Deu Match no Arraiá

Deu Match no Arraiá

por Letícia Moreira

Deu Match no Arraiá

Capítulo 16 — O Sussurro da Saudade e o Despertar de Um Sentimento Adormecido

O sol da manhã entrava tímido pelas janelas da casa de campo que Sofia e Rodrigo haviam alugado em uma pequena cidade litorânea, longe do burburinho e das lembranças amargas de São Paulo. O cheiro de café fresco pairava no ar, misturando-se ao aroma salgado que vinha do mar. Sofia, ainda sonolenta, rolou na cama, sentindo a ausência familiar de um corpo ao seu lado. Havia sido uma noite de sono inquieto, repleta de sonhos que a traziam de volta ao arraiá, aos olhos intensos de Rodrigo, àquele beijo roubado sob o céu estrelado de Minas.

Ainda era cedo, e Rodrigo já estava de pé, ajeitando a barraca de praia, a prancha de surf sob o braço. Ele observava o movimento suave das ondas, sentindo uma paz que há muito não experimentava. A decisão de se afastar da cidade, de buscar um refúgio, tinha sido impulsiva, mas necessária. A explosão de sentimentos no arraiá, o reencontro com Sofia, tudo aquilo o havia tirado do eixo. Ele sabia que precisava processar a avalanche de emoções que a presença dela despertara, a admiração que se transformara em algo mais profundo, algo que ele se recusava a nomear por enquanto.

Sofia finalmente se levantou, enrolada em um roupão de seda azul. Caminhou até a cozinha, onde encontrou Rodrigo preparando o café. Um sorriso suave brotou em seus lábios ao vê-lo, concentrado, um fio de cabelo teimoso despencando em sua testa.

“Bom dia”, ela disse, a voz ainda rouca de sono.

Rodrigo se virou, um sorriso genuíno iluminando seu rosto. “Bom dia, minha dorminhoca. Dormiu bem?”

Sofia se aproximou, sentindo o calor que emanava dele. “Mais ou menos. Acho que meu subconsciente resolveu dar uma festa com o arraiá.”

Ele riu, um som grave e agradável. “O meu também. Aquele forró não saía da minha cabeça. E você, com aquele vestido… parecia uma rainha.”

Um rubor subiu ao rosto de Sofia. As palavras dele a atingiram com uma força inesperada, despertando um sentimento adormecido, uma saudade que ela nem sabia que existia. Ela se sentou à mesa, enquanto Rodrigo servia o café. O silêncio que se instalou entre eles não era constrangedor, mas preenchido por uma cumplicidade recém-descoberta.

“Sabe, Rodrigo”, Sofia começou, mexendo o açúcar no café, “pensar em tudo o que aconteceu naquele arraiá… parece um sonho distante. A confusão, as brigas, e depois… aquele momento nosso.”

Rodrigo se sentou em frente a ela, seus olhos fixos nos dela. “Um sonho que, por um triz, não virou pesadelo para alguns. Mas o nosso momento… esse, eu não esqueço.”

O olhar dele era intenso, carregado de uma emoção que Sofia sentia reverberar em seu próprio peito. Era a mesma intensidade que ela via nos filmes, nos livros, mas ali, ao vivo, era avassalador. Ela se perguntava se ele sentia o mesmo turbilhão que ela, a mesma confusão de desejos e medos.

“Eu nunca imaginei que a gente voltaria a se falar assim”, Sofia confessou, a voz baixa. “Depois de tudo o que aconteceu, das mágoas… o que a gente fez no arraiá, foi… inesperado.”

“Inesperado e, para mim, algo que eu vinha reprimindo há muito tempo”, Rodrigo disse, a sinceridade em sua voz. Ele estendeu a mão sobre a mesa, e Sofia, sem hesitar, entrelaçou seus dedos aos dele. A eletricidade que percorreu seus braços foi palpável. “Eu tentei te esquecer, Sofia. Tentei acreditar que era apenas uma lembrança do passado, uma fantasia. Mas a vida, às vezes, nos prega peças que nos fazem encarar a verdade.”

“E qual é a verdade, Rodrigo?”, ela sussurrou, o coração batendo descompassado.

Ele apertou sua mão, o olhar fixo no horizonte. “A verdade é que você sempre teve um lugar especial em mim. E no arraiá, esse lugar se escancarou. Eu vi você, de verdade, pela primeira vez em muito tempo. Vi a mulher forte, determinada, mas também vi a fragilidade, a bondade. E eu… eu me apaixonei de novo.”

As palavras dele a atingiram como um raio. Paixão. Era a palavra que ela tanto temia e, ao mesmo tempo, tanto desejava ouvir. Um misto de alegria e pânico tomou conta dela. Era cedo demais, não era? Eles acabaram de sair de um turbilhão de desconfianças e verdades reveladas.

“Rodrigo… eu não sei o que dizer”, ela murmurou, a voz embargada.

Ele sorriu, um sorriso terno. “Você não precisa dizer nada agora. Apenas sinta. Sinta o que você sente. Eu não quero te pressionar, Sofia. Quero que você esteja aqui, comigo, porque você quer. Porque você sente que é o certo.”

Ele soltou a mão dela, levantando-se e caminhando até a janela. “Eu sei que é confuso. Para mim também é. Mas estar aqui, longe de tudo, com você… tem sido a coisa mais certa que eu fiz em anos.”

Sofia observou-o, a silhueta definida contra a luz do sol. Ela admirava a honestidade dele, a coragem de expor seus sentimentos, mesmo que com receio. Ela também sentia algo novo brotando em seu peito. Não era apenas a saudade do homem que ela conheceu, mas a admiração pela pessoa que ele se tornara. E a atração, ah, essa era inegável.

“Eu também sinto isso, Rodrigo”, ela disse, finalmente encontrando a voz. “Essa… paz. Essa vontade de estar perto. E sim, também sinto essa confusão. Mas talvez… talvez a gente deva se permitir sentir.”

Rodrigo se virou, os olhos brilhando. Ele caminhou até ela, e com um gesto suave, ergueu o queixo dela, fazendo-a olhá-lo nos olhos.

“Então, vamos nos permitir, Sofia. Vamos deixar a onda nos levar. Sem pressa, sem medos. Apenas… sentir.”

Ele se inclinou, e desta vez, o beijo não foi roubado, nem impulsionado pela euforia do arraiá. Foi um beijo terno, cheio de promessas silenciosas, de um recomeço. O gosto de café e sal marinho se misturou ao sabor de uma paixão redescoberta, adormecida por tanto tempo, e agora, despertando com a força do oceano. Aquele dia na casa de campo não seria apenas um refúgio, mas o início de uma nova história, escrita a quatro mãos, com os sentimentos mais sinceros e a esperança de um futuro juntos.

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