Sangue, Seda e Pecado

Capítulo 7 — O Jantar das Máscaras

por Eduardo Silva

Capítulo 7 — O Jantar das Máscaras

O salão de jantar era um espetáculo à parte. As paredes, revestidas de um papel de parede com estampa de seda dourada, refletiam a luz dourada dos candelabros imensos, criando um ambiente de opulência quase teatral. A mesa longa, cuidadosamente arrumada com louças de porcelana fina e talheres de prata polida, exibia uma variedade de pratos exóticos, perfumando o ar com aromas que variavam do cítrico ao especiado. Em torno da mesa, sentavam-se os convidados de Vicente, figuras proeminentes do submundo de São Paulo, cada um com seu próprio aura de perigo e poder.

Isabella observava tudo com uma mistura de fascínio e apreensão. Ela estava vestida com um elegante vestido de seda azul-marinho, escolhido a dedo por Vicente, que realçava a sua beleza natural, mas também a fazia sentir como uma joia exposta em um covil de lobos. Ela se sentia um peixe fora d'água, a inocência e a dor que a assombravam lutando contra a necessidade de manter uma fachada de frieza e controle.

Vicente, ao seu lado, era a personificação da autoridade. Seu terno preto impecável, a gravata de seda que combinava com o vestido dela, e o modo como ele interagia com seus convidados com sorrisos calculados e olhares penetrantes, denunciavam o seu domínio. Ele era o anfitrião, o mestre de cerimônias naquele palco de ambição e violência.

"Minha querida Isabella", disse Vicente, sua voz soando clara e confiante, quebrando o burburinho baixo da conversa. Ele lhe ofereceu um copo de champanhe, seus dedos roçando os dela de propósito. "Quero que conheça algumas pessoas. Apenas para que você saiba quem são os 'amigos' que me cercam."

O primeiro a se apresentar foi Marco "O Leão" Lombardi, um homem corpulento com um rosto marcado por cicatrizes e olhos que pareciam enxergar através de qualquer disfarce. Ele apertou a mão de Isabella com uma força surpreendente, e um sorriso largo e sem dentes se abriu em seu rosto. "Uma beleza rara, Vicente. Uma joia rara."

Em seguida, veio Sofia Vargas, conhecida como "A Viúva Negra", cujos olhos escuros e penetrantes pareciam carregar segredos de décadas. Ela usava um vestido vermelho vibrante que contrastava com sua pele pálida, e seus lábios pintados de escarlate pareciam prontos para morder. Ela ofereceu a Isabella um sorriso frio e calculista. "O mundo dos negócios é brutal, minha querida. É bom ter alguém bonito para aliviar a tensão."

Havia outros: homens e mulheres com reputações sombrias, todos compartilhando o mesmo ar de perigo calculado. Isabella respondeu a cada um com sorrisos forçados e frases polidas, sentindo-se como uma atriz em uma peça onde ela não conhecia o roteiro. Cada conversa era uma dança sutil de ameaças veladas e alianças perigosas.

"Então, Isabella", disse Vicente, enquanto os convidados se acomodavam para o jantar, "o que você pensa de tudo isso?"

Ela observou a profusão de comida, os rostos sorridentes, os brindes efusivos. "Parece um jantar... animado, Senhor Santoro."

"Animado é um eufemismo", ele riu, um som rouco que fez os pelos de sua nuca se arrepiarem. "É um jogo, Isabella. Um jogo onde cada um tenta tirar o máximo do outro. E eu, como você pode ver, sou muito bom em jogar."

Ela sabia que ele estava falando sobre mais do que apenas negócios. Ele estava falando sobre poder, sobre controle, sobre a capacidade de manipular as pessoas para seus próprios fins. E, de alguma forma, ela se sentia cada vez mais envolvida nesse jogo, mesmo que seu papel fosse apenas o de uma espectadora cativada e aterrorizada.

Durante o jantar, as conversas fluíam em torno de acordos obscuros, rivalidades acirradas e a eterna busca por mais poder. Isabella sentia os olhares de alguns dos convidados sobre ela, curiosos, avaliadores, e em alguns casos, com um brilho de desejo que a deixava desconfortável. Ela evitava o contato visual, concentrando-se em manter a compostura.

Foi quando Marco Lombardi, com um sorriso malicioso, levantou sua taça. "Um brinde ao nosso anfitrião, Vicente! E à sua nova aquisição. Uma beleza que fará nossos corações baterem mais rápido e nossas mentes pensarem em novas... oportunidades."

Um murmúrio de concordância percorreu a mesa, e Isabella sentiu o rosto esquentar. Ela lançou um olhar para Vicente, procurando algum tipo de socorro, mas encontrou apenas um brilho de diversão em seus olhos. Ele gostava de vê-la desconfortável, de vê-la exposta à crueldade desse mundo.

"Calma, Marco", disse Vicente, sua voz agora com um tom mais sério. "Isabella não é uma 'aquisição'. Ela é minha convidada. E eu não tolero que minha convidada seja tratada como um troféu de caça."

O sorriso de Marco vacilou por um instante, mas logo se recompôs. "Perdão, Vicente. Apenas admiro a beleza. E a força que ela deve ter para estar aqui, em meio a todos nós."

Sofia Vargas interveio, seus olhos fixos em Isabella. "A força, sim. Mas às vezes, a força vem da vulnerabilidade. E vejo muita vulnerabilidade naquela linda garota."

O clima mudou, tornando-se mais tenso. Isabella sentiu o peso da hostilidade, a forma como todos ali pareciam analisar cada um de seus movimentos, cada expressão facial. Ela sabia que precisava se defender, não com violência, mas com astúcia.

"Vulnerabilidade pode ser interpretada de muitas maneiras", disse Isabella, sua voz calma e controlada, surpreendendo até a si mesma. Ela ergueu os olhos para Sofia, um leve sorriso brincando em seus lábios. "Alguns a veem como fraqueza. Outros, como a capacidade de sentir profundamente. De amar, de sofrer, de, eventualmente, se reerguer mais forte do que antes."

Um silêncio intrigado pairou sobre a mesa. Sofia Vargas a observou com um novo interesse, seus olhos escuros estudando Isabella com uma intensidade renovada. Vicente, ao seu lado, parecia genuinamente surpreso e, talvez, um pouco impressionado.

"Uma filosofia interessante", disse Sofia, finalmente. "Um dia, talvez, você nos mostre essa força de que fala."

O jantar continuou, mas a dinâmica havia mudado. Isabella não era mais apenas a bela acompanhante de Vicente. Ela havia demonstrado uma força interior, uma inteligência que a tornava mais do que apenas um objeto de desejo ou especulação.

Mais tarde, enquanto os convidados se dispersavam, Vicente puxou Isabella para um canto mais reservado da varanda, a cidade cintilando abaixo como um mar de diamantes. O ar estava mais fresco agora, e a brisa suave trazia consigo o perfume das flores do jardim suspenso.

"Você se saiu bem hoje, Isabella", disse Vicente, sua voz mais suave agora, quase íntima. Ele a puxou gentilmente para perto, sua mão pousando em sua cintura. "Você mostrou a eles que não é apenas um rostinho bonito."

Ela sentiu o calor do corpo dele contra o seu, a proximidade que a fazia sentir um turbilhão de emoções contraditórias. "Eu apenas disse o que pensei, Senhor Santoro."

"Pense em mim como Vicente, Isabella", ele pediu, seu olhar fixo nos dela. "E você não está apenas dizendo o que pensa. Você está jogando o jogo. E você está jogando bem."

Ele a beijou, um beijo mais suave desta vez, mas não menos intenso. Era um beijo de reconhecimento, de admiração, e de um desejo que continuava a crescer entre eles. Isabella se entregou, fechando os olhos e permitindo que a seda da noite os envolvesse. O jantar das máscaras havia terminado, mas o jogo, ela sabia, estava apenas começando. E ela estava, para sua própria surpresa, aprendendo as regras rapidamente.

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