Sangue, Seda e Pecado

Capítulo 13 — O Jogo de Sombras

por Eduardo Silva

Capítulo 13 — O Jogo de Sombras

O confronto com Ricardo deixou Sofia atordoada. A confirmação de que seu pai havia sido traído, e de que a verdade estava embutida nas sombras da família Ferraro, pesava sobre ela como uma mortalha. As palavras de Ricardo, embora evasivas, haviam plantado sementes de desconfiança ainda mais profundas. Ela se sentia encurralada, uma peça em um jogo de xadrez complexo, cujas regras ela mal compreendia.

Nos dias seguintes, Sofia mergulhou em uma investigação particular. Ela revisou velhos documentos de seu pai, cartas, anotações, buscando qualquer pista que pudesse conectar os Ferraro à sua morte. A cada página virada, ela sentia a presença fantasmagórica de Paolo Rossi, um homem que ela mal conheceu, mas cuja ausência moldou sua vida.

Enquanto isso, Ricardo observava Sofia à distância. Ele sabia que ela estava cavando, e isso o preocupava. O plano de expansão que ele e Marco estavam arquitetando era arriscado, e a presença de Sofia, com sua busca por justiça, poderia ser um obstáculo. No entanto, ele não conseguia se afastar dela. A intensidade de seus olhos, a força de sua vontade, a sua vulnerabilidade disfarçada de resiliência, o atraíam de uma forma que ele não conseguia mais ignorar.

Marco, mais pragmático e implacável, via Sofia como um risco iminente. “Ela está se tornando um problema, Ricardo,” ele insistiu, em uma de suas reuniões secretas. “Precisamos controlar essa situação antes que ela cause danos irreversíveis. Talvez seja hora de… dar um fim nisso.”

Ricardo o encarou, os olhos escuros como a noite. “Não toque nela, Marco. Ela não é como os outros.”

“Ela é a filha de Rossi,” Marco retrucou, com um tom de desprezo. “E ela está se aproximando da verdade. A verdade que pode nos destruir.”

“Eu sei que ela está se aproximando,” Ricardo admitiu, a voz baixa. “E é por isso que eu preciso que ela esteja perto de mim. Eu posso controlar a situação. Eu posso manipulá-la.”

Marco riu, um som seco e sem humor. “Manipular? Você está se deixando levar por ela, irmão. Cuidado para não se afogar nesse sentimento.”

A tensão entre os irmãos Ferraro crescia, alimentada pela presença de Sofia e pela ameaça iminente. Ricardo sabia que estava em um jogo de sombras, equilibrando seus sentimentos por Sofia com as exigências brutais do mundo em que vivia.

Sofia, alheia à perigosa dinâmica entre os irmãos, encontrou uma pista crucial. Em uma caixa antiga de cartas de seu pai, ela descobriu uma carta enigmática, escrita em código. Com a ajuda de um criptologista de confiança, ela conseguiu decifrar a mensagem.

A carta revelava um encontro secreto entre Paolo Rossi e um membro da família Ferraro, dias antes de sua morte. O local do encontro era um armazém abandonado na zona portuária. A mensagem falava de um acordo, de uma traição iminente, e de um nome: ‘O Corvo’.

Sofia sentiu um arrepio percorrer sua espinha. O Corvo. Quem seria essa pessoa? Seria o traidor que custou a vida de seu pai?

Ela sabia que precisava ir até aquele armazém. Era a única maneira de talvez encontrar a peça que faltava no quebra-cabeça. Mas ela sabia que não poderia ir sozinha. Ela precisava de alguém em quem confiar, alguém que pudesse protegê-la.

Nesse momento, sua mente se voltou para Ricardo. Apesar de suas dúvidas, ele era a única pessoa que parecia ter algum tipo de conexão com a verdade. Ela sabia que era arriscado, mas a necessidade de justiça a impelia.

Ela foi novamente à mansão Ferraro, o coração batendo acelerado. Desta vez, ela não esperou ser anunciada. Ela entrou no escritório de Ricardo, encontrando-o sozinho, imerso em documentos.

“Ricardo,” ela disse, a voz firme, mas com um tom de urgência. “Preciso da sua ajuda.”

Ele a olhou, surpreso. “Sofia. O que aconteceu?”

Ela estendeu a carta decifrada. “Meu pai escreveu isso. Falava de um encontro no armazém 7, na zona portuária. Com alguém da sua família. E mencionava um nome: ‘O Corvo’. Eu acho que essa pessoa foi quem o traiu.”

Ricardo pegou a carta, seus olhos percorrendo as palavras. Seu rosto ficou sombrio. Ele reconheceu o código. Ele sabia do que se tratava. A carta era um aviso, uma tentativa de Paolo de expor o traidor antes que fosse tarde demais.

“O Corvo…” ele murmurou, pensativo. “Eu sei quem é.”

Sofia o olhou, ansiosa. “Quem é?”

Ricardo hesitou. Revelar a identidade do Corvo significaria declarar guerra a um dos homens mais perigosos do submundo. E também significaria expor uma verdade que Marco tentava desesperadamente enterrar.

“É alguém que você não quer cruzar, Sofia,” ele disse, a voz séria. “E essa pessoa é perigosa. Para você, para mim, para todos nós.”

“Mas meu pai…” ela começou, a voz embargada.

“Eu sei,” Ricardo a interrompeu, sua voz mais suave. “E eu vou te ajudar a encontrar a verdade. Mas não hoje. Hoje, o risco é muito grande. Marco está desconfiado. Se ele souber que você está investigando, ele não hesitará em agir.”

Sofia sentiu o medo percorrer seu corpo. A ameaça de Marco era real. Ela sabia que ele era implacável.

“Então, o que fazemos?” ela perguntou, a voz baixa.

Ricardo se aproximou dela, o olhar intenso. “Nós jogamos o jogo de sombras. Nós esperamos. E quando a hora certa chegar, nós atacamos.”

Ele segurou o rosto dela entre as mãos, o polegar acariciando sua bochecha. “Não se preocupe, Sofia. Eu não vou deixar nada acontecer com você.”

Sofia olhou em seus olhos, buscando a verdade em sua promessa. Ela sentiu a força dele, a proteção que ele oferecia. Mas também sentiu a ambiguidade, o perigo que ele representava. Ela estava em um labirinto, e Ricardo Ferraro era tanto a chave quanto a armadilha.

“Eu não posso viver com o medo, Ricardo,” ela sussurrou.

“Você não vai,” ele respondeu, a voz rouca. “Você vai aprender a viver com a verdade. E eu estarei ao seu lado.”

Ele se inclinou e a beijou. Um beijo intenso, apaixonado, que a deixou sem fôlego. Era um beijo de promessa, de perigo, de um amor proibido que florescia em meio à escuridão. Sofia sabia que estava se entregando a algo maior do que ela, a um redemoinho de paixão e perigo. Ela estava jogando o jogo de sombras, e esperava não se perder em sua própria escuridão.

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