Sangue na Lua de Caruaru

Capítulo 15 — O Chamado da Lua de Caruaru

por Nathalia Campos

Capítulo 15 — O Chamado da Lua de Caruaru

A lua de sangue, um espetáculo celestial que normalmente inspirava admiração, agora pairava sobre Caruaru como um prenúncio sombrio. A cada noite que passava, seu brilho escarlate parecia intensificar-se, banhando a cidade em uma luz espectral que intensificava as sombras e os medos ocultos. Sofia, sentindo a energia da lua pulsar em suas veias, sabia que o momento decisivo estava se aproximando.

Nos últimos dias, os sinais eram inconfundíveis. As sombras na cidade pareciam mais densas, mais audaciosas. Sussurros maliciosos se espalhavam pelas ruas, semeando discórdia e desconfiança entre os moradores. Objetos se moviam sozinhos em casas isoladas, e uma sensação de apreensão pairava no ar, como uma névoa invisível.

Dona Lourdes, com sua sabedoria ancestral, sentia a energia da entidade se agitando com mais força. "Ela está se preparando, Sofia", disse a anciã, sua voz baixa e preocupada. "A lua de sangue é seu portal. E Caruaru é o seu alvo. Precisamos estar prontas."

Sofia, agora mais confiante em suas habilidades como Guardiã e Sacerdotisa, sentia uma determinação férrea em seu peito. Ela havia aprendido os rituais, compreendido a importância do equilíbrio e sentido a força de sua linhagem. Mas a magnitude do que estava por vir a assustava.

"O que exatamente vai acontecer, Dona Lourdes?", Sofia perguntou, sentada na varanda da casa da anciã, observando a lua rubra ascender no céu.

"A entidade tentará romper os últimos selos que a mantêm contida", explicou Dona Lourdes, seus olhos fixos no brilho escarlate. "Ela usará toda a sua força para invadir Caruaru, para corromper suas almas e mergulhar este lugar em trevas eternas. Mas os selos, fortalecidos por você, Sofia, resistirão. A batalha será travada no plano espiritual, mas suas consequências serão sentidas aqui, no mundo físico."

Mateus, que ouvira a conversa, aproximou-se de Sofia, segurando sua mão. "Nós vamos enfrentar isso juntos, Sofia. Não importa o que aconteça."

Sofia sorriu para ele, um sorriso cheio de gratidão e amor. "Eu sei, Mateus. E isso me dá força."

Naquela noite, um evento estranho e perturbador ocorreu no centro de Caruaru. A estátua de um antigo herói local, um símbolo de resistência e bravura para a cidade, começou a rachar. Não eram fissuras comuns, mas sim linhas escuras e pulsantes que se espalhavam pela pedra, como veias de escuridão. O ar ao redor da estátua tornou-se gelado, e as pessoas que passavam por perto sentiam uma opressão esmagadora, um medo irracional.

Sofia, sentindo a perturbação no plano espiritual, soube que era a entidade tentando corromper um símbolo de esperança para a cidade. "Precisamos ir até lá!", ela disse a Dona Lourdes e Mateus.

Chegaram à praça principal, onde uma pequena multidão se reunia, assustada e confusa. A estátua rachada emanava uma aura de desespero e decadência. A lua rubra, refletida nas rachaduras escuras, parecia sugar a luz e a esperança daquele lugar.

"Ela está tentando corromper o espírito de Caruaru", disse Dona Lourdes, sua voz tensa. "Precisamos intervir antes que seja tarde demais."

Sofia fechou os olhos, concentrando-se. Ela sentiu a energia da estátua, a história de coragem e resiliência que ela representava. E sentiu a força sombria tentando profaná-la.

Ela estendeu as mãos, sentindo o amuleto em seu pescoço vibrar intensamente. Cantou um cântico ancestral de proteção, uma melodia que trazia à tona a força vital de Caruaru. Ao seu lado, Mateus segurava sua mão, canalizando a energia da terra para ela. Dona Lourdes, com seu sino de bronze, entoava um cântico de purificação.

Uma luz suave, mas potente, emanou de Sofia, envolvendo a estátua. As rachaduras escuras começaram a recuar, as linhas de sombra se dissipando como fumaça. O ar frio se aqueceu, e a sensação de opressão diminuiu.

As pessoas na praça observavam em silêncio, maravilhadas e aterrorizadas. Elas viam a jovem, com o brilho intenso nos olhos, lutando contra uma força invisível.

A entidade, sentindo sua tentativa frustrada, reagiu com fúria. Um vento uivante varreu a praça, levantando poeira e jogando objetos. As sombras se retorceram, formando figuras ameaçadoras.

"Ela não vai desistir!", gritou Dona Lourdes. "Precisamos restaurar os selos principais!"

Os selos principais, como Sofia aprendera, eram pontos de convergência de energia em locais sagrados ao redor de Caruaru. A capela abandonada, as ruínas antigas, o cemitério e um antigo poço sagrado no coração da cidade. A entidade estava atacando todos eles simultaneamente.

"Mateus, você vai comigo para o poço sagrado", ordenou Dona Lourdes. "Sofia, você e eu voltaremos à capela. A energia lá é a mais antiga, e a mais forte."

Enquanto a lua de sangue atingia seu ápice, pintando o céu de Caruaru com um tom vermelho sangue, as batalhas se intensificaram. Sofia e Dona Lourdes correram para a capela, sentindo a energia sombria tentando invadir o local.

Dentro da capela, o ar era pesado, carregado de uma energia sinistra. As sombras se aglutinavam, formando um vórtice escuro no centro do altar.

"A entidade está tentando se manifestar aqui!", alertou Dona Lourdes. "Precisamos conter o vórtice!"

Sofia, com o amuleto pulsando em seu peito, sentiu a força de suas ancestrais fluindo através dela. Ela se lembrou de sua avó, da coragem que ela demonstrau, do amor que a impulsionou.

Ela começou a entoar os cânticos de proteção, sua voz ecoando pelas paredes antigas da capela. Dona Lourdes a acompanhava, adicionando sua própria energia e sabedoria ao ritual.

A entidade lutava com toda a sua força. O vórtice escuro se expandia, tentando engolir tudo em seu caminho. Sofia sentiu uma pressão imensa em sua mente, vozes sussurrando dúvidas e medos, tentando quebrá-la.

"Você não é forte o suficiente!", sibilava uma voz distorcida. "Seu destino é ser consumida!"

Mas Sofia não cedeu. Ela visualizou Caruaru, a beleza de sua terra, o amor de seus amigos. Ela sentiu a força de Mateus lutando em outro lugar, e a determinação de Dona Lourdes ao seu lado.

Com um grito poderoso, Sofia canalizou toda a sua energia para o amuleto. Uma luz dourada e brilhante emanou dele, chocando-se contra o vórtice escuro. A luz era pura, cheia de amor e de vida, a antítese da escuridão que a entidade representava.

O vórtice vacilou, sua força diminuindo. As sombras recuaram, emitindo um som de agonia. A entidade, enfraquecida e derrotada, foi forçada a recuar, o portal de invasão se fechando lentamente.

Enquanto o primeiro raio de sol da manhã tocava a terra, a lua de sangue começou a desvanecer, sua cor escarlate dando lugar a um branco pálido. A energia sombria que pairava sobre Caruaru se dissipou, deixando para trás um ar de paz e alívio.

Sofia, exausta, mas triunfante, caiu de joelhos. Dona Lourdes, também cansada, colocou uma mão em seu ombro. "Você conseguiu, Sofia. Você salvou Caruaru."

Naquela manhã, a cidade acordou em um estado de euforia silenciosa. A atmosfera opressora havia desaparecido, substituída por uma sensação de renovação. As pessoas, embora sem entender completamente o que havia acontecido, sentiam que algo terrível havia sido evitado.

Sofia olhou para o amuleto, agora repousando suavemente em seu pescoço. Ela sabia que a entidade ainda existia, e que a luta continuaria. Mas ela também sabia que possuía a força, a sabedoria e o amor necessários para proteger Caruaru. Ela era a Guardiã, a Sacerdotisa, a filha de uma linhagem de mulheres corajosas.

O chamado da lua de Caruaru havia sido atendido. E Sofia estava pronta para responder, sempre. O sol do sertão, agora forte e vibrante, banhava a cidade em uma luz de esperança, prometendo um novo amanhecer para Caruaru.

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