O Sussurro do Lobisomem Encantado

Capítulo 15 — A Cura Sob a Lua Nova e o Renascer de um Amor

por Nathalia Campos

Capítulo 15 — A Cura Sob a Lua Nova e o Renascer de um Amor

A floresta, despojada da fúria da lua sangrenta, agora era banhada pela tênue luz da lua nova. Um véu de escuridão mais profunda, que paradoxalmente parecia mais calmo. Helena, com Lúcius desfalecido em seus braços, sentia o peso de sua responsabilidade mais do que nunca. As feridas de Lúcius eram graves, a flecha que o atingira em seu peito havia sido profunda, e a transformação da fera apenas complicara a situação.

"Precisamos levá-lo para um lugar seguro," Helena murmurou, sua voz embargada pelo desespero. Lembrou-se das palavras de Morgana, da cabana escondida, do refúgio de paz. Era para lá que precisava levá-lo.

Com um esforço hercúleo, ela conseguiu erguer Lúcius, apoiando-o em seu ombro. Cada passo era uma tortura, a dor em seu próprio corpo, o peso dele, mas a determinação em seu coração era inabalável. A visão dele, vulnerável e ferido, alimentava sua força. Ela não o deixaria sucumbir. Não ali, na escuridão da floresta, onde o perigo espreitava.

Guiada pelo instinto e pela memória das instruções de Morgana, Helena se embrenhou na mata, buscando o caminho para o refúgio. O amuleto em sua mão parecia pulsar com uma energia tênue, um guia silencioso na escuridão. Ela pensava nas palavras de Lúcius, em seu sacrifício, e sentia o amor que os unia se aprofundar, se transformar em algo mais forte, mais resiliente.

Horas depois, exausta e com os músculos doloridos, Helena avistou a fraca luz de uma fogueira entre as árvores. Era a cabana de Morgana. Com um último esforço, ela chegou à clareira, o corpo de Lúcius quase cedendo ao chão.

Morgana saiu da cabana, seus olhos percebendo imediatamente a gravidade da situação. Sem dizer uma palavra, ela correu para ajudar Helena a deitar Lúcius perto do fogo. A expressão em seu rosto era de profunda preocupação.

"Ele está perdendo muito sangue," Morgana constatou, seu toque experiente examinando a ferida. "A fera agravou os danos. Precisaremos de mais do que ervas para isso."

Helena sentou-se ao lado de Lúcius, segurando sua mão fria. "Existe alguma maneira? Alguma magia?"

Morgana olhou para Helena, um brilho intenso em seus olhos. "Existe. Mas exigirá um sacrifício. A cura de uma alma marcada pela fera, especialmente quando ferida em combate, requer a energia vital de alguém que a ama profundamente. Um intercâmbio de força. Um ritual sob a lua nova, quando as energias da terra e do espírito estão mais receptivas."

O coração de Helena disparou. Ela sabia o que Morgana estava sugerindo. "Eu farei o que for preciso," ela disse, sua voz firme, sem hesitação. "Eu o amo, Morgana. E não vou deixá-lo morrer."

Morgana assentiu, um misto de admiração e tristeza em seu olhar. "A lua nova está em seu ápice. Precisamos começar agora. Abrace-o, Helena. Concentre todo o seu amor, toda a sua força, em cada célula dele. Visualize a cura, a força retornando, a fera se acalmando e voltando ao seu lugar."

Helena se inclinou sobre Lúcius, seu rosto roçando o dele. Ela fechou os olhos, a imagem dele, vivo e forte, gravada em sua mente. Ela pensou em seus beijos, em seus abraços, em seu amor. Ela derramou toda a sua essência nele, a energia vital de seu próprio corpo fluindo para ele. Uma sensação de fraqueza a invadiu, mas ela a ignorou, concentrando-se na imagem da cura.

Morgana começou a entoar palavras em uma língua antiga, sua voz ressoando na noite silenciosa. O fogo da lareira pareceu crepitar com mais intensidade, as sombras da floresta dançando em um ritmo hipnótico. Helena sentiu uma conexão profunda se estabelecer entre ela e Lúcius, um fio invisível de energia que os ligava em um único ser.

Lentamente, a cor começou a retornar ao rosto de Lúcius. Sua respiração, antes fraca e superficial, tornou-se mais profunda e regular. A ferida em seu peito, que sangrava profusamente, parecia se fechar, a pele se regenerando diante dos olhos de Helena. Um suspiro profundo escapou dos lábios de Lúcius, e seus olhos se abriram lentamente.

Eles estavam turvos no início, mas gradualmente focaram em Helena, que o olhava com lágrimas de alívio nos olhos. "Helena..." ele sussurrou, sua voz fraca, mas inconfundivelmente dele.

"Shhh," ela disse, acariciando seu rosto. "Descanse. Você está seguro agora."

Lúcius olhou para ela, para a fraqueza em seus olhos, para a palidez de sua pele. Ele sentiu a energia que emanava dela, o sacrifício que ela havia feito. "Você... você fez isso por mim?"

Helena assentiu, um sorriso frágil nos lábios. "Sempre, Lúcius. Sempre."

Morgana, exausta, mas com um brilho de satisfação nos olhos, observou a cena. "O ritual foi completado. A cura foi bem-sucedida. Mas a energia vital que você compartilhou, Helena, levará tempo para se restabelecer. Você precisará descansar."

Lúcius apertou a mão de Helena com mais força. Ele sentiu a fraqueza dela, a energia drenada. A culpa o consumiu. "Eu sinto muito, Helena. Eu não queria que você tivesse que passar por isso."

"Você não tem nada do que se desculpar," ela disse, acariciando seus cabelos. "Nós somos um só agora, Lúcius. Seu fardo é o meu. E o meu amor é a sua força."

Nos dias que se seguiram, Helena e Lúcius permaneceram na cabana de Morgana, recuperando suas forças. A cada nascer do sol, Helena sentia sua energia retornar, o corpo se reabastecendo. Lúcius, com as feridas curadas, sentia-se mais forte do que nunca, não apenas fisicamente, mas emocionalmente. A experiência do ritual, o amor incondicional de Helena, haviam acalmado a fera dentro dele, não a destruindo, mas a integrando, transformando a maldição em uma parte de si mesmo que ele podia, finalmente, abraçar.

Sob a luz suave da lua nova, enquanto recuperavam suas forças, o amor entre Helena e Lúcius renasceu, mais profundo e resiliente do que antes. As provações que enfrentaram, o perigo que os cercou, apenas solidificaram o laço que os unia. Eles haviam enfrentado as sombras mais escuras, e emergiram juntas, mais fortes, mais unidas. O sussurro do lobisomem encantado, antes um prenúncio de perigo, agora se tornava um hino de amor e renascimento, uma promessa de um futuro onde a fera e a donzela poderiam, finalmente, encontrar a paz. A maldição ancestral parecia ter encontrado sua cura, não na ausência da fera, mas na presença de um amor que era capaz de abraçar todas as suas facetas. O caminho à frente ainda seria desafiador, mas agora, eles o trilhariam juntos, de mãos dadas, com o coração cheio de esperança e a força de um amor que havia vencido a escuridão.

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