A Sombra de Yemanjá nas Noites de Magia Negra

Capítulo 13 — O Vínculo Quebrado e a Ascensão do Guardião

por Stella Freitas

Capítulo 13 — O Vínculo Quebrado e a Ascensão do Guardião

A névoa escura que emanava de Iara se adensava, envolvendo Laila em um manto de frio e desespero. O ar no templo submerso tornou-se pesado, carregado com a energia sombria que Iara parecia sugar de todos os cantos do abismo. Laila sentiu um aperto em seu peito, um temor ancestral que a ameaçava engolir. Mas então, ela se lembrou de Rael. A imagem dele, preso em um estado de semi-consciência, o reflexo da angústia em seus olhos, a impulsionou a resistir.

"Você fala de sacrifício, Iara", Laila disse, sua voz tremendo levemente, mas com uma determinação crescente. "Mas o verdadeiro sacrifício seria apagar a essência de alguém. O que você quer fazer com Rael não é equilíbrio, é destruição. É roubar a vida dele para apagar as suas próprias falhas."

Iara riu, um som áspero e sem alegria. "Falhas? Eu estou salvando este mundo! O mundo humano esqueceu o respeito, a reverência. Eles exploram, poluem, destróem. A energia que Rael carrega, a sua conexão com a essência vital, é a única coisa que pode purificar o mal que vocês criaram."

"E essa purificação tem que ser feita com o sangue dele?" Laila questionou, dando um passo hesitante para frente. Ela sentiu o óleo protetor em sua pele, um lembrete constante de que não estava sozinha, que Yemanjá a guiava.

"O sangue é a força vital, Laila. É o que conecta todos os seres. O sangue de um puro, imbuído de uma energia especial, pode reverter os danos. É um pacto antigo, que vocês quebraram."

Laila franziu a testa, a mente trabalhando freneticamente. Uma energia especial? Rael sempre foi diferente, de uma bondade e compaixão que pareciam vir de um lugar mais profundo do que o comum. E se Iara estivesse certa, em sua distorcida visão? E se Rael realmente carregasse algo vital que pudesse ser usado para o bem, mas não da maneira que ela pretendia?

"Se Rael carrega essa energia, então a resposta não é drená-lo, mas sim libertá-la!", Laila exclamou, um lampejo de esperança surgindo em sua mente. "Yemanjá não deseja destruição, ela deseja vida, equilíbrio através da harmonia, não do sacrifício."

A expressão de Iara endureceu. "Você ousa contradizer a Mãe das Águas? Você, com sua alma em guerra, com seu sangue dividido?"

"Eu sou a voz de Yemanjá que se lembra do amor e da compaixão!", Laila rebateu, sentindo a energia das ondas se fortalecer dentro dela. Ela visualizou as correntes marítimas, a força que moldava o planeta, a vida que florescia em suas profundezas. "Você está usando o medo e a dor para manipular uma força que não entende verdadeiramente!"

Enquanto Laila falava, ela sentiu uma conexão sutil se formar entre ela e Rael, mesmo à distância. Era um fio invisível, um eco de seus sentimentos mais profundos. Ela se concentrou nesse vínculo, enviando pensamentos de amor, de força, de esperança para ele.

"Rael!", ela chamou em pensamento, sua voz interior ecoando em sua mente, mas também, ela esperava, alcançando-o. "Você não está sozinho! Lute! Não deixe que ela te leve!"

De repente, uma mudança sutil ocorreu no ambiente. A névoa escura ao redor de Iara pareceu vacilar, como se algo estivesse resistindo à sua influência. Os olhos de Iara se arregalaram levemente, focando em Laila com uma mistura de surpresa e fúria.

"O quê? Como você está fazendo isso?" Iara sibilou.

"Não sou eu. É ele. É a força dele. A força que você tenta subjugar, mas que se recusa a ser silenciada", Laila respondeu, sentindo a conexão com Rael se fortalecer. Ela percebeu que o pacto que Iara estava tentando impor era uma violência contra a própria essência de Rael, e essa violência estava gerando uma resistência interna.

"Impossível! O pacto está selado!", Iara rosnou, erguendo ambas as mãos. A água ao redor começou a se agitar violentamente, formando redemoinhos ameaçadores.

"Você selou um pacto de dor, não de destino!", Laila gritou, erguendo suas próprias mãos. Ela não tinha o poder bruto de Iara, mas tinha a sabedoria de Yemanjá, a força das marés que se infiltravam em tudo, que moldavam e renovavam. Ela visualizou a energia de Rael, não como uma fonte de sacrifício, mas como uma centelha de vida pura, uma luz que Iara tentava apagar.

Laila concentrou toda a sua vontade em enviar essa energia de volta para Rael, fortalecendo-o, protegendo-o. Era como tentar canalizar um rio poderoso através de um pequeno riacho, mas a força de seu amor era o catalisador.

"Rael, meu amor! Lembre-se de nós! Lembre-se do sol, do mar, do nosso futuro!", ela implorou em pensamento, sentindo as lágrimas escorrerem por seu rosto.

No centro do templo, Rael, que até então estava imóvel e pálido, emitiu um gemido baixo. Seus olhos se abriram por um breve instante, um vislumbre de consciência em meio à escuridão que o aprisionava. Ele parecia lutar contra algo invisível, seus músculos tensos, seu corpo em agonia.

Iara percebeu a mudança e sua fúria explodiu. "Isso não vai ficar assim!" Ela concentrou toda a sua energia sombria em Laila, um feitiço de desespero e desintegração.

Laila sentiu a força do ataque, uma onda de frio que ameaçava consumir sua mente e seu corpo. Ela se agarrou à imagem de Rael, à sensação do vínculo entre eles. Ela não podia sucumbir. Ela era a herdeira de Yemanjá, a protetora do equilíbrio.

Foi então que ela se lembrou das palavras de Dona Aurora sobre a serpente adormecida e o homem no altar. Se Iara estava tentando reverter um erro passado, quem teria sido o responsável por esse erro? E por que Rael, com sua energia especial, era a chave?

"Quem foi que te ensinou esse ritual, Iara?", Laila perguntou, sua voz agora carregada com a força das marés. "Quem te disse que o sangue dele era a resposta?"

Iara hesitou por uma fração de segundo, a surpresa em seu rosto mais uma vez. Essa hesitação foi suficiente.

No momento em que Iara vacilou, a energia de Rael, fortalecida pelo amor de Laila e pela sua própria força vital, reagiu. Não foi um ataque, mas uma liberação. Uma onda de energia pura e radiante emanou de Rael, rompendo o controle de Iara. Foi como um raio de sol cortando a escuridão mais profunda.

O impacto da energia atingiu Iara, não com violência física, mas com uma força que desestabilizou sua magia sombria. A névoa negra se dissipou, e o salão do templo pareceu respirar aliviado. Iara cambaleou para trás, sua expressão de fúria substituída por uma consternação chocada.

"Não… isso não é possível!", ela murmurou.

Rael, enfraquecido, mas livre do controle imediato de Iara, caiu de joelhos. Seus olhos se fixaram em Laila, e um fio de reconhecimento, de amor, passou por eles.

"Laila…", ele sussurrou, sua voz rouca e fraca.

Laila correu até ele, ignorando Iara, ignorando o perigo. Ela o abraçou com força, sentindo o calor de seu corpo, o pulsar de seu coração contra o seu.

"Rael! Você está bem!", ela exclamou, as lágrimas de alívio escorrendo por seu rosto.

Enquanto Laila se concentrava em Rael, Iara se recuperava de seu choque. Seus olhos, agora frios e calculistas, observavam a cena. Ela percebeu que a batalha não estava perdida, apenas mudara de rumo.

"Você pode ter protegido o corpo dele, Laila, mas não pode deter o inevitável", Iara disse, sua voz agora calma e perigosa. "O pacto foi quebrado, mas o mal que vocês desataram ainda precisa ser corrigido. E você acabou de revelar a força que ele carrega. Agora, outros saberão."

Com essas palavras, Iara se virou e desapareceu nas sombras do templo, deixando para trás um rastro de incerteza e perigo.

Laila olhou para Rael, que agora a abraçava de volta, sua força retornando gradualmente. Ela sabia que a batalha ainda estava longe de terminar. Iara estava furiosa, e as palavras dela sobre outros saberem da força de Rael soavam como uma ameaça iminente. Mas, por enquanto, eles estavam juntos, livres. E isso era o suficiente.

Ela olhou para o altar de obsidiana, onde as marcas de sangue ainda estavam visíveis. O pacto foi quebrado, mas as consequências de suas ações, de suas escolhas, ainda pairavam sobre eles. A força de Rael havia sido revelada, e com ela, um novo perigo surgira. O guardião havia ascendido, mas a sombra da magia negra ainda se estendia sobre eles.

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