Segredos em Santa Teresa

Capítulo 8 — O Labirinto de Papéis em Genebra

por Thiago Barbosa

Capítulo 8 — O Labirinto de Papéis em Genebra

O voo para Genebra foi longo e silencioso. Helena se sentia em um estado de torpor, a mente a mil por hora, ponderando as palavras de seu pai, as cartas de sua mãe, os perigos que a espreitavam. Ao seu lado, Bernardo mantinha uma postura calma e atenta, como um guarda-costas experiente, seus olhos percorrendo a cabine de tempos em tempos, como se pudesse detectar ameaças invisíveis.

“Você tem certeza que quer fazer isso sozinha, Helena?”, perguntou Bernardo, quebrando o silêncio. “Armando pode ter informantes em todos os lugares.”

Helena assentiu, o olhar fixo na paisagem urbana que se desenrolava abaixo. “Eu preciso fazer isso. Meu pai confiou em você para me trazer aqui, Bernardo. Mas a responsabilidade de recuperar essas provas é minha. Eu preciso encarar isso de frente, por mim, por eles.” Ela apertou a pequena chave prateada em sua mão. “Esta chave é o meu legado. E eu não vou descansar até que a verdade venha à tona.”

Ao chegarem a Genebra, o ambiente era de uma elegância fria e calculista. A cidade, conhecida por sua discrição e sigilo bancário, parecia o esconderijo perfeito para os segredos obscuros que Helena esperava desvendar. O banco escolhido por seu pai, um gigante imponente no coração da cidade, exalava uma aura de poder e exclusividade.

O gerente do banco, um homem esguio com um terno impecável e um sorriso forçado, recebeu-os com a polidez reservada aos clientes de grande porte. Após uma breve verificação de identidade e da chave, ele os conduziu a uma sala privada, discreta e impessoal, onde o cofre de seu pai estava localizado.

Quando a porta pesada do cofre se abriu, Helena sentiu um arrepio. O cheiro de papel velho e de tempo pairava no ar. Pilhas de documentos, pastas bem organizadas, e uma caixa de metal trancada preenchiam o espaço. Seu pai, com sua meticulosidade, havia deixado tudo preparado.

Com as mãos trêmulas, Helena começou a examinar o conteúdo. Havia extratos bancários detalhados de contas numeradas, revelando transferências vultuosas para paraísos fiscais. Cópias de contratos com cláusulas suspeitas, ligando empresas de fachada em nome de laranjas a projetos de construção e investimentos imobiliários de grande escala. E, o mais perturbador, gravações de áudio em fitas de cassete, com títulos enigmáticos como “Conversa com Almeida – Projeto Pôr do Sol” e “O acordo de Mônaco”.

Bernardo, com sua experiência em análise documental, ajudava Helena a organizar o material. “Este esquema é ainda maior do que imaginávamos, Helena. Armando e Almeida não estavam apenas envolvidos em lavagem de dinheiro. Eles parecem estar financiando atividades ilegais de grande porte. E ‘Projeto Pôr do Sol’… o nome não me soa familiar de forma positiva.”

Helena pegou uma das fitas, o coração batendo forte. Ela encontrou um pequeno gravador portátil na caixa e, após alguns ajustes, inseriu a fita. A voz de seu pai, mais jovem e cheia de uma urgência contida, preencheu a sala.

“Armando, você não pode continuar com isso. Eliana descobriu tudo. Ela vai falar. Você precisa parar.”

A voz de Armando respondeu, fria e calculista. “Bobagem, Romeu. Eliana está sendo irracional. Ela não entende a importância do que estamos fazendo. A família Vasconcelos precisa de um legado forte. E esse legado exige sacrifícios. E quanto a você, meu irmão… não se meta onde não é chamado. Ou você pode acabar seguindo o mesmo caminho de Eliana.”

Um silêncio gélido se seguiu à gravação. Helena sentiu o sangue gelar nas veias. A ameaça direta, a frieza na voz de seu tio… era aterrador. Era a prova irrefutável de que ele era um assassino.

“Ele a matou”, sussurrou Helena, as lágrimas escorrendo pelo rosto. “Meu pai sabia. Ele sabia que Armando matou minha mãe.”

Bernardo colocou a mão em seu ombro. “Ele sabia o suficiente para desconfiar profundamente. E ele reuniu essas provas para que a verdade viesse à tona. Não desanime, Helena. Sua mãe não morreu em vão. E seu pai não lutou em vão.”

Eles continuaram vasculhando os documentos. Descobriram que o “Projeto Pôr do Sol” era um plano para desviar fundos públicos destinados a projetos sociais em áreas carentes do Rio de Janeiro, utilizando empresas de fachada para lavar o dinheiro roubado e investir em empreendimentos imobiliários que enriqueceriam Armando e seus cúmplices. O nome de Roberto Almeida aparecia constantemente como o executivo responsável por essas operações sujas.

“Meu Deus”, exclamou Helena, chocada. “Eles roubaram dos mais necessitados. Para financiar a própria ganância.”

Bernardo pegou um envelope com o selo do banco e uma carta datilografada. “Isso é mais recente. Parece ser uma comunicação entre Armando e um advogado. Eles estão discutindo uma maneira de… ‘neutralizar’ quaisquer ameaças remanescentes à operação. E há uma menção a você, Helena. Eles sabem que você retornou ao Brasil. E parecem estar planejando algo.”

O medo, que estava adormecido sob a raiva, ressurgiu com força. Helena leu a carta, o coração disparado.

“Prezado Sr. Vasconcelos, em resposta à sua solicitação, informamos que estamos elaborando um plano para garantir a segurança de seus interesses. A herdeira, Srta. Helena Vasconcelos, representa um risco, especialmente considerando sua proximidade com o advogado Bernardo Guimarães. Sugerimos uma abordagem discreta, que simule um acidente, semelhante ao ocorrido com sua falecida esposa. Estamos avaliando as melhores opções para garantir que não haja rastros que levem de volta a vossa senhoria.”

Helena soltou um grito abafado. A simulação de um acidente. A mesma ameaça que pairava sobre sua mãe. A frieza da crueldade de Armando era insuportável.

“Eles querem me matar também”, disse Helena, a voz tremendo, mas com uma nova força crescendo dentro dela. “Meu pai estava certo. Eles não vão parar. Eu preciso voltar para o Brasil. Eu preciso proteger a mim mesma e expor tudo isso.”

Bernardo fechou a caixa de metal com firmeza. “Eu já organizei tudo. Passagens em nome falso, um carro discreto esperando por nós. Quanto mais rápido sairmos daqui, melhor.”

Enquanto saíam do banco, Helena sentiu os olhos de alguém sobre ela. Um homem parado do outro lado da rua, vestido de forma discreta, mas com um olhar penetrante. Seria um dos homens de Armando? A paranoia começou a se instalar, uma sombra fria que a seguiria em sua jornada de volta para casa.

A verdade estava em suas mãos, mas o preço para expô-la seria alto. Helena sentia o peso de tudo aquilo sobre seus ombros, mas a memória de seus pais, e a imagem de um futuro onde a justiça prevalecesse, a impulsionavam para frente. A batalha contra a escuridão dos Vasconcelos estava apenas começando.

Compartilhar este capítulo:

เว็บไซต์นี้ใช้คุกกี้

เราใช้คุกกี้เพื่อปรับปรุงประสบการณ์การอ่านนิยายของคุณ วิเคราะห์การเข้าชม และแสดงโฆษณาที่เกี่ยวข้อง รายได้จากโฆษณาช่วยให้เราให้บริการอ่านนิยายฟรีต่อไปได้ อ่านรายละเอียดเพิ่มเติมที่ นโยบายความเป็นส่วนตัว

ตะกร้า eBook

ตะกร้าว่างเปล่า

เพิ่ม eBook ลงตะกร้าเพื่อรับส่วนลดพิเศษ

ส่วนลด Bundle

ซื้อ 3-4 เล่มลด 10%
ซื้อ 5-9 เล่มลด 15%
ซื้อ 10+ เล่มลด 20%