O Sussurro do Lobisomem Encantado

Capítulo 13 — O Encontro nas Ruínas e o Sussurro da Natureza

por Nathalia Campos

Capítulo 13 — O Encontro nas Ruínas e o Sussurro da Natureza

O amanhecer na floresta, apesar de filtrado pela densa folhagem, trazia um ar de renovação. Helena, com o amuleto de proteção de Morgana apertado na mão, sentia-se mais forte, mais preparada para o que quer que viesse a seguir. A noite anterior, repleta de revelações e perigos, havia deixado marcas, mas também despertara nela uma coragem adormecida. Morgana, após guiá-la para um ponto seguro próximo às ruínas de um antigo monastério, fez um gesto para que ela esperasse.

"Lúcius virá até aqui," Morgana disse, sua voz baixa e cheia de uma serenidade que contrastava com a tensão que Helena sentia. "O local de nosso encontro foi escolhido com cuidado. A energia das ruínas é antiga, um lugar onde as barreiras entre os mundos são tênues. Ele saberá que é seguro."

Helena assentiu, o coração acelerado. A ideia de reencontrar Lúcius, agora com um entendimento mais profundo de quem ele era e do fardo que carregava, a enchia de uma mistura de ansiedade e esperança. Ela olhou para as ruínas, as pedras antigas cobertas de musgo e hera, o silêncio solene que emanava delas parecia um convite a um passado esquecido.

"Ele está lutando contra a fera dentro de si, Helena," Morgana continuou, como se lesse os pensamentos de Helena. "A cada lua cheia, a batalha se intensifica. Mas o amor de vocês... é um fio de esperança. Ele o ancora à sua humanidade, o puxa de volta das profundezas da selvageria."

Helena apertou o amuleto. "Eu quero ajudá-lo, Morgana. Mas como? Ele se afasta, com medo de me machucar."

Morgana tocou o rosto de Helena com ternura. "Você não pode curar a ferida dele, Helena. Essa é uma luta que ele deve travar consigo mesmo. Mas você pode ser seu porto seguro. Sua rocha. Seu amor. Acompanhe-o, aceite-o. A fera não é um monstro sem razão. É uma parte dele. E o amor, quando genuíno, pode abranger até mesmo as sombras."

Um movimento sutil chamou a atenção de Helena. Uma figura esguia e escura emergia das sombras das árvores, movendo-se com uma graça felina que a fez prender a respiração. Era Lúcius. Mesmo à distância, ela podia sentir a aura poderosa que emanava dele, uma mistura de perigo e vulnerabilidade. Ele estava com a forma humana, mas seus olhos âmbar ainda brilhavam com uma intensidade que denunciava a fera adormecida.

"Lúcius!" Helena chamou, sua voz embargada pela emoção.

Ele parou, seus olhos encontrando os dela. Um suspiro parecia escapar dele, um alívio palpável. Ele se aproximou lentamente, cada passo carregado de uma hesitação cautelosa. Morgana, com um aceno discreto, deu um passo para trás, permitindo que eles tivessem seu momento.

Quando Lúcius finalmente chegou perto de Helena, ele a olhou com uma intensidade que a fez corar. O amor que ela sentia era avassalador, mas ela também podia ver a dor em seus olhos, a luta que ele travava para manter o controle.

"Helena," ele sussurrou, sua voz rouca. "Você veio."

"Eu disse que viria," ela respondeu, estendendo a mão para tocar seu rosto. Ele estremeceu com o contato, mas não se afastou. A pele dele estava fria, mas ela sentia o calor de sua essência. "Eu não vou te deixar."

Um sorriso frágil surgiu nos lábios de Lúcius. "Você não tem medo?"

"Eu tenho medo," ela confessou honestamente. "Medo de te perder. Medo do que podem te fazer. Mas eu não tenho medo de você."

Ele segurou a mão dela, entrelaçando seus dedos. O toque era firme, reconfortante. "Minha existência é um perigo constante. Eu sou a fera que assombra as noites, o predador que se esconde nas sombras. E se algo acontecer com você..."

"Nada vai acontecer comigo se estivermos juntos," Helena o interrompeu, sua voz carregada de convicção. "Morgana me disse que o amor pode ser uma cura. Que eu posso ser seu refúgio."

Lúcius olhou para Morgana, um vislumbre de gratidão em seus olhos. "Morgana é uma mulher sábia. Ela conhece os segredos da natureza e os caminhos do espírito. E ela está certa, Helena. Seu amor é a única coisa que me mantém ancorado." Ele apertou a mão dela. "Mas não posso pedir para você se arriscar. A vida aqui fora é perigosa para alguém como você."

"Eu não me importo com o perigo," Helena declarou, seus olhos fixos nos dele. "O único perigo que me assusta é te perder. E se você está disposto a lutar, então eu também estou."

Um silêncio se instalou entre eles, quebrado apenas pelo farfalhar das folhas e o canto distante de um pássaro. Lúcius a puxou para perto, o abraço dele envolvendo-a com uma força protetora. Helena sentiu a tensão em seu corpo, a luta interna que ele travava, mas também sentiu o amor, puro e profundo, que o ligava a ela.

"Eu te amo, Helena," ele sussurrou em seu ouvido, a voz embargada pela emoção.

"Eu também te amo, Lúcius," ela respondeu, abraçando-o com mais força.

De repente, um som agudo cortou o ar. Não era um pássaro, nem o vento. Era um sinal. Um som metálico e frio. Os caçadores. Eles os haviam encontrado.

Lúcius se afastou de Helena abruptamente, seus olhos âmbar varrendo a mata. A fera dentro dele começou a se agitar, um rosnado baixo escapando de seus lábios. "Eles chegaram."

Morgana emergiu das sombras, seu semblante sério. "A energia deste lugar é forte, mas não os deterá para sempre. Precisamos nos mover."

Lúcius pegou a mão de Helena. "Venha comigo. Não se afaste de mim."

Enquanto se preparavam para fugir, uma rajada de vento soprou pelas ruínas, trazendo consigo um sussurro peculiar. Não era o som do vento entre as pedras, mas uma voz suave e antiga, como se a própria natureza estivesse falando.

"A força do sangue é antiga, o amor é a chave. O lobo e a donzela, juntos na trilha. Cuidado com as sombras, a verdade se esconde, a natureza guiará, quando o medo se esvair."

Helena olhou ao redor, confusa. "O que foi isso?"

Morgana sorriu, um brilho misterioso em seus olhos. "É a voz da natureza, Helena. Ela sente a força do seu amor. Ela está te guiando."

Lúcius também parecia ter ouvido. A expressão em seu rosto mudou, uma centelha de esperança misturada com a cautela. Ele olhou para Helena, e pela primeira vez, ela sentiu que ele via nela não apenas a mulher que amava, mas uma parceira em sua jornada.

"Precisamos ir," Lúcius disse, sua voz mais firme. "Para longe daqui. Para um lugar onde possamos nos esconder e entender o que essa voz significa."

Eles correram, deixando para trás as ruínas silenciosas e o sussurro da natureza. A perseguição havia recomeçado, mas desta vez, Helena não se sentia sozinha. Ela estava ao lado de Lúcius, seu lobisomem encantado, seu amor, seu destino. E, de alguma forma, ela sabia que a natureza estava com eles, guiando-os em sua jornada tortuosa. O pacto selado sob a lua sangrenta estava se fortalecendo, e o sussurro da natureza era um lembrete de que, mesmo nas trevas mais profundas, sempre havia um caminho a seguir.

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