O Sussurro do Lobisomem Encantado

Capítulo 14 — A Trilha das Sombras e o Sacrifício Necessário

por Nathalia Campos

Capítulo 14 — A Trilha das Sombras e o Sacrifício Necessário

A floresta se tornava mais densa, mais sombria, à medida que avançavam. O sol, que antes parecia um aliado, agora era apenas um vislumbre fugaz através do dossel impenetrável. Helena, ofegante, seguia Lúcius, seus pés pisando com cautela nas folhas úmidas e nas raízes traiçoeiras. A adrenalina da fuga ainda corria em suas veias, misturada a uma apreensão crescente. O sussurro da natureza, que os guiara para fora das ruínas, agora parecia ter se silenciado, deixando-os à mercê da trilha das sombras.

"Você está bem?" Lúcius perguntou, virando-se para ela com preocupação genuína em seus olhos âmbar. A fera ainda estava contida, mas Helena sentia a tensão em seus ombros, a vigilância constante de quem sabe que está sendo caçado.

"Estou bem," ela respondeu, tentando soar mais confiante do que se sentia. "Apenas... cansada." Ela não mencionou o amuleto que apertava na mão, um lembrete constante da proteção que Morgana lhe dera, e do perigo iminente.

Lúcius assentiu, seus olhos varrendo a mata. "Eles não desistirão facilmente. Eles sabem que você é a chave para chegar até mim." A amargura em sua voz era evidente. Ele odiava que seu amor por ela se tornasse um ponto fraco, uma arma contra ambos.

"Eu não sou um ponto fraco, Lúcius," Helena disse com firmeza, parando por um instante para encará-lo. "Eu sou sua força. E você é a minha."

Um leve sorriso tocou os lábios de Lúcius, mas logo desapareceu, substituído pela seriedade. "Você é tudo para mim, Helena. E é por isso que eu tenho que garantir sua segurança. Talvez... talvez seja melhor se eu for sozinho."

O coração de Helena despencou. "Não! Lúcius, por favor, não diga isso. Eu não vou voltar. Não vou te deixar." Ela se aproximou dele, segurando seus braços. "Eu entendo o perigo. Mas juntos somos mais fortes."

Ele a olhou nos olhos, a luta interna visível em cada fibra de seu ser. A fera ansiava por liberdade, pela caçada, mas o amor por Helena o mantinha preso à sua forma humana. "Você não entende a solidão que me consome, Helena. A luta constante para controlar a fera. Se eu perder o controle... se a fera tomar conta... você seria a primeira a sofrer."

"Eu confio em você," Helena disse, sua voz firme e cheia de convicção. "Eu confio no homem que eu amo. E eu sei que você não me machucaria."

Lúcius a puxou para um abraço apertado, o corpo dele tremendo levemente. "Eu daria minha vida para te proteger, Helena. O sacrifício é algo que aprendi desde cedo. Mas o sacrifício por amor... é o mais difícil de todos."

Eles ficaram assim por um momento, o silêncio que os envolvia parecendo carregar o peso de suas palavras não ditas. De repente, um estalo de galho seco rompeu a quietude. Não era um som distante. Estava perto. Demais perto.

"Eles estão aqui," Lúcius sibilou, afastando-se de Helena com uma agilidade surpreendente. A fera em seus olhos se intensificou, o corpo dele se contorcendo em uma preparação para a transformação.

Helena sentiu o pânico subir, mas manteve a calma, lembrando-se do amuleto em sua mão. Ela se virou, tentando avistar os caçadores, mas a mata era densa demais.

"Fique atrás de mim, Helena!" Lúcius ordenou, sua voz já se tornando mais grave, mais rouca.

Antes que ela pudesse responder, uma flecha assobiou pelo ar, mirando em Lúcius. Ele se jogou para o lado, a flecha raspando em seu ombro. Um grunhido de dor escapou dele, e a transformação acelerou. Pelos escuros começaram a brotar em seus braços, os músculos se retesando em contornos não humanos.

"Não!" Helena gritou, correndo em direção a ele.

Outra flecha disparou, desta vez mirando em Helena. Em um instante de coragem pura, Lúcius se jogou na frente dela, a flecha cravando-se em seu peito. Um uivo de dor e fúria ecoou pela floresta, e a transformação se completou em um turbilhão de pelos e garras. O lobo se ergueu diante de Helena, um vulto imponente e aterrorizante, a besta ferida, mas ainda feroz.

Helena observou com horror enquanto o lobo se virava para encarar os caçadores que emergiam das sombras. Seus olhos âmbar, outrora cheios de amor e dor, agora brilhavam com uma fúria selvagem e indomável. Ele soltou um rugido ensurdecedor, um chamado de guerra que fez as árvores tremerem.

"Lúcius!" Helena gritou, a voz embargada pelo desespero.

O lobo olhou para ela por um instante, um lampejo de reconhecimento em meio à fúria da besta. Em seguida, ele se lançou contra os caçadores, uma massa de músculos e presas, lutando com uma ferocidade avassaladora.

Helena, paralisada pelo medo e pela dor, observou a batalha se desenrolar. A força do lobo era impressionante, mas eram muitos. As flechas continuavam a voar, algumas encontrando seu alvo na pele grossa da fera, outras atingindo-a em pontos vulneráveis.

De repente, um dos caçadores se aproximou de Helena, uma adaga em punho. "Você é a chave, garota. E agora, você virá conosco."

Helena sentiu o amuleto em sua mão, o calor reconfortante que emanava dele. Ela fechou os olhos, concentrando-se na energia que Morgana lhe ensinara. Ela pensou em Lúcius, em seu amor, em sua força.

"Não," ela sussurrou, erguendo o amuleto. "Eu não vou a lugar nenhum."

Uma luz fraca emanou da pedra, envolvendo Helena em um véu sutil. O caçador, surpreso, hesitou por um instante. E nesse instante, o lobo, vendo a ameaça à Helena, soltou um rugido poderoso e se lançou contra o homem, derrubando-o no chão.

A luta continuou por mais alguns minutos, um turbilhão de uivos, rugidos e o tilintar do metal. Mas Lúcius, mesmo ferido, era demais para eles. Os caçadores, percebendo a superioridade da fera e a determinação de Helena, começaram a recuar, desaparecendo nas sombras da floresta com a mesma rapidez com que haviam surgido.

Quando o último deles sumiu de vista, o lobo se virou para Helena. Ele cambaleou, a ferida no peito sangrando profusamente. Seus olhos âmbar, agora mais calmos, fixaram-se nos dela. Ele deu alguns passos hesitantes em sua direção, a forma animalesca começando a se contrair, a dor da transformação e das feridas visível em cada movimento.

Helena correu até ele, ajoelhando-se ao seu lado. "Lúcius! Você está ferido!"

Ele a olhou, a forma humana começando a retornar, mas a fraqueza o dominava. "Eu... eu o afastei... de você."

"Você me salvou," Helena sussurrou, lágrimas escorrendo por seu rosto. Ela tocou a ferida em seu peito, a pele fria e úmida de sangue. "Você se sacrificou."

Lúcius pegou a mão dela, apertando-a com a pouca força que lhe restava. "Sempre, Helena. Sempre."

O corpo dele fraquejou, e ele caiu em seus braços. Helena o segurou, o peso dele esmagador, mas ela não o soltou. A floresta, antes palco de uma batalha feroz, agora parecia um santuário silencioso, onde apenas o som da respiração fraca de Lúcius e o choro de Helena quebravam a quietude. Ela sabia que estava diante de um momento crucial. O sacrifício de Lúcius havia sido necessário para protegê-la, mas agora, ela precisava protegê-lo. A trilha das sombras os havia levado a um ponto de desespero, mas também a um novo nível de determinação. O amor deles, testado pelo fogo e pelo sangue, precisava encontrar um caminho para a cura.

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