O Preço da Lealdade

Capítulo 8 — A Noite no Cais

por Rodrigo Azevedo

Capítulo 8 — A Noite no Cais

A ansiedade de Isabella era uma corrente elétrica que percorria seu corpo. As horas que antecederam a noite no cais se arrastaram com uma lentidão agonizante. Cada minuto parecia um século, cada som, um prenúncio. Ela tentava se concentrar em seu trabalho, em seu dia a dia, mas sua mente vagava incessantemente para o galpão e para a promessa de Matteo. As palavras dele ecoavam em seus ouvidos: “Observe. Veja quem seu amado Leo realmente é.”

Dona Clara, como sempre, percebeu a inquietação da filha.

“Você está bem, querida? Parece distante hoje.”

“Estou bem, mãe. Só um pouco cansada.” Isabella forçou um sorriso. Como poderia explicar a verdade? Que ela estava prestes a se aventurar em um território perigoso, movida pela desconfiança em seu próprio noivo e pela atração por um homem envolto em mistério?

Leo ligou mais cedo naquele dia. Sua voz, sempre otimista e cheia de planos, parecia soar um pouco mais tensa.

“Amor, tenho um compromisso importante hoje à noite. Negócios urgentes no Rio. Não sei se conseguirei falar com você depois.”

Isabella sentiu um nó na garganta. A urgência nos negócios de Leo, a viagem de última hora… tudo se encaixava de forma sinistra com as palavras de Matteo.

“Tudo bem, meu amor. Tome cuidado.” A voz dela soou mais fria do que ela pretendia.

“Eu te amo, Isabella. Logo estaremos juntos, planejando nosso futuro.” A promessa soou oca para Isabella, um eco distante de um sonho que começava a ruir.

Quando a noite caiu, Isabella se vestiu com um conjunto discreto, mas elegante. Pegou seu carro e dirigiu em direção ao cais. O coração batia forte no peito, um tambor incessante contra suas costelas. Ela estacionou a uma distância segura, as luzes da cidade refletindo na água escura do porto. O ar estava carregado de um cheiro salgado e de uma tensão palpável.

Ela viu. Vários homens reunidos perto de um armazém, suas silhuetas escuras contra a luz fraca. E lá estava Leo, conversando com um homem corpulento, cujo rosto ela não conseguia distinguir. A forma como Leo gesticulava, a urgência em seus movimentos, confirmavam as palavras de Matteo. Ele não estava no Rio. Ele estava ali, envolvido em algo que ele havia escondido dela.

De repente, uma figura emergiu das sombras. Matteo. Ele se aproximou de Isabella, seu olhar fixo na cena que se desenrolava à frente.

“Eu disse que você veria.” A voz dele era baixa, desprovida de emoção.

“Isso… isso não é verdade. Leo não faria isso.” Isabella murmurou, negando a realidade que se apresentava diante de seus olhos.

“Não é? Ele está fazendo um acordo, Isabella. Um acordo que vai manchar o nome da família dele, e o seu também. Um acordo com pessoas perigosas.” Matteo apontou discretamente para o homem corpulento. “Aquele é o ‘Scarface’. Um dos mais temidos na região. Leo está se metendo em águas profundas demais, e ele está arrastando você junto.”

Isabella sentiu o chão sumir sob seus pés. A imagem de Leo, seu noivo, o homem que ela amava, se desfez em mil pedaços. As promessas, os planos, o futuro… tudo parecia uma grande farsa.

“Por que… por que ele faria isso?” A voz dela estava embargada pela emoção.

“Por dinheiro, Isabella. Por poder. Por uma ambição cega que o consome. E ele acha que pode controlar tudo. Mas ele não pode.” Matteo olhou para ela, e pela primeira vez, ela viu algo em seus olhos além de perigo. Uma sombra de preocupação, talvez? Ou apenas a frieza calculada de quem conhece a natureza humana em sua pior forma.

“E você? O que você faz?” Isabella perguntou, a voz trêmula.

“Eu sou o que ele não quer que você veja. Eu opero onde a lei não alcança. Eu garanto que os acordos sejam honrados, de uma forma ou de outra.” A resposta era evasiva, mas Isabella sentiu o peso da verdade nela. Ele era o lado sombrio que Leo tentava esconder, o preço que a família dele estava disposta a pagar por seus negócios.

De repente, a tensão na cena aumentou. Leo e ‘Scarface’ pareciam estar discutindo. A voz de Leo, antes calma, agora era alta e agressiva. Isabella sentiu um arrepio de medo.

“Ele está perdendo o controle. Isso é perigoso.” Matteo se aproximou um pouco mais, sua mão pousando levemente no braço de Isabella, um gesto que parecia mais de proteção do que de posse. “Precisamos ir embora. Agora.”

Antes que Isabella pudesse reagir, um barulho alto ecoou pelo cais. Tiros. Gritos. Pânico. A confusão tomou conta da cena. Homens corriam em todas as direções. Leo parecia paralisado, olhando em choque para o caos que ele mesmo havia criado.

“Eu te disse que era perigoso!” Matteo puxou Isabella para longe, guiando-a rapidamente em direção ao carro. A adrenalina tomou conta dela, o medo paralisante se transformando em um instinto de sobrevivência.

Eles entraram no carro e Matteo acelerou, deixando para trás o caos e a cena que havia destruído o mundo de Isabella. O silêncio no carro era pesado, quebrado apenas pela respiração ofegante de ambos.

“Você… você sabia que isso ia acontecer?” Isabella perguntou, a voz ainda embargada.

“Eu sabia que Leo era imprudente. Que ele se meteria em problemas. Mas não sabia que seria assim.” Matteo respondeu, seus olhos fixos na estrada. “Ele pensou que podia enganar a todos. Pensou que podia brincar com fogo sem se queimar.”

Isabella encostou a cabeça no banco, sentindo-se exausta e desolada. Tudo em que acreditava havia se desmoronado. Leo não era o homem que ela pensava. Ele era um mentiroso, um ambicioso perigoso. E Matteo… Matteo era a escuridão que ela temia, mas que, de alguma forma, parecia mais honesta naquele momento. A lealdade a Leo havia sido quebrada. E a conexão com Matteo, por mais perigosa que fosse, se tornara um farol na escuridão.

“O que eu faço agora?” A pergunta escapou de seus lábios, um lamento desesperado.

Matteo estacionou o carro em uma rua deserta. Ele se virou para Isabella, seu olhar intenso.

“Você tem duas opções. Pode voltar para o seu mundo, fingir que nada aconteceu, e se casar com um mentiroso. Ou pode encarar a verdade e descobrir quem você realmente é. E eu… eu posso te ajudar a fazer isso.”

A oferta pairou no ar, um convite para um novo caminho. Um caminho sombrio, perigoso, mas talvez, o único caminho para a verdadeira liberdade. Isabella olhou para Matteo, para seus olhos que pareciam ler sua alma. Ela havia perdido a lealdade a Leo. Agora, precisava descobrir a quem ou a que sua lealdade realmente pertencia. E, pela primeira vez, essa dúvida não a assustava. A noite no cais havia sido um rito de passagem, um fim e um começo.

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