Segredos em Santa Teresa

Capítulo 7 — O Preço da Ambição

por Thiago Barbosa

Capítulo 7 — O Preço da Ambição

O sol da tarde filtrava-se pelas vidraças da mansão, pintando o salão principal com raios dourados que contrastavam com a escuridão que se instalara na alma de Helena. As palavras de sua mãe, frescas e dolorosas, ainda ecoavam em sua mente, transformando cada objeto familiar em um lembrete sombrio do passado. Bernardo, com a discrição de um guardião, observava-a enquanto ela terminava de ler as últimas cartas de Eliana. O silêncio que se instalou entre eles era carregado de uma promessa tácita: a de desenterrar todos os segredos, não importa quão profundos ou perigosos fossem.

“Então é isso”, disse Helena, finalmente, a voz rouca, mas firme. “Ela sabia. Ela tentou me avisar. Tentou avisar meu pai. E ele… ele se fechou em si mesmo, acreditando que a melhor forma de me proteger era me fazer esquecer.” Uma risada amarga escapou de seus lábios. “Que ironia. O silêncio dele apenas abriu caminho para que eles me encontrassem.”

Bernardo assentiu, o olhar fixo em Helena. “Seu pai era um homem de princípios, mas também era um homem quebrado pela dor. A perda de Eliana o devastou. Ele acreditava que estava agindo no seu melhor interesse. Mas o tempo provou o contrário.”

Ele se aproximou da escrivaninha de mogno, onde um pequeno caderno, encadernado em couro, jazia aberto. “Este diário… ele pertenceu ao seu pai. Ele começou a anotá-lo depois que você se mudou para a Europa para estudar. Ele sentia que precisava registrar tudo, coletar provas. Ele suspeitava que Armando estava envolvido no desaparecimento de Eliana, mas não tinha como provar. Ele temia o pior.”

Helena pegou o diário com as mãos trêmulas. As anotações do pai eram concisas, quase telegráficas, mas cada palavra carregava o peso de uma angústia profunda. Ele descrevia as manobras de Armando no mundo dos negócios, as parcerias duvidosas, os negócios obscuros que começavam a emergir. Mencionado o nome de Roberto Almeida com frequência, descrevendo-o como o braço direito de Armando, o homem que executava as ordens mais sujas.

“Armando cada vez mais audacioso. Usa Almeida para intimidar concorrentes. Ouvi boatos de que Eliana estava prestes a expor algo sobre as operações deles. A morte dela foi conveniente demais. Preciso de provas. Preciso proteger Helena.”

Em outra entrada, mais recente:

“Bernardo está me ajudando. Ele é discreto, leal. Confio nele com a minha vida e com o futuro de Helena. Estamos juntando tudo o que podemos. Armando se acha intocável, mas ninguém é. O poder corrompe, e ele está podre até o âmago.”

Helena sentiu uma onda de gratidão misturada com tristeza. Seu pai, em meio a todo aquele sofrimento, havia planejado tudo. Havia trabalhado nas sombras para garantir que ela tivesse uma chance de lutar.

“O que ele descobriu sobre Armando e Almeida?”, perguntou, o olhar varrendo as anotações do pai.

“Seu pai, com a ajuda de Bernardo, descobriu que Armando e Almeida estavam envolvidos em um esquema complexo de lavagem de dinheiro, utilizando empresas de fachada para movimentar fortunas ilícitas. Eliana, aparentemente, descobriu a verdade e estava prestes a denunciá-los. Armando, temendo que ela arruinasse tudo, orquestrou o… o acidente dela.” A palavra soou estranha na voz de Bernardo. A verdade ainda estava envolta em uma névoa de incerteza, mas a suspeita era cruelmente clara.

“Um acidente…”, Helena repetiu, a voz baixa. “Como ela morreu? No diário dela, ela falava em um pressentimento, mas não dizia como.”

“Seu pai nunca soube ao certo os detalhes. Ele acreditava que Armando a havia levado para um local isolado e forjado um acidente. A polícia na época considerou a morte como um trágico acidente de carro. Sem provas, sem testemunhas, o caso foi encerrado.” Bernardo fez uma pausa, respirando fundo. “Mas seu pai nunca acreditou. Ele sabia que Armando era capaz de tudo. E ele passou os últimos anos de sua vida tentando reunir evidências suficientes para incriminá-lo.”

Helena fechou o diário do pai, o coração pesado. A imagem de Armando, o tio que sempre a acolheu com abraços calorosos, agora se transformava em um monstro frio e calculista. A ambição desmedida que a mãe mencionara parecia ser a força motriz por trás de todas as suas ações.

“E o cofre na Suíça?”, perguntou, lembrando-se da chave que Bernardo lhe dera.

“Seu pai o abriu há alguns anos. Ele guardou lá documentos importantes, extratos bancários, cópias de contratos que provam a ligação entre Armando e Almeida, e até mesmo gravações de conversas incriminatórias que ele conseguiu obter. Ele estava esperando o momento certo para usar essas provas, um momento em que você estivesse pronta para assumir o controle e lutar por justiça.”

“E agora é esse momento”, disse Helena, a voz ganhando força. Ela se levantou, sentindo uma energia nova percorrer seu corpo. A fragilidade de antes dava lugar a uma resolução inabalável. “Eu preciso ir à Suíça. Preciso pegar esses documentos. Eu preciso acabar com isso.”

Bernardo concordou. “Eu já tomei as providências. Podemos ir assim que você estiver pronta. Mas devo alertá-la, Helena. Armando é um homem perigoso. Ele tem recursos e influência inimagináveis. Se ele souber que você está procurando por essas provas, ele não hesitará em te silenciar, assim como tentou silenciar sua mãe.”

Um calafrio percorreu a espinha de Helena, mas ela não vacilou. Lembrou-se do rosto de sua mãe na fotografia, da determinação em seus olhos. Lembrou-se das palavras de seu pai, de sua luta solitária.

“Eu sei. Mas eu não tenho medo. Eles tiraram tudo de mim. Eles me roubaram de uma mãe, de um pai que teve que viver com o peso da culpa e do medo. Agora, é a minha vez de lutar. É a minha vez de honrar a memória deles.” Ela olhou para as ruas de pedra de Santa Teresa pela janela, para as casas coloridas que escondiam tantos segredos. “Eu vou à Suíça. E quando eu voltar, Armando Vasconcelos e Roberto Almeida vão enfrentar a justiça.”

A decisão estava tomada. O caminho seria árduo, repleto de perigos desconhecidos, mas Helena sentia que estava finalmente no caminho certo. A herança dos Vasconcelos, manchada por décadas de segredos e traições, agora seria o campo de batalha onde ela lutaria pela verdade.

Compartilhar este capítulo:

เว็บไซต์นี้ใช้คุกกี้

เราใช้คุกกี้เพื่อปรับปรุงประสบการณ์การอ่านนิยายของคุณ วิเคราะห์การเข้าชม และแสดงโฆษณาที่เกี่ยวข้อง รายได้จากโฆษณาช่วยให้เราให้บริการอ่านนิยายฟรีต่อไปได้ อ่านรายละเอียดเพิ่มเติมที่ นโยบายความเป็นส่วนตัว

ตะกร้า eBook

ตะกร้าว่างเปล่า

เพิ่ม eBook ลงตะกร้าเพื่อรับส่วนลดพิเศษ

ส่วนลด Bundle

ซื้อ 3-4 เล่มลด 10%
ซื้อ 5-9 เล่มลด 15%
ซื้อ 10+ เล่มลด 20%