teresa por tanto tempo, começava a se dissipar.

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