O Preço da Lealdade

Capítulo 4 — A Teia de Mentiras

por Rodrigo Azevedo

Capítulo 4 — A Teia de Mentiras

A notícia do desaparecimento de Elena Rossi se espalhou como um incêndio pelos corredores do submundo paulistano. Para Miguel Varella, era como se o chão tivesse se aberto sob seus pés. A imagem de Elena, a mulher que ele amava com uma intensidade que o assustava, em perigo, o consumia por dentro. Ele não podia descansar. Cada minuto que passava era um minuto a mais de sofrimento para ela.

Rafael, com a eficiência implacável que Miguel tanto prezava, já havia iniciado a investigação. Informantes foram contatados, becos escuros e bares de reputação duvidosa foram vasculhados em busca de qualquer fio solto que pudesse levar a Elena. A rede de informações de Miguel, construída ao longo de anos de poder e respeito, começou a se movimentar.

"Miguel," Rafael disse, entrando no escritório com um envelope nas mãos. O suor em sua testa indicava a corrida contra o tempo. "Temos algo. Um dos nossos informantes em Santos nos disse que um grupo de homens ligados aos Ferraro foi visto agindo de forma suspeita na noite em que Elena desapareceu. Eles estavam na região próxima ao porto, observando."

Miguel fechou os olhos por um instante, a mandíbula tensa. Giovanni Ferraro. Aquele homem desprezível, com sua sede insaciável por poder e sua crueldade característica, era agora o principal suspeito. Miguel sabia que Giovanni nunca o perdoaria pelo confronto no cais. E usar Elena como peão naquela disputa era um golpe baixo, digno de sua índole traiçoeira.

"Os Ferraro," Miguel murmurou, mais para si mesmo do que para Rafael. "Eu sabia que eles não ficariam quietos."

Ele abriu os olhos, a raiva começando a se misturar com a preocupação. "Precisamos confirmar isso. Quem eram esses homens? Onde eles estão agora?"

"Nosso contato não conseguiu identificar os rostos com certeza. Eram homens desconhecidos na área, o que é estranho para os Ferraro. Geralmente, eles usam suas próprias tropas. E eles sumiram como fumaça. Ninguém mais os viu."

Miguel levantou-se e começou a andar pela sala, seus passos ressoando no piso de madeira nobre. A cada passo, o plano começava a se formar em sua mente. Ele não podia atacar Giovanni diretamente, não ainda. A vida de Elena estava em jogo, e um ataque precipitado poderia selar seu destino. Ele precisava de cautela, de estratégia.

"Precisamos de mais informações, Rafa. Precisamos saber se Elena está em São Paulo ou se foi levada para outro lugar. Precisamos saber o que eles querem." Miguel parou em frente à janela, o olhar fixo no horizonte cinzento da cidade. "E precisamos usar a lealdade deles contra eles mesmos."

Ele se virou para Rafael, um brilho perigoso em seus olhos azuis. "Giovanni Ferraro acredita que me provocou no cais. Ele acredita que me humilhou. Mas ele não sabe nada sobre humilhação. Ele não sabe nada sobre o que significa ser leal até o fim."

Miguel pegou o telefone. "Ligue para alguns dos nossos contatos na polícia. Precisamos de informações sobre as movimentações recentes dos Ferraro. Quem está trabalhando para eles, quem eles estão contatando. E preciso de acesso aos registros de câmeras de segurança em alguns pontos chave da cidade. Quero saber onde eles estiveram nos últimos dias."

Rafael assentiu. "E quanto a Rossi? Ele está esperando notícias."

Miguel fez uma careta. Ricardo Rossi era um problema em si mesmo. Um homem implacável, com seus próprios interesses obscuros. Se ele descobrisse que Miguel estava trabalhando com os Ferraro, ou pior, que Miguel estava usando os Ferraro para encontrar Elena, a situação poderia se tornar ainda mais volátil.

"Diga a Rossi que estamos trabalhando nisso," Miguel respondeu, sua voz calma, mas com um tom de urgência. "Diga a ele que a segurança de Elena é minha prioridade. E que ele não interfira. Não agora."

Ele pegou um pequeno dispositivo de gravação de áudio e o colocou no bolso. "Eu vou fazer uma visita a um velho amigo. Um que conhece os segredos de Giovanni Ferraro."

O "velho amigo" de Miguel era um homem chamado Ciro, um ex-membro da família Ferraro que havia sido expulso e se tornado um informante discreto para Miguel. Ciro era um homem amargurado, com um profundo ódio por Giovanni, mas também com um instinto de sobrevivência aguçado.

Miguel dirigiu até um bairro mais afastado, onde as casas eram menores e as ruas mais estreitas. O apartamento de Ciro era pequeno e sem luxos, um reflexo de sua vida reclusa. Miguel bateu na porta, e após alguns segundos, ela se abriu, revelando o rosto franzido de Ciro.

"Miguel," Ciro disse, surpreso, mas sem demonstrar muito afeto. "O que te traz aqui?"

"Preciso de informações, Ciro. Sobre Giovanni Ferraro."

Ciro convidou Miguel para entrar, servindo-lhe um café amargo. O apartamento exalava um cheiro de poeira e de solidão. "O que você quer saber?"

Miguel contou a Ciro sobre o desaparecimento de Elena e a suspeita de envolvimento dos Ferraro. Ciro ouviu atentamente, seus olhos escuros analisando cada palavra de Miguel.

"Giovanni sempre foi um canalha," Ciro disse, depois de um longo silêncio. "Ele não tem escrúpulos. Usar a filha do homem que ele quer destruir para atingir você... é típico dele."

"Você sabe onde ele estaria escondendo alguém como Elena?" Miguel perguntou, a esperança de encontrar uma pista crescendo em seu peito.

Ciro pensou por um momento, esfregando a barba rala. "Giovanni tem um antigo galpão abandonado na zona portuária. Poucos sabem disso. Ele o usa para... negócios sujos. Lugar perfeito para manter alguém escondido. E longe dos olhos curiosos."

"Você sabe como chegar lá?"

Ciro assentiu. "Eu sei. Mas ir lá sozinho é suicídio, Miguel. Giovanni não brinca em serviço."

"Eu não vou sozinho," Miguel disse, o olhar fixo em Ciro. "Você vai me guiar."

Ciro hesitou. Ele havia jurado ficar longe dos negócios Ferraro. Mas Miguel Varella era um homem com quem ele não podia discutir. A lealdade que Miguel inspirava em seus homens era lendária, e Ciro sabia que Miguel não o abandonaria se algo desse errado.

"Certo," Ciro concordou, um suspiro escapando de seus lábios. "Mas faremos isso do meu jeito. Sem alarde. Sem violência desnecessária. Precisamos tirar Elena de lá sem que Giovanni saiba que fomos nós."

Miguel assentiu. A lealdade de Ciro, mesmo que motivada por vingança, era um trunfo. Ele sabia que, juntos, eles poderiam ter uma chance. A teia de mentiras que Giovanni Ferraro havia tecido estava prestes a ser desfeita. E Miguel estava determinado a resgatar Elena, custasse o que custasse. O preço da lealdade, ele sabia, podia ser a própria vida. Mas o amor por Elena o impulsionava, mais forte do que qualquer medo. A noite em São Paulo, agora, carregava a promessa de um confronto, de uma luta pela liberdade e pelo amor.

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