Coração na Feijoada (e na Confusão)

Capítulo 15 — O Doce Sabor da Colaboração e a Doce Amarga Saudade de Isabel

por Priscila Dias

Capítulo 15 — O Doce Sabor da Colaboração e a Doce Amarga Saudade de Isabel

O dia seguinte à competição amanheceu com um sol tímido, mas para Clara, ele brilhava com a força de uma nova esperança. A revelação da traição de Ricardo, embora dolorosa, a libertou de um peso que ela carregava há muito tempo. A verdade, por mais amarga que fosse, era sempre o melhor tempero. E agora, com a parceria de Roberto mais sólida do que nunca, ela sentia que o caminho para a nova confeitaria estava mais claro e promissor.

“Roberto, eu ainda não acredito que ele fez isso”, Clara disse, enquanto arrumavam os restos da feijoada, o aroma ainda pairando suavemente no ar. “Anos fingindo ser meu amigo, meu admirador… e tudo era uma mentira.”

Roberto secou uma tigela com cuidado. “Eu sinto muito que você tenha passado por isso, Clara. Mas, veja pelo lado bom. Agora você sabe quem ele é. E você provou, para ele e para todo mundo, que seu talento é incomparável. E que você não precisa de ninguém para validar sua arte.”

“Graças a você”, Clara respondeu, seus olhos encontrando os dele. A conexão entre eles se aprofundava a cada dia, alimentada pela admiração mútua e pelo carinho que florescia. “Você tem sido meu porto seguro. Eu não sei o que teria feito sem o seu apoio.”

“E eu não sei o que teria feito sem você, Clara”, Roberto disse, sua voz carregada de emoção. “Você me mostrou um lado da culinária que eu desconhecia. Uma paixão pura, que vai além da técnica. Você me ensinou a amar cozinhar de novo.”

Ele a puxou para um abraço, e o beijo que se seguiu foi doce e repleto de promessas. A ideia da nova confeitaria, que antes parecia um sonho distante, agora ganhava contornos mais definidos. Roberto havia trazido propostas concretas, planos de investimento e uma visão de futuro que a inspirava.

“Estive pensando em um nome”, disse Roberto, se afastando um pouco, mas sem soltá-la. “Algo que represente você, sua arte, sua paixão. Que tal… ‘Doce Sabor de Clara’?”

Clara sorriu, emocionada. “É lindo, Roberto. Mas… eu queria algo que também representasse essa minha volta por cima. Essa superação.”

Eles passaram horas conversando, idealizando, desenhando plantas, discutindo cardápios e decoração. O entusiasmo era contagiante. Clara sentia a energia de um novo começo, a alegria de construir algo seu, com a ajuda de alguém que acreditava nela de verdade.

No entanto, em meio à euforia, uma sombra sutil pairou. A memória de Isabel, a ex-namorada de Roberto, que havia deixado um rastro de dor e confusão na vida dele, ressurgiu. Clara sabia que Roberto a amava, e que a ferida ainda não estava completamente curada.

“E a Isabel?”, Clara perguntou, com cautela. “Como… como você está com isso?”

Roberto suspirou, o sorriso desaparecendo de seus lábios. “É complicado, Clara. Ela foi uma parte importante da minha vida. E a forma como tudo terminou… ainda me machuca. Mas eu estou seguindo em frente. E você… você me ajuda muito nisso.” Ele a olhou nos olhos. “Eu te amo, Clara. Mais do que eu imaginava ser possível depois de tudo.”

As palavras dele ecoaram no coração de Clara, trazendo um misto de alegria e apreensão. Ela o amava também, mas o medo de se machucar novamente, de ser apenas uma substituta, um paliativo para a dor da perda, ainda a assombrava.

Enquanto Roberto cuidava de detalhes burocráticos para a nova confeitaria, Clara decidiu visitar o local que seria o palco de seus sonhos: um pequeno espaço comercial em uma rua charmosa e movimentada. Ao chegar, ela se deparou com uma surpresa. O antigo proprietário do espaço, o senhor Antunes, um homem gentil e contador de histórias, estava lá, arrumando algumas caixas.

“Ah, minha jovem! Já vi que você é a nova dona deste lugar. Parabéns!”, ele disse, com um sorriso amigável. “É um lugar especial, sabe? Cheio de histórias.”

Clara se aproximou, curiosa. “Histórias? Que tipo de histórias?”

O senhor Antunes sorriu, um brilho nostálgico nos olhos. “Bem, aqui funcionou por muitos anos uma floricultura. E a dona, uma senhora chamada Isabel… ela era uma artista. Criava arranjos tão lindos, tão cheios de alma. Tinha um talento para as flores que era pura magia.”

Clara sentiu um aperto no peito. Isabel. A ex-namorada de Roberto. A artista das flores. A imagem dela, sorrindo, cercada por pétalas coloridas, surgiu em sua mente. Era uma saudade que não lhe pertencia, mas que a atingia com força.

“Isabel… ela fazia arranjos incríveis?”, Clara perguntou, tentando manter a voz firme.

“Ah, sim! Os mais lindos que eu já vi! Ela era apaixonada pelo que fazia. E amava tanto o Roberto… eles eram um casal lindo, sabe? Pareciam feitos um para o outro.”

As palavras do senhor Antunes caíram sobre Clara como um balde de água fria. A imagem de Roberto e Isabel juntos, um casal perfeito, apaixonado, a fez sentir um ciúme avassalador. Ela sabia que Roberto a amava, mas a perfeição daquele amor passado, a intensidade que o senhor Antunes descrevia, a assustava.

“Eles… eles se separaram?”, Clara perguntou, a voz embargada.

“Ah, foi uma tragédia, minha jovem. Um acidente terrível. Ela se foi muito cedo. E o Roberto… ele nunca mais foi o mesmo. Ele a amava demais.” O senhor Antunes suspirou, o olhar distante. “Ele contou para você sobre ela?”

Clara apenas assentiu, incapaz de falar. A doçura da colaboração com Roberto, a promessa da nova confeitaria, tudo parecia tingido por uma melancolia inesperada. Ela amava Roberto, mas a sombra de Isabel, a mulher que havia roubado uma parte do coração dele e que agora habitava a memória dele com tanta intensidade, era uma presença quase palpável.

Ao voltar para casa, Clara encontrou Roberto preparando o jantar. O aroma de ervas e legumes frescos preenchia o apartamento, um convite ao conforto e ao amor. Mas Clara sentia um nó na garganta.

“Roberto, eu… eu fui conhecer o espaço da confeitaria hoje”, ela disse, com a voz baixa. “O antigo dono falou de você. E da Isabel.”

Roberto parou o que estava fazendo, seus olhos fixos nos dela. “Ele falou… o que ele falou?”

Clara respirou fundo. “Falou que vocês eram um casal lindo. Que ela era uma artista incrível. Que você a amava demais.” As lágrimas começaram a rolar por seu rosto. “Roberto, eu sei que você a amava. Eu sei que ela foi importante para você. Mas… eu tenho medo de não ser suficiente. Tenho medo de que eu seja apenas uma lembrança sua do passado, e que a Isabel… que ela sempre estará no seu coração.”

Roberto largou tudo e a abraçou com força. “Clara, meu amor, escute. Eu amei a Isabel. E a perda dela foi devastadora. Mas isso foi no passado. Você é o meu presente. Você é o meu futuro. O que eu sinto por você é diferente. É mais forte. É mais real. Você me devolveu a vida, Clara. Você me deu um motivo para sorrir de novo. A Isabel sempre será uma parte da minha história, mas você… você é a minha história.”

Ele a afastou gentilmente, segurando seu rosto entre as mãos. “Eu te amo, Clara. Mais do que as palavras podem dizer. E eu quero construir um futuro com você. Naquela confeitaria. Na nossa vida.”

Clara o olhou nos olhos, buscando a verdade em sua alma. E ali, ela a encontrou. A dor da saudade de Isabel era real, mas o amor de Roberto por ela era ainda mais. A doçura da colaboração, a promessa de um futuro juntos, era um sabor mais intenso, mais profundo. A feijoada da vida, ela percebeu, era feita de muitos ingredientes, alguns doces, outros amargos, mas todos necessários para criar a harmonia perfeita. E com Roberto ao seu lado, Clara estava pronta para enfrentar todos os sabores, pronta para criar sua própria obra-prima. A saudade de Isabel seria um lembrete do amor que já existiu, mas o amor que florescia entre ela e Roberto era a prova de que novos e mais doces sabores estavam por vir.

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