O Sussurro do Lobisomem Encantado

Capítulo 18 — O Confronto na Mansão e a Fuga Impossível

por Nathalia Campos

Capítulo 18 — O Confronto na Mansão e a Fuga Impossível

O som do galho quebrado ecoou pela mansão como um alarme silencioso, quebrando a tensão sufocante do confronto. Elias, com um brilho de fúria e expectativa em seus olhos, se virou para a porta, seu amuleto escuro pulsando fracamente em sua mão. A mulher de feições marcadas e o homem corpulento se posicionaram em alerta, seus corpos tensos, prontos para o embate. Daniel e Elena, escondidos na fresta da porta, sentiram o perigo se intensificar.

“Eles devem ter nos seguido”, Daniel sussurrou para Elena, sua voz um rosnado baixo, quase imperceptível. A raiva fervilhava dentro dele. Saber que Elias o havia manipulado com tanta frieza, usando a sua própria busca por cura como arma, era um golpe devastador. “O plano de Elias é ainda mais perigoso do que pensávamos. Ele quer usar a Elena para estabilizar um portal e liberar algo destrutivo.”

Elena sentiu o medo gelar suas veias, mas a determinação em seu coração era ainda mais forte. A verdade sobre Elias era cruel, mas a clareza que ela trazia era essencial. Eles não podiam permitir que ele cumprisse seu plano. “Precisamos sair daqui. Agora. E avisar todos sobre o que ele pretende.”

A porta da sala de estudo se abriu com um estrondo, revelando um corredor escuro. Elias deu um passo à frente, seu olhar perscrutando a escuridão com uma intensidade que parecia penetrar a própria alma. “Mostrem-se! Que sejam quais forem os espiões de Daniel, eu os encontrarei.”

Daniel puxou Elena para trás, afastando-se da porta. Ele sabia que a fuga não seria fácil. A mansão de Elias era um labirinto projetado para confundir, e agora, com os seus servos alertados, cada corredor poderia ser uma armadilha.

“Por aqui”, Daniel sussurrou, guiando Elena por um corredor lateral menos iluminado. Seus sentidos aguçados captavam cada som: os passos pesados dos servos de Elias, o murmúrio de vozes distantes, e o som sutil de algo se movendo nas sombras.

Eles se moveram com agilidade, deslizando pelas salas escuras, usando os móveis cobertos por lençóis como escudos. O cheiro de mofo e de magia negra pairava no ar, um lembrete constante da presença de Elias.

Enquanto atravessavam uma sala de jantar opulenta, onde um lustre de cristal pendia precariamente, a voz de Elias ecoou pelas paredes. “Eles estão lá dentro! Peguem-nos! Não deixem que escapem com o que sabem!”

Os passos se aproximaram, mais rápidos e urgentes. Daniel agarrou a mão de Elena, puxando-a para uma porta de serviço que levava aos fundos da mansão. “Temos que sair pela floresta. É a nossa única chance.”

Ao abrirem a porta, foram recebidos por uma rajada de vento frio e o cheiro de terra molhada. A noite ainda estava escura, mas a lua pálida começava a perfurar as nuvens, lançando sombras fantasmagóricas sobre os jardins negligenciados.

Antes que pudessem dar um passo, a mulher de feições marcadas surgiu de uma das entradas laterais, bloqueando o caminho. Seus olhos brilhavam com uma malícia fria, e ela segurava um bastão de madeira escura, adornado com símbolos estranhos.

“Não vão a lugar algum”, ela sibilou, sua voz ecoando com uma energia sinistra. “Elias não permitirá que você interfira em seus planos.”

Daniel se colocou entre Elena e a mulher, seus músculos tensos. “Saia do nosso caminho.”

“E você é o que, um lobo protetor? Tão patético.” A mulher riu, um som agudo e desagradável. “Elias me incumbiu de garantir que vocês não saíssem daqui. E eu farei isso.”

Ela girou o bastão, e uma energia escura emanou dele, criando uma barreira tênue no ar. Elena sentiu uma pressão esmagadora, como se o ar ao redor estivesse se tornando mais denso.

“Daniel, a cura que você me deu…”, Elena começou, lembrando-se das propriedades curativas das ervas e dos rituais que ela havia realizado.

“Não é o momento, Elena!”, Daniel rosnou, se esquivando de um golpe rápido da mulher. A força do lobo em seu interior estava agitada, a necessidade de proteção se sobrepondo a qualquer hesitação.

O homem corpulento surgiu então, bloqueando a outra saída. Ele era ainda mais imponente de perto, seus braços fortes e sua expressão implacável.

“Vocês são os peões de Daniel, não são?”, ele disse, sua voz grave e ameaçadora. “Acham que podem desafiar Elias?”

Daniel sabia que não poderia lutar contra os dois simultaneamente e garantir a fuga de Elena. A esperança de confrontar Elias diretamente parecia cada vez mais distante.

“Elena, corra!”, Daniel gritou, empurrando-a na direção da floresta. “Eu os distraio!”

“Não!”, Elena gritou de volta, recusando-se a deixá-lo.

Mas Daniel já estava em movimento. Com um rugido que parecia vir das profundezas de sua alma, ele se transformou. A transformação foi rápida, dolorosa de se ver, mas incrivelmente poderosa. Em poucos segundos, um lobo negro imponente estava diante deles, seus olhos brilhando com uma fúria ancestral.

Ele atacou o homem corpulento com uma velocidade surpreendente, os dois rolando no chão em uma luta brutal. O homem era forte, mas o lobo era puro instinto e força selvagem.

A mulher de feições marcadas, surpresa pela transformação, hesitou por um instante. Foi o suficiente. Elena correu para a escuridão da floresta, o som da luta de Daniel ecoando atrás dela.

“Daniel!”, ela gritou, o coração disparado, mas sabia que ele a havia salvado para que ela pudesse viver e expor os planos de Elias.

Ela correu sem rumo, guiada apenas pela adrenalina e pelo medo. A floresta, outrora um refúgio, agora parecia um lugar traiçoeiro, repleto de sombras que se retorciam e sussurros que pareciam se transformar em vozes ameaçadoras.

De repente, ela tropeçou em uma raiz exposta e caiu no chão lamacento. A dor em seu tornozelo era aguda, mas o medo de ser capturada era maior. Ela tentou se levantar, mas a dor a impedia.

“Você acha que pode escapar tão facilmente?”, uma voz fria e calculista soou acima dela.

Elena levantou a cabeça com dificuldade. Parado acima dela, com um sorriso cruel, estava Elias. Em sua mão, ele segurava o mesmo amuleto escuro que ela vira em seu estudo.

“Daniel é um tolo por pensar que poderia me deter”, Elias disse, sua voz cheia de um triunfo sombrio. “Ele nunca foi forte o suficiente. E você, garota… você é apenas um inconveniente.”

Elena tentou se afastar, mas a dor em seu tornozelo a impedia. O amuleto nas mãos de Elias parecia pulsar com uma energia maligna, e ela sentiu uma fraqueza tomar conta dela.

“Não… você não vai conseguir”, ela sussurrou, reunindo suas últimas forças.

Elias se ajoelhou ao lado dela, seu rosto a centímetros do dela. Seus olhos eram frios e sem emoção, como os de um predador. “Não se preocupe. Seu sacrifício será glorioso. A sua luz será o que precisamos para abrir o portal para a verdadeira glória.”

Ele ergueu o amuleto. Elena sentiu uma força invisível puxá-la, uma escuridão que tentava engoli-la. Ela fechou os olhos, pensando em Daniel, em seu amor, em sua esperança de um futuro juntos.

Mas então, um uivo ecoou pela floresta, um uivo cheio de dor e raiva. Era Daniel.

Elias franziu a testa, desviando sua atenção por um instante. Foi o suficiente. Elena, impulsionada por um último lampejo de desespero e amor, deu um chute forte na perna de Elias, desequilibrando-o.

Ela rolou para o lado, se arrastando o máximo que podia. Elias, furioso, se levantou, mas no momento em que se virou para ela, um vulto escuro surgiu das árvores. Era Daniel, ainda em sua forma lupina, mas visivelmente ferido. Ele saltou sobre Elias, rosnando e atacando.

A distração era tudo o que Elena precisava. Ignorando a dor em seu tornozelo, ela se levantou e começou a correr, desaparecendo na escuridão da floresta. Ela não sabia se Daniel conseguiria detê-lo, mas sabia que tinha que continuar, que tinha que sobreviver para que o sacrifício dele não fosse em vão.

A mansão de Elias ficava para trás, um ponto sombrio na paisagem noturna. Elena correu, o som da luta e os uivos de Daniel diminuindo à medida que ela se afastava. O desespero era imenso, mas a determinação de proteger o que restava de sua esperança a impulsionava. Ela precisava encontrar ajuda. Precisava encontrar um jeito de deter Elias, e de salvar Daniel. A fuga impossível havia começado.

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