O Último Rito da Amazônia

Claro, vamos mergulhar nas profundezas da Amazônia e continuar essa história com a paixão e o drama que ela merece.

por Thiago Barbosa

Claro, vamos mergulhar nas profundezas da Amazônia e continuar essa história com a paixão e o drama que ela merece.

O Último Rito da Amazônia

Capítulo 11 — O Sussurro Antigo na Pedra Rachada

O ar na clareira parecia mais denso, carregado de uma eletricidade palpável, como antes de uma tempestade violenta. A terra, antes úmida e rica, agora exibia rachaduras que serpenteavam como veias secas, um espelho fiel da agonia da floresta. Ana Clara, com a pele marcada pelo suor e pela fuligem, sentia cada fibra do seu ser vibrar com uma mistura de pavor e determinação. O grito da Terra, que ecoara na noite anterior, ainda ressoava em sua alma, um chamado urgente que ela não podia ignorar.

Ao seu lado, o cacique Itamar observava a paisagem desolada com uma dor que transcendia as palavras. Seus olhos, antes tão cheios de sabedoria e serenidade, agora carregavam a sombra de uma perda iminente. "A Guardiã despertou, mas a força que a aflige é antiga, mais antiga que as nossas lendas", ele disse, a voz rouca como o farfalhar de folhas secas. "O ritual da sombra... foi apenas um prenúncio. Agora, a verdadeira batalha começa."

Júlio, o biólogo de olhos perspicazes e coração resiliente, examinava com seu tablet uma das rachaduras que se abria perto de uma árvore centenária. "Os níveis de energia aqui são… anormais", murmurou, quase para si mesmo. "É como se algo estivesse drenando a própria vitalidade do solo. Não consigo correlacionar com nenhum fenômeno natural conhecido." Ele levantou o olhar para Ana Clara, um misto de admiração e preocupação em seu rosto. "Ana, as leituras que você me mostrou ontem… aquelas sobre as flutuações energéticas que só você e o cacique pareciam sentir… elas estão aumentando exponencialmente."

"Não são apenas flutuações, Júlio", respondeu Ana Clara, esfregando os braços como se sentisse um arrepio persistente. "É a dor. A floresta está sangrando. E algo, ou alguém, está absorvendo essa dor." Ela olhou para Itamar. "Cacique, o que mais podemos fazer? O que as antigas histórias dizem sobre como enfrentar essa… drenagem?"

Itamar tocou a terra rachada com a ponta dos dedos calejados. "Nossas lendas falam de um tempo em que a floresta foi ameaçada por um mal que consumia a vida. Um mal que se escondia nas sombras, alimentando-se da própria essência da vida. Para combatê-lo, foi preciso encontrar a Pedra Rachada, o coração de uma antiga energia que, em tempos remotos, foi quebrada pela própria escuridão."

"Pedra Rachada?", repetiu Júlio, intrigado. "Uma formação geológica? Algum tipo de mineral específico?"

"Não é apenas pedra, meu jovem", corrigiu Itamar, com um leve sorriso que não alcançou seus olhos. "É um fragmento de poder. Dizem que, quando a floresta geme de dor, a Pedra Rachada pulsa. E só quem tiver o sangue da floresta correndo em suas veias pode encontrá-la e, talvez, restaurar o equilíbrio."

Ana Clara sentiu um arrepio percorrer sua espinha. Sangue da floresta. A herança de sua avó, os dons que ela lutava para entender e controlar, pareciam agora a única chave. "Onde podemos encontrá-la, cacique?"

Itamar apontou para a densa e sombria mata que se estendia além da clareira. "O caminho é perigoso. A escuridão que se alastra corrompe até os espíritos mais antigos. A Pedra Rachada se esconde em um lugar onde a luz mal ousa tocar, um santuário esquecido, guardado pelas memórias da floresta." Ele olhou para Ana Clara com seriedade. "Você, Ana Clara, carrega em si essa memória ancestral. Sinto isso. O chamado da terra fala através de você. Mas a jornada testará seus limites, sua fé e sua coragem."

Enquanto Itamar falava, um som baixo e gutural ecoou da mata. Um som que não pertencia a nenhum animal conhecido. Júlio franziu a testa, pegando seu equipamento de escuta. "Isso não é… natural", ele sussurrou, ajustando os fones. "A frequência é estranha. E está se aproximando."

Um rosnado profundo, que parecia vir das entranhas da terra, fez o chão tremer levemente. Itamar ergueu sua lança ancestral, os olhos fixos na direção do som. "O mal não quer que busquemos a Pedra Rachada. Ele se manifesta para nos impedir."

De repente, das sombras mais densas da mata, emergiram figuras disformes. Eram criaturas que pareciam ter sido moldadas pelo próprio medo, corpos distorcidos, membros que se contorciam de forma antinatural, olhos brilhando com uma malevolência fria. Não eram animais, nem humanos. Eram a personificação da corrupção que avançava.

"Espíritos corrompidos!", exclamou Itamar. "A sombra os usa como cães de caça!"

Ana Clara sentiu o poder borbulhar dentro de si. Não era mais um sussurro, era um rugido. Ela não era mais apenas uma pesquisadora, uma mulher em busca de respostas. Ela era um elo com a floresta, uma portadora de uma herança antiga. Ela estendeu a mão, não para se defender, mas para se conectar.

"Vocês não passarão!", disse ela, sua voz ressoando com uma força inesperada. A energia em torno dela começou a vibrar, formando um escudo translúcido. As criaturas hesitaram, como se a luz pura de sua intenção as ferisse.

Júlio, apesar do medo em seu peito, não vacilou. Ele pegou um rifle de contenção que usava para capturar espécimes perigosos e ativou um dispositivo sônico de alta frequência. "Precisamos ganhar tempo!", gritou ele.

Itamar avançou com a lança, um guerreiro ancestral em sua essência, enfrentando as criaturas que se aproximavam. A batalha começou ali, sob o céu opressivo, em meio à terra moribunda. Ana Clara sentiu a força da floresta fluir através dela, um torrente de vida tentando repelir a escuridão. A Pedra Rachada. A esperança. Ela precisava encontrá-la. A jornada se tornara uma corrida contra o tempo, uma luta pela alma da Amazônia.

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