O Preço da Lealdade

Capítulo 18 — O Jogo de Poder de Rafael

por Rodrigo Azevedo

Capítulo 18 — O Jogo de Poder de Rafael

O silêncio na cobertura de Helena era ensurdecedor. A ausência de Alessandro, mesmo que temporária, deixava um vazio palpável. Ela se movia pela casa como um fantasma, cada canto lembrando-a dele, de suas risadas, de seus beijos, mas agora também das sombras que ele carregava. A conversa com Sofia e a notícia da morte de Dantas pesavam em sua mente, intensificando a turbulência interna que a levou a pedir um tempo.

Enquanto isso, em um luxuoso escritório com vista para a movimentada Avenida Paulista, Rafael observava um mapa estratégico da cidade. Cada ponto marcado representava um território, uma influência, um jogo de poder que ele vinha tecendo com maestria e crueldade. O assassinato de Dantas não o pegou de surpresa; na verdade, era um movimento calculado em sua longa e meticulosa ascensão.

Seu braço direito, um homem calado e eficiente chamado Bruno, entrou na sala com um tablet. “Senhor, as informações sobre a movimentação de Alessandro estão sendo compiladas. Ele está mais isolado do que nunca desde a discussão com a senhorita Helena.”

Rafael sorriu, um sorriso frio e sem emoção. “Excelente, Bruno. A fragilidade é a nossa maior arma. E a dor… ah, a dor é um catalisador poderoso.” Ele olhou para a foto de Helena que estava em sua mesa, um sorriso maroto brincando em seus lábios. “Helena… a peça que Alessandro mais preza. E, portanto, o seu calcanhar de Aquiles.”

“O que faremos, senhor?”, Bruno perguntou, aguardando ordens.

“Nós vamos continuar a tecer a nossa teia. Alessandro pensa que está protegendo Helena, mas ele a está apenas colocando mais perto da minha mira. A desconfiança que ele plantou nela… isso é música para os meus ouvidos.” Rafael deu um gole em seu uísque. “Precisamos garantir que essa desconfiança floresça. Que ela veja Alessandro não como um protetor, mas como um criminoso, um assassino.”

“Como faremos isso, senhor?”, Bruno insistiu.

“Precisamos de um pequeno incentivo. Algo que reforce as dúvidas dela. Um vazamento anônimo para a imprensa, talvez? Uma acusação sutil, mas convincente, sobre a morte de Dantas. Algo que a faça questionar a integridade de Alessandro de uma vez por todas.” Rafael fez uma pausa, pensativo. “E precisamos garantir que ela se sinta sozinha, vulnerável. Alguém que possa oferecer um ombro amigo… e que possa, discretamente, sussurrar as verdades inconvenientes.”

Um nome surgiu na mente de Rafael. Alguém que, embora não diretamente ligado à máfia, possuía acesso e influência suficientes para se infiltrar na vida de Helena.

Enquanto isso, Helena tentava se reconectar com seu mundo antes de Alessandro. Ela ligou para sua amiga de infância, Clara, uma advogada com um senso de justiça inabalável, mas que sempre manteve uma distância cautelosa do mundo de Alessandro.

“Clara, você está livre para um café?”, Helena perguntou, a voz soando fraca.

“Claro, meu anjo. O que houve? Você parece abatida.” Clara percebeu a urgência na voz da amiga.

No café aconchegante onde se encontraram, Helena desabafou. Contou sobre a confissão de Alessandro, sobre a sua envolvimento com o submundo, sobre a morte de Dantas, e sobre a sua crescente desconfiança. Clara a ouviu atentamente, a expressão de preocupação crescendo a cada palavra.

“Helena, eu te avisei. Eu sempre senti que havia algo obscuro em volta de Alessandro. Ele é bonito, charmoso, mas o mundo dele… nunca me pareceu limpo.” Clara segurou a mão dela. “Mas você o ama, não é?”

“Eu amava, Clara. Ou amava a versão dele que eu conhecia. Agora… eu não sei mais o que sentir. Ele me machucou com a mentira, e agora essa história de matar pessoas… eu não consigo conciliar os dois.” As lágrimas voltaram aos seus olhos. “E se ele realmente for capaz de fazer isso? Se ele for um assassino?”

“Eu não sei te responder isso, Helena. Mas eu sei que você merece a verdade. E se ele estiver mentindo, ou pior, se ele for culpado, você precisa saber. E precisa se proteger.” Clara fez uma pausa. “Eu posso tentar te ajudar a descobrir mais. Tenho alguns contatos que podem ser discretos. Mas você precisa estar preparada para o que encontrar.”

“Eu não sei se estou preparada para nada, Clara”, Helena confessou, a voz embargada. “Eu só sei que me sinto perdida.”

Nesse exato momento, o celular de Clara tocou. Era uma mensagem anônima, com um link para um artigo de um blog duvidoso. O título era: “O Lado Sombrio do Empresário Alessandro Rossi: Ligado à Morte do Importante Dantas?”. O artigo continha insinuações vagas, mas sugestivas, sobre o envolvimento de Alessandro em atividades criminosas e como ele poderia ter sido o mandante da morte de Dantas para silenciá-lo.

Clara leu o artigo, seu rosto pálido. Ela o mostrou para Helena, que ficou chocada. “Isso… isso não pode ser verdade. É uma calúnia!”

“É uma calúnia que está circulando, Helena. E que vai alimentar todas as suas dúvidas. Alguém está jogando sujo para desestabilizar Alessandro. E, infelizmente, o alvo principal é você.” Clara percebeu a estratégia por trás do ataque.

Rafael, em seu escritório, observava a movimentação. Bruno lhe passou um relatório sobre a publicação do artigo e a reação de Helena. “Ela está abalada, senhor. E a senhorita Clara está ao lado dela, tentando dar apoio. Mas essa influência pode ser uma faca de dois gumes.”

“Não, Bruno. Clara é uma boa amiga, mas não conhece a profundidade da escuridão que Alessandro habita. E Helena… ela ama Alessandro. Esse amor, por mais que ela tente negá-lo, a torna vulnerável. E nós vamos explorar isso.” Rafael sorriu novamente. “Precisamos de mais um empurrãozinho. Um encontro ‘acidental’ entre Helena e alguém que possa jogar lenha na fogueira. Alguém que Alessandro tenha traído no passado, e que esteja sedento por vingança.”

A noite caiu sobre São Paulo, trazendo consigo a promessa de novas manipulações. Rafael estava no controle, orquestrando cada movimento com a precisão de um mestre do xadrez. Alessandro, enredado em seus próprios demônios e em conflito com Helena, estava em sua mira. E Helena, dividida entre o amor e a desconfiança, era a peça central desse perigoso jogo de poder. O veneno da dúvida estava se espalhando, e Rafael estava determinado a ver Alessandro cair, mesmo que isso significasse destruir a mulher que ele jurou proteger.

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