Sangue, Seda e Pecado

Capítulo 18 — A Teia de Dante

por Eduardo Silva

Capítulo 18 — A Teia de Dante

A noite caía sobre a cidade como um manto de veludo escuro, salpicado pelas luzes frias e distantes das estrelas e dos arranha-céus. Na mansão de Dante, o silêncio era quase absoluto, um contraste gritante com a tempestade que assolava o coração de Isabella. Ela estava sentada em uma poltrona de veludo, um copo de conhaque intocado em suas mãos. A busca pela verdade a levara de volta ao seu algoz, não por perdão, mas por respostas. A conversa com Ricardo havia plantado as sementes da dúvida, e ela precisava confrontar Dante diretamente, sem as máscaras e as palavras ambíguas.

Dante entrou na sala sem ser anunciado, sua presença preenchendo o espaço com uma aura de poder e perigo. Seus olhos escuros fixaram-se em Isabella, um misto de surpresa e apreensão em seu olhar. Ele sabia que ela não viera por acaso.

"Você voltou", ele disse, a voz rouca.

Isabella o encarou, a determinação endurecendo seu semblante. "Eu preciso de respostas, Dante. E não vou sair daqui até tê-las."

Ele se aproximou, sentando-se na poltrona em frente a ela. A distância entre eles parecia crescer a cada segundo, um abismo de mágoas e traições.

"Eu já lhe disse o que sei, Isabella."

"Você disse que houve uma facção. Que Marco estava no caminho deles. Mas você não me disse quem eram esses 'eles'. Você não me disse por que Marco era um problema para eles. E você não me disse por que você não conseguiu protegê-lo." A voz dela era firme, cada palavra um golpe calculado.

Dante suspirou, passando a mão pelos cabelos escuros. A tensão em seu rosto era visível. "É complicado, Isabella."

"Complicado?", ela riu, um som amargo. "Complicado é ver o meu irmão morto! Complicado é saber que o homem que eu amava pode ter tido algo a ver com isso!"

Ele a encarou, seus olhos escuros transbordando de uma dor que ela raramente via. "Você acha que eu queria que isso acontecesse?"

"Eu não sei mais o que pensar, Dante! Ricardo me disse coisas. Coisas que me fizeram duvidar de você. Ele disse que você sempre cobiçou o poder, que você sempre viu Marco como um obstáculo."

A menção de Ricardo fez Dante estreitar os olhos. "Ricardo… ele está jogando um jogo perigoso. Ele está manipulando você, Isabella."

"Ele está manipulando a mim? Ou você está manipulando a mim? Você me disse que me amava. Você me disse que se importava. E enquanto isso, você estava arquitetando a queda da minha família? Você estava orquestrando a morte do meu irmão?"

"Eu nunca quis a morte de Marco, Isabella. Nunca." A voz de Dante era baixa, carregada de uma sinceridade que, por um instante, fez Isabella acreditar. "Houve um plano. Um plano de alguns dos nossos mais antigos conselheiros. Eles acreditavam que a união das nossas famílias traria mais problemas do que benefícios. Eles viam Marco como um símbolo dessa união. E eles queriam eliminá-lo para enfraquecer você, para me forçar a consolidar o poder sozinho."

"E você permitiu isso?", ela perguntou, a voz embargada.

"Eu tentei impedir. Mas eles foram astutos. Eles agiram nas minhas costas. Usaram informações que eu havia compartilhado com eles sobre as rotinas de Marco. Eles o pegaram de surpresa."

"E você não sabia? Não sentiu nada? Não desconfiou de nada?" Isabella estava em prantos agora, a raiva dando lugar à desolação. A ideia de Dante ser manipulado era tão dolorosa quanto a ideia de ele ser o mandante.

"Eu… eu estava distraído. Com você, Isabella. Eu estava cego pelo que sentia. E eles se aproveitaram disso." Ele fez uma pausa, os olhos fixos no vazio. "Eu descobri tarde demais. Quando já era impossível reverter. E quando eu soube quem estava por trás disso… foi um golpe duro."

"Quem, Dante? Quem estava por trás disso?"

Ele hesitou, a luta interna visível em seu rosto. "Um dos meus homens de confiança. Um que eu considerava como um irmão. Ele se sentia traído pela aliança. Ele achava que Marco estava se infiltrando em nossos negócios. Ele agiu por conta própria, acreditando que estava protegendo a família."

"E você o deixou impune?", Isabella perguntou, a voz cheia de descrença.

"Não. Ele pagou. E todos que o ajudaram também pagaram." A frieza em sua voz era arrepiante. O homem que ela amava era capaz de uma crueldade impiedosa quando necessário. "Mas a morte de Marco não pode ser desfeita. E o legado dele… isso sim podemos honrar."

"O legado dele?", Isabella repetiu, sem entender.

"Marco acreditava em construir algo novo. Algo mais forte. Uma aliança verdadeira, não apenas de negócios, mas de respeito. Ele tinha planos para unir as famílias, para criar um futuro mais seguro para todos." Dante se levantou, caminhando em direção a uma mesa de bebidas. Serviu-se de um uísque e virou-se para ela. "E eu vou honrar isso. Vou terminar o que ele começou. Mas não posso fazer isso sozinho. E não posso fazer isso se você não confiar em mim."

A oferta de Dante era um convite perigoso. Confiar nele novamente seria como pisar em brasas. Mas a ideia de honrar o legado de Marco, de dar um propósito à sua morte, era algo que Isabella não podia ignorar. E a verdade sobre Ricardo… o homem que a estava manipulando… isso era algo que ela não podia deixar passar.

"Você me usou, Dante."

"Sim. E você me traiu. Mas o amor… ele é complicado, Isabella. E nós… nós éramos fogo. E o fogo queima, mas também ilumina." Ele deu um passo em direção a ela, parando a poucos centímetros. "Eu não estou pedindo para você me perdoar. Estou pedindo para você me ajudar a fazer justiça. A Marco. A nós."

Isabella o encarou, a batalha interna travada em seus olhos. A dor, a raiva, a desconfiança… e um resquício teimoso de amor. Ela sabia que Dante era um homem perigoso, um homem de poder e de sombras. Mas ela também sabia que ele era o único que poderia ajudá-la a desmascarar Ricardo e a encontrar a verdadeira justiça para Marco.

"Eu não confio em você, Dante. Mas eu confio em Marco. E se honrar o legado dele significa destruir quem o matou, então eu farei isso. Com você ou contra você."

Um leve sorriso curvou os lábios de Dante. Era um sorriso de predador, mas também de alguém que encontrara um caminho. "Então, nós faremos isso juntos, Isabella. A teia que eles teceram está prestes a desmoronar."

A noite ainda era escura, mas para Isabella, uma pequena luz havia se acendido. A promessa de vingança ganhava um novo contorno, não apenas de destruição, mas de construção. E ela estava pronta para entrar na teia de Dante, para desvendá-la por dentro e encontrar a verdade que traria paz ao espírito de seu irmão.

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