O Último Rito da Amazônia

O Último Rito da Amazônia

por Thiago Barbosa

O Último Rito da Amazônia

Capítulo 21 — A Sombra que Sussurra

A chuva caía incessante sobre Manaus, um véu espesso e cinzento que parecia chorar junto com a cidade. No apartamento luxuoso de Helena, o silêncio era tão palpável quanto a ansiedade que a consumia. As últimas horas haviam sido um turbilhão de medo e incerteza. A notícia da fuga de Dr. Antunes, o homem que um dia acreditou ser seu mentor e que agora se revelava um monstro, ecoava em sua mente como um trovão distante, mas ameaçador.

Ela se sentou à beira da cama, o edredom de seda frio contra sua pele. O quarto, antes um refúgio de paz e sofisticação, agora parecia um palco de pesadelos. As sombras dançavam nos cantos, alimentadas pela pouca luz que entrava pela janela embaçada. Cada rangido do prédio, cada sussurro do vento, parecia carregar a ameaça que Antunes representava.

Na noite anterior, o telefonema de Marcos a deixou em estado de choque. A informação sobre o plano de Antunes para concretizar o "último rito" – um ritual sombrio com consequências inimagináveis – era aterradora. Ele não estava apenas fugindo; estava em busca de algo, ou alguém, para completar sua obra macabra. E Helena sabia, com um arrepio gélido que percorreu sua espinha, que ela era a chave.

"Você não pode me deixar cair, Marcos", ela murmurou para o vazio, as lágrimas finalmente rompendo a barragem de sua força. A fragilidade de sua situação se tornou insuportável. Ela, uma mulher acostumada a controlar cada aspecto de sua vida, sentia-se completamente à deriva. O poder que Antunes detinha, um conhecimento ancestral e obscuro, a assustava mais do que qualquer ameaça física. Ele não queria apenas vingança; ele buscava o controle, a dominação através de um poder que transcendia o mundano.

O celular vibrou em sua mão, quebrando a melancolia. Era Marcos. Seus dedos tremeram ao desbloquear a tela.

"Helena? Você está bem?" A voz de Marcos soou rouca de preocupação, um bálsamo para a alma atribulada dela.

"Eu… eu não sei, Marcos. Estou com medo. Ele sabe onde estou. Ele sabe o que eu represento para ele." A voz dela falhou.

"Eu sei. Ele está mais perto do que imaginamos. Mas você não está sozinha. Eu já acionei a segurança máxima. Ninguém entra aqui sem minha autorização."

"Mas isso é suficiente? Ele é… ele é diferente, Marcos. Ele fala de coisas que não entendo, de um poder que… que me assusta."

Marcos hesitou por um instante, sua voz ganhando uma seriedade que Helena nunca ouvira antes. "Helena, você precisa confiar em mim. Ele manipula as pessoas, usa o medo como arma. Mas você tem uma força interior que ele subestima. E eu não vou deixar que ele use você."

"Ele me usou por anos, Marcos. Me moldou, me ensinou… e agora quer me destruir ou me usar para seus propósitos. Eu não sei qual é pior." A amargura em sua voz era evidente. A traição de Antunes não era apenas profissional, era pessoal, um golpe nas fundações de sua própria identidade.

"Eu sei que é difícil. Mas você é mais forte do que ele pensa. Pense no que você descobriu. A verdade sobre os ritos, sobre a origem do poder dele. Essa é a sua arma."

Helena fechou os olhos, tentando se concentrar nas palavras de Marcos. Ele a estava ajudando, estava ali por ela. Isso era um consolo imenso. "Eu pensei em tudo que ele me ensinou. Os símbolos, as canções antigas… tudo parece ter um significado mais profundo agora. Ele não estava apenas me educando, ele estava me preparando. Para quê, Marcos?"

"Para o rito, Helena. Ele precisa de você. E nós vamos impedi-lo. Fique onde está. Não saia por nada. Eu estou a caminho."

A ligação caiu, deixando Helena novamente imersa em seus pensamentos. A chuva lá fora intensificou-se, acompanhando a tempestade em seu interior. Ela se levantou e foi até a janela. O reflexo de seu próprio rosto, pálido e assustado, a encarou de volta. Mas havia algo mais ali, uma centelha de determinação que começava a acender. Ela não seria uma vítima. Ela lutaria. Lutaria por si mesma, por Marcos, e por todos aqueles que Antunes ameaçava.

Enquanto isso, a quilômetros dali, em um esconderijo improvisado na selva densa, Dr. Antunes observava um mapa antigo, iluminado pela luz fraca de uma lanterna. Seus olhos brilhavam com uma intensidade febril. A fuga fora planejada meticulosamente, e agora, a fase final de seu plano estava prestes a começar. A chuva tropical, grossa e constante, batia nas folhas das árvores, criando uma sinfonia selvagem que ecoava a fúria em seu coração.

Ele pegou um objeto que repousava em uma mesa rústica: um amuleto de jade, polido pelo tempo, com inscrições em uma língua esquecida. Era a chave para desbloquear o poder que ele tanto almejava. Ele sentia a energia pulsando em suas mãos, uma força ancestral que o chamava.

"Helena… minha doce pupila", ele sussurrou para si mesmo, um sorriso cruel se formando em seus lábios. "Você não entende a magnitude do que está por vir. Você é a peça final, a consumação do meu destino."

Ele sabia que Helena estava em Manaus, sob a proteção de Marcos. Mas isso não o preocupava. A teia que ele tecera era vasta e complexa. Havia outros meios, outros caminhos para alcançá-la. Ele não precisava da força bruta; ele usaria a inteligência, a manipulação, a sua própria influência sutil para atraí-la para a armadilha.

Um de seus seguidores, um homem corpulento e com um olhar vazio, entrou na cabana. "Doutor, os guias chegaram. Estão prontos."

Antunes assentiu, seus olhos fixos no amuleto. "Excelente. A jornada para o coração da floresta começa. O último rito espera."

Ele se virou para o seguidor, uma sombra de ameaça em sua voz. "E lembre-se, a garota é crucial. Nada deve acontecer com ela antes da hora. Ela precisa estar viva e intacta para o ritual."

"Entendido, Doutor. Ela será nossa prioridade."

Antunes riu, um som seco e sem alegria. "Não a minha prioridade, meu caro. A prioridade é o rito. Ela é apenas uma ferramenta, embora uma ferramenta poderosa."

Ele pegou uma mochila de couro desgastado e a vestiu. O cheiro de terra molhada e de plantas exóticas invadia o ar. A floresta o chamava, e ele atendia ao seu chamado com a ânsia de um predador em busca de sua presa. O mundo logo conheceria o poder que ele despertaria, um poder capaz de reescrever a própria realidade. E Helena seria a testemunha, ou melhor, o sacrifício, de sua ascensão. A sombra de Antunes, agora solta e faminta, se estendia pela Amazônia, pronta para consumir tudo em seu caminho.

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