Coração na Feijoada (e na Confusão)

Claro, aqui estão os próximos cinco capítulos de "Coração na Feijoada (e na Confusão)", seguindo seus requisitos:

por Priscila Dias

Claro, aqui estão os próximos cinco capítulos de "Coração na Feijoada (e na Confusão)", seguindo seus requisitos:

Capítulo 11 — O Feitiço do Açúcar e o Encontro Inesperado

O cheiro doce e envolvente do caramelo pairava no ar da pequena confeitaria de Dona Lurdes, uma melodia olfativa que parecia embalar a alma de Clara. Cada flor de açúcar que ela moldava com delicadeza parecia ganhar vida sob seus dedos, um reflexo da paixão que redescobria em cada receita. Aquele espaço, antes um refúgio de melancolia, agora pulsava com a energia vibrante de um sonho em construção. A proposta de Roberto, embora audaciosa, acendeu uma chama de esperança no peito de Clara, uma esperança que ela teimava em não deixar que a desilusão anterior apagasse.

“Clarinha, minha flor! Que beleza é essa?”, Dona Lurdes exclamou, aproximando-se com um sorriso que iluminava seu rosto enrugado. Ela observava as rosas de açúcar com admiração genuína. “Parece que você encontrou o caminho de volta para as suas mãos.”

Clara sorriu, um sorriso que finalmente alcançava seus olhos, antes turvos de tristeza. “Dona Lurdes, acho que o açúcar tem um feitiço. Ele acalma a alma e, quem sabe, até conserta os corações partidos.” Ela pegou uma pétala recém-formada, delicada como um suspiro. “Ainda não sei se consigo abraçar essa ideia do Roberto… é tudo tão… repentino. Mas o trabalho… ah, o trabalho me faz sentir viva de novo.”

“Repentino é o amor, minha filha. E o trabalho bem feito é cura”, respondeu Dona Lurdes, com a sabedoria de quem já viveu muitas primaveras e outonos. “O que importa é que você está fazendo o que ama. E esse Roberto… ele parece ter um bom coração. Um homem que admira seu talento tem que ter um bom coração, não acha?”

Clara desviou o olhar, um rubor subindo por suas bochechas. Roberto. A imagem dele, com aquele sorriso desarmante e a seriedade com que falava de seus planos, ainda a assombrava, de um jeito bom. Ele não era como os outros. Ele via algo nela que ela mesma mal ousava reconhecer. Ele acreditava nela, mesmo quando ela duvidava.

Enquanto Dona Lurdes arrumava alguns doces na vitrine, Clara se perdeu em pensamentos. A confeitaria era seu santuário, mas a proposta de Roberto era uma porta para um futuro que ela nunca imaginara. Uma parceria, uma nova loja, com o nome dela estampado na fachada. Era demais para assimilar. E, para piorar, a sombra de Isabel ainda pairava, um lembrete constante do que podia dar errado, do que já havia dado errado.

O sino da porta tilintou, anunciando a chegada de um cliente. Clara se virou, pronta para oferecer seu sorriso mais profissional. Mas o sorriso morreu em seus lábios ao ver quem entrava. Era Ricardo. O Ricardo que, em um passe de mágica, havia se tornado o chef executivo do restaurante que, outrora, era o palco de seus maiores medos e frustrações. Ele estava ali, mais elegante do que nunca, a postura impecável, o olhar penetrante que, mesmo depois de tanto tempo, ainda a desarmava.

Ele a encarou por um instante, surpreso. Um leve sorriso brincou em seus lábios. “Clara? É você mesmo?”

Clara sentiu um frio na espinha, seguido por um calor incômodo. As lembranças vieram à tona como um turbilhão: a admiração inicial, o romance que floresceu entre as panelas e os temperos, a traição que a despedaçou. “Ricardo. O que faz aqui?” A voz dela saiu mais firme do que esperava, um pequeno triunfo sobre o nervosismo.

“Estava passando pela vizinhança e… lembrei desse lugar. E de você”, ele respondeu, aproximando-se da vitrine. Seus olhos percorreram os doces com um olhar profissional que ela conhecia bem. “Parece que suas mãos ainda fazem mágica, Clara. Essas flores de açúcar são… perfeitas.”

O elogio, vindo dele, pesou. Era o mesmo elogio que ele lhe dava antes, quando tudo era leve e promissor. “Obrigada, Ricardo. Agradeço a sua… observação.” Ela sentiu a pontada de amargura familiar. Ele sempre soube apreciar a arte. Mas não a arte do amor.

Dona Lurdes, percebendo a tensão, interveio com um sorriso. “Ele é meu cliente, Clarinha. Sempre vem buscar um docinho depois do trabalho. Que bom que o encontrou aqui, Ricardo. Clara está voltando com tudo com a confeitaria.”

Ricardo assentiu, seus olhos voltando para Clara. Havia algo ali, um questionamento silencioso. “Voltando com tudo? Fico feliz em saber. Sempre soube que você tinha um talento especial.” Ele fez uma pausa. “Ouvi dizer que você estava pensando em expandir, talvez abrir algo novo. É verdade?”

Clara congelou. Como ele sabia? Roberto havia falado com alguém? Ou era apenas um rumor que se espalhava como fogo pela vizinhança? A ideia de Ricardo, seu ex-amor e ex-rival profissional, estar ciente de seus planos a perturbava profundamente.

“São apenas ideias, Ricardo”, ela respondeu evasivamente, concentrando-se em polir uma pétala. “Nada concreto.”

“Entendo”, ele disse, mas seus olhos não a deixavam. Havia uma profundidade ali, uma mistura de curiosidade e talvez… algo mais. “Se precisar de algum conselho, de qualquer coisa… você sabe onde me encontrar. O mundo da culinária pode ser implacável, mas também recompensador. E você merece toda a recompensa, Clara.”

Ele comprou um pedaço de bolo de limão, pagou e, antes de sair, lançou um último olhar para ela. “Até mais, Clara.”

O sino da porta soou novamente, e Clara sentiu um alívio misturado a uma estranha decepção. Aquele encontro inesperado a desestabilizou mais do que ela gostaria de admitir. Ricardo era um lembrete doloroso do passado, mas também um testemunho do quanto ela havia crescido. Ela respirou fundo, pegou outra porção de massa de caramelo e começou a moldá-la. O feitiço do açúcar, ela percebeu, não era apenas sobre criar doçuras. Era sobre se reconectar consigo mesma, com sua força, e talvez, apenas talvez, com a possibilidade de um novo começo. O doce amargo da saudade ainda estava ali, mas pela primeira vez em muito tempo, ele não a sufocava. Havia um novo sabor no ar, um sabor de desafio e de esperança. Roberto. Ricardo. Dois homens, duas realidades, e um coração que, teimosamente, tentava encontrar seu caminho em meio à confusão.

Compartilhar este capítulo:

เว็บไซต์นี้ใช้คุกกี้

เราใช้คุกกี้เพื่อปรับปรุงประสบการณ์การอ่านนิยายของคุณ วิเคราะห์การเข้าชม และแสดงโฆษณาที่เกี่ยวข้อง รายได้จากโฆษณาช่วยให้เราให้บริการอ่านนิยายฟรีต่อไปได้ อ่านรายละเอียดเพิ่มเติมที่ นโยบายความเป็นส่วนตัว

ตะกร้า eBook

ตะกร้าว่างเปล่า

เพิ่ม eBook ลงตะกร้าเพื่อรับส่วนลดพิเศษ

ส่วนลด Bundle

ซื้อ 3-4 เล่มลด 10%
ซื้อ 5-9 เล่มลด 15%
ซื้อ 10+ เล่มลด 20%