Sangue, Seda e Pecado
Absolutamente! Prepare-se para mergulhar nas profundezas de "Sangue, Seda e Pecado", com o coração acelerado e a alma em chamas.
por Eduardo Silva
Absolutamente! Prepare-se para mergulhar nas profundezas de "Sangue, Seda e Pecado", com o coração acelerado e a alma em chamas.
Sangue, Seda e Pecado Autor: Eduardo Silva
Capítulo 16 — O Sussurro da Vingança
O ar no apartamento de luxo de Isabella estava impregnado com o perfume caro do difusor e a tensão palpável. Cada raio de sol que teimava em invadir o espaço parecia zombar da escuridão que se instalara em seu peito. A notícia da morte de Marco, seu irmão, a atingira como um golpe físico, roubando-lhe o fôlego e deixando-a em um estado de torpor gelado. Sentada à beira da cama, com as mãos entrelaçadas em um nó cego, ela encarava o vazio. As lágrimas haviam secado, substituídas por uma fúria silenciosa que borbulhava sob a superfície.
"Ele não pode ter feito isso. Não pode ter me traído assim", murmurou, a voz embargada pela dor e pela incredulidade. A imagem de Dante, com seus olhos escuros e um sorriso que um dia a seduziu, agora se distorcia em sua mente, transformando-se em um monstro implacável. A relação deles, outrora um refúgio de paixão e desejo, tornara-se um campo minado de desconfiança e dor. O abraço que ele lhe dera na noite anterior, a promessa sussurrada de proteção, agora soavam como um eco cruel de mentiras.
Um toque suave na porta a fez sobressaltar. Era Sofia, a governanta leal que acompanhava Isabella há anos, com o rosto marcado pela preocupação.
"Senhorita Isabella, o café da manhã está pronto. A senhorita precisa se alimentar."
Isabella apenas balançou a cabeça, incapaz de se mover. A ideia de comer era repulsiva. Como podia o mundo continuar girando, como podiam as pessoas se preocupar com café da manhã, quando a vida de Marco fora ceifada?
"Não consigo, Sofia. Sinto como se meu estômago estivesse em brasas."
Sofia aproximou-se, sentando-se cautelosamente ao lado dela. Seus olhos, gentis e compreensivos, fitaram os de Isabella. "A dor é um fardo pesado, senhorita. Mas o senhor Marco não gostaria de vê-la definhar assim."
As palavras de Sofia, embora ditas com a melhor das intenções, soaram como um aceno para a necessidade de ação. Definhar não era uma opção. Marco merecia justiça. E essa justiça, Isabella sabia, começava com Dante.
"Sofia, eu preciso sair. Preciso ir até a casa dele."
Sofia franziu a testa, apreensiva. "Senhorita, a situação é perigosa. O senhor Dante… ele é um homem implacável."
"E eu sou a irmã dele, Sofia. E ele me traiu. Ele me usou. E agora ele tirou a única pessoa que eu amava." A voz de Isabella ganhava uma força gélida, a dor se transformando em uma determinação sombria. "Eu vou até lá e vou confrontá-lo. E ele vai me dizer a verdade. Toda a verdade."
Vestiu o vestido preto mais elegante que possuía, um símbolo de luto, mas também de sua nova armadura. A seda fria acariciava sua pele, um contraponto à ferocidade que ardia em suas veias. Um toque de batom vermelho intenso, quase um desafio, e o perfume que Dante tanto amava, agora uma arma a ser usada contra ele.
Ao chegar à mansão imponente de Dante, o silêncio parecia pesar mais do que o usual. Os guardas, rostos impassíveis, abriram caminho sem questionamentos. Sabiam que algo estava errado, que a tempestade que se formara no olhar de Isabella era de uma magnitude que eles nunca haviam presenciado.
Ela o encontrou na biblioteca, o ambiente que outrora compartilhava com ele em momentos de intimidade e confidência. Agora, as estantes de livros antigos pareciam testemunhas silenciosas de um crime hediondo. Dante estava de pé, de costas para ela, olhando pela janela para os jardins impecáveis. Seu porte era imponente, mas Isabella via agora uma fragilidade oculta sob a fachada de poder.
"Dante." A voz dela cortou o silêncio como uma lâmina afiada.
Ele se virou lentamente. Seu olhar, geralmente cheio de uma intensidade magnética, estava agora sombrio, quase… culpado? Isabella não conseguia decifrar. Mas a dúvida em seus olhos era um vislumbre de esperança.
"Isabella. Eu… eu sinto muito."
"Você sente muito?", ela repetiu, a incredulidade tingindo suas palavras. "Você sente muito por ter mandado matar meu irmão? Por ter conspirado contra mim? Por ter me traído de todas as formas imagináveis?"
Dante deu um passo à frente, as mãos estendidas em um gesto de súplica. "Isabella, deixe-me explicar. Não é como você pensa."
"Não é como eu penso?", ela riu, um som sem alegria que ecoou na vasta sala. "O que eu deveria pensar, Dante? Que você é um anjo que se enganou? Que a morte de Marco foi um acidente? Que você me ama e por isso me destrói?"
Ela caminhou em direção a ele, os saltos altos ecoando no mármore. Cada passo era uma declaração de guerra. Parou a poucos centímetros dele, o perfume dela envolvendo-o, uma lembrança cruel do que ele havia perdido.
"Você me disse que me amava. Você me disse que me protegeria. E enquanto você sussurrava isso em meu ouvido, você estava planeando a ruína da minha família. Você estava orquestrando a morte do meu irmão."
Os olhos de Dante encontraram os dela, e Isabella viu um vislumbre de desespero genuíno. Mas não conseguia ceder. A imagem de Marco, jovem e cheio de vida, a assombrava.
"Por quê, Dante? Por quê você fez isso?"
Ele hesitou, o silêncio se estendendo entre eles como um abismo intransponível. A fachada de controle que sempre exibia começava a ruir, revelando a luta interna que o consumia.
"Não fui eu, Isabella. Não diretamente."
A resposta o atingiu com a força de um raio. "O que você quer dizer com 'não diretamente'? Você é o chefe da máfia, Dante! Tudo o que acontece, acontece com sua ordem!"
"Houve… uma facção. Pessoas que não concordavam com a aliança. Pessoas que queriam ver sua família enfraquecida. Marco estava no caminho deles. E eu… eu não consegui protegê-lo a tempo."
Isabella o encarou, o cérebro tentando processar a torrente de informações. Uma facção? Uma luta interna? Isso significava que Dante não a traíra por maldade pura, mas por uma complexidade de poder e intriga que ela mal conseguia compreender. Mas ainda assim, ele falhara. E Marco estava morto.
"Você falhou, Dante. Você falhou comigo. Você falhou com Marco." As lágrimas finalmente voltaram, quentes e amargas, escorrendo por seu rosto. "Eu confiei em você. Eu te amei. E você me deixou desamparada."
Ela deu um passo para trás, o corpo tremendo. A raiva ainda estava lá, mas agora misturada com uma tristeza avassaladora. O homem que ela amava era um monstro, sim, mas um monstro com fendas, um monstro em conflito consigo mesmo. E isso, de alguma forma, tornava a dor ainda mais insuportável.
"Eu preciso ir."
Dante estendeu a mão para ela novamente. "Isabella, espere. Podemos resolver isso. Podemos encontrar quem realmente fez isso. Eu vou te ajudar."
Ela olhou para a mão dele, para o homem que lhe roubara a paz e o amor. A promessa de vingança que havia incendiado seu peito agora era temperada por uma nova compreensão. Havia outros culpados. Havia uma guerra em andamento dentro da própria organização de Dante.
"Você não pode me ajudar, Dante. Você é a causa da minha dor. E agora… agora eu preciso encontrar a minha própria justiça."
Sem olhar para trás, Isabella saiu da biblioteca, deixando Dante sozinho em meio aos fantasmas do passado e à incerteza do futuro. O sussurro da vingança agora tinha um novo tom, mais complexo, mais perigoso. E ela sabia, com uma clareza assustadora, que a guerra estava apenas começando. A seda do seu vestido parecia agora mais pesada, carregada com o peso de um destino incerto e a promessa de um caminho solitário de retaliação.