A Samba da Minha Vida Levou Você

Capítulo 7 — A Fuga para a Ilha e o Segredo Revelado

por Letícia Moreira

Capítulo 7 — A Fuga para a Ilha e o Segredo Revelado

O convite para a ilha particular de Eduardo veio como um raio de sol em meio a um dia chuvoso. Clara estava em seu escritório, cercada por planilhas e prazos que pareciam se multiplicar como coelhos, quando seu telefone tocou. Era ele. A voz dele, calma e sedutora, propôs uma pausa, uma fuga da rotina sufocante da cidade.

“Eu tenho uma casa de praia em Angra, Clara. Um lugar pequeno, isolado. Pensei que talvez… pudéssemos ir para lá por um fim de semana. Sem compromisso, sem pressão. Apenas relaxar.”

Clara hesitou. A ideia era tentadora, quase irresistível. Depois da noite em que ele lhe devolveu o colar, e da conversa que se seguiu, uma nova dinâmica havia se instalado entre eles. Havia uma tensão palpável, uma atração inegável, mas também uma hesitação mútua, como se ambos temessem dar o próximo passo. A proposta de Eduardo era um convite para sair da linha tênue que os separava, para mergulhar no desconhecido.

“Eu… não sei, Eduardo”, respondeu Clara, a voz um pouco trêmula. “É tão… repentino.”

“Repentino, mas necessário”, ele insistiu, a voz ganhando um tom mais persuasivo. “Você precisa de um respiro, Clara. E eu… bem, eu também. Pense nisso. Se decidir vir, meu piloto estará no aeroporto às dez da manhã de sexta-feira. Se não, tudo bem. Sem ressentimentos.”

A ligação terminou, deixando Clara com o coração acelerado e uma série de dilemas. A ilha. Angra. A solidão com Eduardo. Era uma aventura que a chamava, mas o medo do desconhecido a prendia. No entanto, a imagem de sua rotina, do peso das responsabilidades, do vazio que parecia acompanhá-la em dias mais sombrios, a empurrou para a decisão.

Na sexta-feira, Clara estava no aeroporto, uma pequena mala nas mãos, o corpo vibrando com uma mistura de ansiedade e expectativa. A bordo do helicóptero particular de Eduardo, enquanto a cidade maravilhosa se afastava em tons de azul e verde, ela sentia uma liberdade que há muito não experimentava. A ilha, quando avistada do alto, era um pedaço de paraíso: areia branca, coqueiros balançando ao vento e um mar de um azul cristalino que convidava ao mergulho.

A casa era rústica e elegante ao mesmo tempo, integrada à natureza exuberante. Eduardo a recebeu com um sorriso acolhedor, desprovido da arrogância que às vezes o cercava. Nos primeiros momentos, o silêncio pairou entre eles, um silêncio confortável, preenchido pelo som das ondas e pelo canto dos pássaros.

Os dias seguintes foram um bálsamo para a alma de Clara. Eles nadaram, caminharam pela praia, leram livros à sombra das palmeiras e compartilharam refeições simples, mas deliciosas, preparadas por um caseiro discreto. A cada momento, a tensão entre eles diminuía, substituída por uma cumplicidade genuína. Eduardo se mostrava um homem diferente longe do turbilhão da cidade: gentil, atencioso, com um senso de humor que a fazia rir até doer a barriga.

Uma noite, sentados na varanda, contemplando o céu estrelado, Clara sentiu um impulso de compartilhar algo que a oprimia há muito tempo. A mãe de Eduardo, Dona Beatriz, uma figura imponente e fria em sua memória, sempre fora um obstáculo em seu caminho.

“Eduardo”, ela começou, a voz baixa, quase um sussurro. “Eu sei que você não tem um bom relacionamento com sua mãe. Eu também não.”

Eduardo suspirou, o olhar perdido no horizonte. “Dona Beatriz é… complicada, Clara. Ela tem expectativas muito altas, e eu nunca consegui corresponder a todas elas.”

“Eu entendo”, Clara disse, sentindo uma estranha afinidade com ele. “Minha mãe também sempre quis que eu fosse… diferente. Mais ‘adequada’. Ela nunca entendeu minha paixão pela música, minha necessidade de criar algo meu.”

“E por que você não seguiu a música, Clara?”, Eduardo perguntou, o interesse genuíno em seus olhos. “Sei que você toca piano maravilhosamente bem.”

Clara sentiu um aperto no peito. Aquele era o segredo que ela guardava a sete chaves, o fantasma que a assombrava. “Eu… eu tive um acidente, muitos anos atrás. Um acidente de carro. Eu estava voltando de um ensaio, tarde da noite. Meus dedos… eles foram gravemente feridos. Os médicos disseram que eu nunca mais poderia tocar como antes.” As palavras saíram com dificuldade, carregadas de dor reprimida. “Eu perdi a sensibilidade em algumas pontas dos dedos, a força. A música, que era a minha vida, se tornou… uma tortura.”

Eduardo a olhou com compaixão, estendendo a mão para segurar a dela. “Clara, eu sinto muito. Eu não sabia.”

“Ninguém sabe”, ela murmurou, sentindo as lágrimas brotarem. “Eu escondi isso de todos. Não queria que ninguém me visse como uma… uma fracassada. Uma artista incompleta.”

“Você não é incompleta, Clara”, ele disse com firmeza, apertando sua mão. “Você é forte. Você superou algo terrível e está aqui, construindo sua vida, lutando por seus sonhos.” Ele a puxou para um abraço, um abraço que transmitia conforto e compreensão. “E quanto à sua mãe… e à minha… talvez precisemos entender que a validação delas não é a única que importa. A nossa validação é a que realmente conta.”

Naquele abraço, sob o manto estrelado de Angra, Clara sentiu um peso ser retirado de seus ombros. A revelação do seu segredo, longe de afastá-la de Eduardo, os aproximou ainda mais. Ele a via, a via de verdade, com suas fragilidades e suas cicatrizes, e ainda assim a desejava.

No dia seguinte, enquanto o sol se punha tingindo o céu de tons alaranjados e rosados, eles estavam sentados na areia, observando as ondas.

“Sabe, Eduardo”, Clara disse, depois de um longo silêncio. “Eu sempre achei que a minha vida tinha virado uma marcha lenta, sem a energia do samba que eu amava.”

Eduardo sorriu, virando-se para ela. “E agora?”

“Agora”, ela respondeu, sentindo um calor subir em suas bochechas, “acho que a samba da minha vida… encontrou um parceiro que sabe dançar no meu ritmo.”

Ele se aproximou, o olhar intenso. “E se eu te dissesse que talvez eu seja esse parceiro, Clara?”

O coração de Clara disparou. A ilha, a fuga, a revelação… tudo culminava naquele momento. A hesitação, o medo, tudo parecia ter se dissipado com o vento salgado.

“Eu… acho que eu gostaria de descobrir”, ela respondeu, a voz mal saindo.

Eduardo se inclinou, e seus lábios se encontraram em um beijo que era ao mesmo tempo suave e apaixonado, um beijo que selava a promessa de um novo começo. Era um beijo que falava de compreensão, de aceitação e da possibilidade de um amor que florescia inesperadamente, como uma flor rara no paraíso isolado de Angra. A samba da vida de Clara, antes em compasso de espera, agora parecia ter encontrado o ritmo perfeito, guiada por um parceiro que, de repente, parecia ser tudo o que ela sempre precisou. E o segredo revelado, em vez de afastá-los, havia sido a chave que destrancou as portas de seus corações.

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