Segredos em Santa Teresa
Capítulo 25 — A Teia de Ricardo
por Thiago Barbosa
Capítulo 25 — A Teia de Ricardo
A manhã seguinte trouxe consigo uma atmosfera de urgência. No apartamento de tia Lúcia, Clara e Miguel se preparavam para o próximo passo. O diário de Helena, as joias antigas e as anotações de Miguel sobre a investigação da família Nascimento formavam um dossiê impressionante. O plano era encontrar o Dr. Álvaro Mendes, o jornalista de confiança de Miguel, e entregar-lhe todas as provas.
“Ricardo não vai nos deixar fazer isso facilmente”, Miguel alertou, enquanto revisava os detalhes do plano. “Ele é um homem com muitos recursos e poucas escrúpulos. Ele vai tentar nos impedir de todas as formas possíveis.”
“Eu sei. Mas agora temos algo que ele não esperava: a verdade”, Clara respondeu, sua voz firme. Ela segurava o colar de esmeraldas, sentindo um leve calor emanar delas. Sua avó havia mencionado que as joias continham um “poder ancestral”. Clara não sabia exatamente o que isso significava, mas sentia uma estranha energia nelas, uma aura de proteção.
Eles se despediram de tia Lúcia, prometendo mantê-la informada, e saíram do apartamento. A cidade parecia mais agitada do que o normal, e Clara sentiu um nó de apreensão se formar em seu estômago. Havia algo no ar, uma sensação de que estavam sendo observados.
Enquanto caminhavam em direção ao local de encontro com o Dr. Mendes, um carro preto e luxuoso, idêntico ao que Clara vira na mansão de Ricardo, surgiu em alta velocidade pela rua. Ele parou abruptamente ao lado deles, as portas se abrindo. Dois homens musculosos, com olhares frios e ameaçadores, desceram.
“Ricardo não gosta de ser desobedecido”, um deles disse, sua voz rouca e sem emoção.
Clara e Miguel reagiram instantaneamente. Miguel empurrou Clara para trás e se colocou entre ela e os agressores. “Fiquem longe dela!”, ele gritou, pegando algo de sua bolsa – era uma pequena pistola de choque.
O confronto foi rápido e brutal. Os homens eram experientes, e Miguel, apesar de sua coragem, estava em desvantagem numérica. Clara, no entanto, não ficou parada. Ela se lembrou das palavras de sua avó sobre o poder das joias. Com as mãos trêmulas, ela agarrou o colar de esmeraldas e se concentrou. Uma luz suave emanou das pedras, e uma onda de energia percorreu Clara. Ela sentiu uma força incomum tomar conta de si.
Quando um dos agressores avançou sobre ela, Clara instintivamente levantou o colar. Uma onda de força invisível o atingiu, jogando-o para trás com um grunhido. O outro homem, surpreso com a reação, hesitou por um momento. Miguel aproveitou a distração e usou a pistola de choque, imobilizando-o.
Os dois homens caíram no chão, inconscientes. Clara ofegava, o colar ainda em suas mãos, a energia dissipando-se lentamente.
“O que… o que foi isso?”, Miguel perguntou, olhando para Clara com admiração e espanto.
“Minha avó… ela disse que as joias tinham um poder”, Clara sussurrou, ainda recuperando o fôlego. “Acho que ela estava certa.”
Eles não perderam tempo. Correram para o local combinado, onde o Dr. Mendes, um homem de semblante sério e olhos perspicazes, os esperava. Sem hesitar, Clara entregou-lhe o diário, as joias e os relatórios de Miguel.
“Senhor Mendes, estas são provas irrefutáveis. A família Nascimento, liderada por Ricardo, está envolvida em uma organização criminosa secreta, a Ordem do Sol Negro, responsável por mortes e desaparecimentos em Santa Teresa por décadas”, Miguel explicou, sua voz carregada de urgência.
O Dr. Mendes examinou as provas com cuidado, sua expressão ficando cada vez mais sombria. Ele olhou para Clara, seus olhos transmitindo uma compreensão profunda. “Eu já ouvi rumores sobre os Nascimento e seus segredos obscuros. Mas isso… isso é mais do que eu imaginava. Esta Ordem do Sol Negro… é uma teia que se estende por muito tempo.”
“Eles não vão parar. Ricardo vai vir atrás de nós”, Clara alertou.
“Eu sei. E é por isso que precisamos agir rápido”, o Dr. Mendes disse, sua voz firme. “Vou preparar um artigo bombástico. Mas precisamos de mais. Precisamos de alguém de dentro, alguém que possa confirmar essas informações e expor a estrutura da Ordem.”
Clara pensou nos funcionários da mansão de Ricardo, nos olhares assustados, nas conversas sussurradas. Havia medo ali, mas também havia pessoas que podiam estar cansadas da crueldade de Ricardo.
“Há um homem, o mordomo da mansão, o Sr. Anselmo. Ele trabalha para a família Nascimento há anos. Ele sempre parecia… relutante em obedecer às ordens de Ricardo. Talvez ele possa nos ajudar”, Clara sugeriu.
“É um risco. Se ele for leal a Ricardo, estaremos em sérios apuros”, Miguel ponderou.
“Mas se ele não for, ele pode ser a chave para desmantelar a Ordem de dentro para fora”, o Dr. Mendes acrescentou. “Precisamos de um plano para contatá-lo.”
Enquanto discutiam, um carro preto se aproximou do local onde eles estavam. Era o mesmo carro que os atacara antes. Desta vez, porém, Ricardo estava ao volante. Seu rosto era uma máscara de fúria contida.
“Vocês acharam que podiam me desafiar?”, Ricardo disse, sua voz fria como gelo. “Que tolos.”
Ele saiu do carro, seguido por mais dois capangas. Clara sentiu um arrepio de medo, mas também uma determinação crescente. Ela olhou para Miguel e para o Dr. Mendes. Eles estavam juntos nessa.
“Ricardo, a sua era acabou”, Clara declarou, a voz surpreendentemente firme. “As pessoas vão saber a verdade sobre a Ordem do Sol Negro e sobre o que você fez com a minha família.”
Ricardo riu, um som desagradável e desprovido de humor. “A verdade? A verdade é o que eu digo que é. E ninguém em Santa Teresa ousará me contrariar. Vocês são apenas insetos, e eu vou esmagá-los.”
Ele fez um sinal para seus capangas avançarem. Clara, Miguel e o Dr. Mendes se prepararam para o pior. A luta pela verdade em Santa Teresa estava prestes a atingir seu clímax, e as sombras que haviam assombrado Clara por tanto tempo finalmente começariam a se dissipar sob a luz implacável da revelação. A teia de Ricardo era extensa e perigosa, mas Clara estava determinada a rasgá-la, fio a fio, até que a verdade emergisse, nua e crua, para que todos vissem.