O Último Rito da Amazônia

Capítulo 23 — O Coração da Floresta

por Thiago Barbosa

Capítulo 23 — O Coração da Floresta

A retirada da clareira foi tensa e sangrenta. Dois dos homens de Marcos estavam feridos, mas graças à agilidade e liderança de seu chefe, o grupo conseguiu se reagrupar em uma posição mais defensiva. Helena, apesar do susto e da adrenalina, sentia uma força renovada. A visão do símbolo ancestral nas pinturas corporais dos nativos confirmou suas piores suspeitas: Antunes não apenas manipulava informações, ele manipulava crenças, usando o conhecimento antigo como arma.

"Ele os transformou em seus guardiões", disse Helena, ofegante, enquanto ajudava Marcos a cuidar de um dos feridos. "Ele usou os medos deles, a reverência deles pela floresta, para nos pintar como os invasores."

Marcos assentiu, o rosto contraído de preocupação. "Ele é perigoso. Usa tudo ao seu alcance. Mas isso significa que ele está se movendo para um lugar de significado para eles. Um lugar sagrado, talvez."

O dispositivo de rastreamento de Antunes, que Marcos havia conseguido instalar em seus equipamentos antes da fuga, mostrava um ponto que se movia lentamente para o interior, em direção a uma área marcada em mapas antigos como "O Santuário das Águas Sussurrantes". Era uma região de difícil acesso, conhecida por suas cachoeiras escondidas e formações rochosas ancestrais.

"O Santuário das Águas Sussurrantes…", Helena murmurou, uma lembrança vindo à tona. Antunes falava sobre esse lugar com um brilho nos olhos, descrevendo-o como o epicentro de energias poderosas. Ele a chamava de "o ponto de convergência", o local onde as energias da terra se manifestavam com mais força.

"É lá que ele vai realizar o rito", Helena declarou com convicção. "É o lugar que ele preparou."

Marcos olhou para ela, a seriedade em seus olhos se intensificando. "Então é para lá que vamos. Mas não vamos sozinhos. Precisamos de mais homens, de equipamento adequado. Essa floresta é implacável."

Enquanto Marcos se comunicava com sua base em Manaus para organizar o reforço, Helena se afastou um pouco, observando a vegetação ao redor. A floresta parecia pulsar com uma energia própria, uma força que ela nunca havia percebido antes. Os sons dos animais, o farfalhar das folhas, o murmúrio distante de um rio. Tudo parecia conectado, parte de um todo maior. Ela sentia a força de Antunes, sua ambição sombria tentando subjugar essa energia vital.

A chegada dos reforços foi rápida. Um novo helicóptero trouxe mais seis homens armados e suprimentos. A equipe agora estava mais preparada para enfrentar os desafios da selva e a hostilidade de possíveis grupos nativos manipulados.

A jornada até o Santuário das Águas Sussurrantes foi árdua. Eles caminharam por horas, a vegetação cada vez mais densa, o terreno mais acidentado. A chuva intermitente tornava o solo escorregadio e perigoso. Helena, guiada pelas instruções de Marcos e por suas próprias memórias sobre os ensinamentos de Antunes, se mostrava surpreendentemente resiliente. Ela não era apenas uma observadora; ela estava ativamente participando da busca, seus conhecimentos sobre a floresta e seus segredos sendo cruciais.

"Ele está acelerando", disse Marcos, olhando para o rastreador. "Ele sabe que estamos perto. Ele está se apressando para terminar o rito antes que possamos impedi-lo."

O som distante de água caindo se tornou mais audível, um rugido crescente que ecoava entre as árvores. Logo, eles emergiram em uma paisagem de tirar o fôlego. Uma cachoeira imponente despencava de um penhasco de rocha avermelhada, formando um lago cristalino em sua base. A névoa da água criava um arco-íris perpétuo, e a luz do sol, filtrada pela copa das árvores, criava um espetáculo etéreo. Era um lugar de beleza selvagem e poder palpável.

"O Santuário das Águas Sussurrantes", Helena sussurrou, maravilhada e apreensiva. Ela reconheceu o local pelas descrições de Antunes. Era ali.

No centro do lago, em uma pequena ilha rochosa, havia um altar rudimentar, feito de pedras antigas. E ali, estava Dr. Antunes. Ele estava de costas para eles, vestindo suas roupas escuras, mas agora adornado com o amuleto de jade em seu pescoço. Ele parecia estar entoando palavras em uma língua que Helena não reconhecia, mas que ressoava com uma força antiga.

"Ele já começou", disse Marcos, sua voz tensa. "Precisamos interceptá-lo."

Mas antes que pudessem dar um passo, figuras surgiram das sombras da floresta ao redor do lago. Eram os nativos, desta vez em maior número, seus corpos pintados, empunhando arcos, lanças e porretes de guerra. Seus rostos não demonstravam raiva, mas sim uma determinação sombria, quase religiosa.

"Eles estão protegendo o rito", Helena percebeu, seu coração apertando. "Antunes os convenceu que ele é o guardião, e nós, os profanadores."

"Precisamos falar com eles!", Marcos ordenou. "Precisamos mostrar que não viemos para machucar!"

Ele deu um passo à frente, as mãos erguidas em sinal de paz. "Nós não queremos lhes fazer mal! Viemos deter um homem que manipula sua terra e suas crenças!"

As palavras de Marcos pareciam ignoradas. Os nativos responderam com um grito uníssono, e os arcos foram armados. Flechas começaram a voar em direção ao grupo de Marcos. A batalha era inevitável.

Enquanto os homens de Marcos abriam fogo de retorno, de forma controlada para evitar mortes, Helena sentiu uma distração sutil. Antunes, em seu altar, virou-se lentamente. Seus olhos, agora brilhando com uma luz febril, encontraram os dela. Um sorriso de triunfo se espalhou por seu rosto.

"Helena!", sua voz ressoou pela clareira, estranhamente amplificada pelo som da cachoeira. "Você veio! Eu sabia que viria. Você é a peça final, a consumação do meu destino!"

Ele levantou o amuleto de jade. "Com você aqui, o rito estará completo. O poder será meu!"

Helena sentiu um misto de repulsa e desespero. Ela não era uma peça; ela era uma pessoa, com livre arbítrio, com uma escolha. Ela olhou para Marcos, que lutava para manter a linha de defesa, e depois para Antunes, em seu altar, envolto em uma aura de poder sombrio.

"Eu não sou sua peça, Antunes!", Helena gritou de volta, sua voz cheia de fúria e dor. "Eu sou a sua ruína!"

Uma nova força a invadiu, uma energia que parecia vir da própria floresta, da cachoeira, da terra sob seus pés. Era a energia que Antunes tentava dominar, mas que agora parecia se revoltar contra ele, e, estranhamente, através dela.

No meio do caos, Helena percebeu algo crucial. O altar de Antunes não era apenas um lugar de poder; era um ponto focal. E o amuleto de jade, a chave que ele segurava, era o catalisador. Se ela pudesse alcançar o altar, talvez pudesse interferir no rito.

Ela tomou uma decisão. Ignorando as flechas que passavam perigosamente perto, Helena correu em direção ao lago. A água fria a envolveu, mas ela não sentiu o frio. A adrenalina a impulsionava.

"Helena, não!", Marcos gritou, percebendo sua intenção.

Mas ela não parou. Nadou com todas as suas forças em direção à pequena ilha rochosa. Antunes, percebendo sua aproximação, riu, um som desprovido de qualquer humanidade.

"Tola! Você não pode detê-lo! Você não pode deter o destino!"

Ele levantou o amuleto, e uma onda de energia escura emanou dele, atingindo Helena em cheio. Ela sentiu como se seu corpo estivesse sendo dilacerado, mas a força que a impulsionava era maior. Ela alcançou a ilha rochosa, cambaleando, mas determinada.

Diante de Antunes, com o altar pulsando com uma energia sinistra, Helena sentiu a verdadeira natureza do "último rito" se revelar. Não era apenas sobre poder; era sobre controle, sobre distorcer a ordem natural do mundo. E ela estava ali para impedi-lo. O destino da Amazônia, e talvez do mundo, dependia da sua coragem.

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