A Sombra de Yemanjá nas Noites de Magia Negra

Capítulo 14 — As Cicatrizes do Abismo e o Chamado do Desconhecido

por Stella Freitas

Capítulo 14 — As Cicatrizes do Abismo e o Chamado do Desconhecido

O retorno de Rael à consciência foi um processo lento e doloroso, marcado por vislumbres de pesadelos vívidos e uma profunda exaustão. Laila não o deixou um segundo sequer, cuidando dele com uma ternura que transbordava em cada gesto. O quarto na cabana de Dona Aurora, antes um refúgio de paz, agora era um santuário de recuperação, onde o aroma de ervas medicinais se misturava com o cheiro suave e reconfortante de Rael.

Ele se lembrava vagamente de um abismo escuro, de uma voz fria que sussurrava promessas de redenção, e de uma luta interna feroz para não se render à escuridão. As palavras de Laila, seu amor, sua força, foram o fio que o puxou de volta à superfície, como um náufrago encontrando uma âncora no meio de uma tempestade.

"Você… você me salvou", Rael sussurrou, sua voz ainda fraca, mas carregada de uma emoção profunda. Ele segurava a mão de Laila com força, como se temesse que ela pudesse desaparecer.

Laila sorriu, seus olhos marejados. "Nós nos salvamos, Rael. Juntos." Ela se inclinou e beijou sua testa. "Você foi incrivelmente forte."

"Eu não sei o que aconteceu… eu vi… coisas terríveis", ele disse, fechando os olhos por um momento, como se revivesse os horrores. "Uma mulher… ela queria algo de mim. Algo que eu não entendia."

"Iara", Laila murmurou. "Ela queria usar sua energia, Rael. O que você carrega dentro de si. Ela acreditava que podia apagar os erros do passado com o seu sangue."

Rael abriu os olhos, surpresos e alarmados. "Meu sangue? Mas… por quê?"

Laila explicou o plano de Iara, a busca por um equilíbrio distorcido, a crença de que o sacrifício dele poderia purificar o mundo. Ela omitiu os detalhes mais sombrios, os rituais obscuros que ela mesma tinha presenciado, para não assustá-lo ainda mais.

"Eu não entendo", Rael disse, franzindo a testa. "Por que eu? O que eu tenho de especial?"

Laila hesitou. Dona Aurora havia dito que Rael possuía uma energia especial, uma conexão com a essência vital. Mas ela mesma, com sua herança de Yemanjá, também carregava uma força ancestral. Seria a combinação deles, o vínculo entre eles, que havia gerado essa energia que Iara buscava controlar?

"Eu não sei ao certo, meu amor", Laila admitiu, acariciando o rosto dele. "Mas sei que você é especial. E que o seu valor não está em ser um sacrifício, mas em ser você mesmo. A sua bondade, a sua luz… isso é o que importa."

Enquanto conversavam, Dona Aurora entrou na cabana, trazendo uma bandeja com chá de ervas e pão fresco. Seus olhos, sempre serenos, observaram Rael com atenção.

"Vejo que a tempestade passou", ela disse com um sorriso suave.

"Por enquanto", Laila respondeu, sentindo um calafrio percorrer sua espinha. As palavras de Iara ecoavam em sua mente: "Agora, outros saberão."

"O que aconteceu lá, Laila?", Rael perguntou, virando-se para Dona Aurora. "Eu sinto… como se algo tivesse mudado dentro de mim."

Dona Aurora sentou-se à beira da cama. "Você foi exposto a uma magia poderosa, Rael. Uma magia que tentou moldá-lo à força. Mas a sua própria força interior, e o amor que te conecta a Laila, resistiram. Você não é mais apenas Rael. Você é também um guardião. Alguém que atrai, e agora, que protege."

"Guardião?", Rael repetiu, confuso.

"Sua essência vital, a energia que você carrega, foi revelada. Isso te torna um alvo para aqueles que buscam poder, mas também te confere uma capacidade única de proteção. Acredito que foi essa força que te permitiu resistir a Iara."

Laila olhou para Rael com admiração e preocupação. Ele havia sido forçado a despertar para algo que não compreendia, algo que o colocava em perigo.

"Iara disse que outros saberão", Laila disse, sua voz apreensiva. "O que isso significa?"

"Significa que o seu segredo não está mais seguro, Rael", Dona Aurora respondeu com seriedade. "A energia que você emana é algo que muitos cobiçam. A magia negra de Iara pode ter sido repelida por você, mas ela abriu as portas para outros. Outros que podem não ter as mesmas intenções de 'equilíbrio' que ela alega ter."

Um silêncio pesado pairou no ar. O alívio da recuperação de Rael foi substituído pela ansiedade de um novo perigo iminente.

"O que podemos fazer?", Rael perguntou, olhando para Laila.

"Precisamos entender quem são esses 'outros'", Laila disse, sua mente começando a trabalhar. "E precisamos nos preparar. Iara está furiosa. Ela não vai desistir facilmente."

"E você, Laila?", Dona Aurora perguntou, seus olhos profundos fixos nos dela. "Você sentiu a força de Yemanjá fluir através de você. O que você sentiu?"

Laila fechou os olhos, relembrando a sensação das ondas, a força primordial que a guiou. "Eu senti… proteção. E um chamado. Um chamado para manter o equilíbrio, não pela destruição, mas pela harmonia."

"É um chamado que você não pode ignorar", Dona Aurora disse. "O seu destino está entrelaçado com o dele, e com o destino destes mares. A força de Iara pode ser antiga, mas a sabedoria de Yemanjá é eterna. E ela te escolheu para ser sua voz, sua guardiã."

Nos dias que se seguiram, Rael recuperou gradualmente suas forças, mas a experiência o deixou mudado. Ele estava mais introspectivo, mais atento às energias ao seu redor. Ele sentia a presença de Laila como uma âncora, um ponto de luz em meio à incerteza.

Uma noite, enquanto observavam o céu estrelado sobre o mar, Rael segurou a mão de Laila. "Laila, eu sinto algo. Uma presença. Como um chamado vindo das profundezas."

Laila sentiu o mesmo. Uma vibração sutil no ar, um sussurro que parecia vir do oceano, mas também de um lugar muito mais antigo e misterioso. Era o chamado do desconhecido, a continuação da luta.

"Eu também sinto", ela respondeu. "É como se o próprio mar estivesse nos chamando."

Dona Aurora, que estava presente, assentiu. "O mar guarda muitos segredos, e muitas forças. Iara agiu, e abriu caminho para o que está adormecido. O seu chamado pode ser um aviso, ou um convite. Vocês precisam descobrir."

A ideia de mergulhar ainda mais fundo nos mistérios que os envolviam era assustadora, mas necessária. A ameaça de Iara e de seus aliados era real, e a força que Rael carregava era um farol que atrairia tanto amigos quanto inimigos.

"Precisamos ir até o fundo", Laila disse, olhando para Rael, seus olhos cheios de determinação. "Precisamos entender o que está acontecendo, quem está por trás disso tudo."

Rael assentiu, seu olhar firme. "Eu estou com você. Sempre."

O chamado do desconhecido era um chamado para a aventura, para o perigo, mas também para a descoberta. As cicatrizes do abismo que Rael havia enfrentado ainda estavam frescas, mas agora ele tinha um propósito renovado. E Laila, com a força de Yemanjá em seu sangue e o amor de Rael em seu coração, estava pronta para enfrentar qualquer coisa que o destino lhes reservasse. A sombra de Yemanjá parecia se alongar, mas agora, com a ascensão do guardião, uma nova luz começava a brilhar nas noites de magia negra.

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