O Último Rio da Lua

Capítulo 1

por Danilo Rocha

Com certeza! Prepare-se para mergulhar nas águas turbulentas e nos céus inexplorados de "O Último Rio da Lua". Aqui estão os primeiros cinco capítulos, tecidos com a paixão e o drama que o Brasil tanto ama:

Capítulo 1 — O Sussurro das Estrelas em Terra Rachada

O sol, um disco opaco e pálido tingido pela poeira incessante que pairava na atmosfera rarefeita, mal conseguia penetrar a escuridão úmida da casa. Luna, com seus dezesseis anos e um olhar que parecia carregar o peso de séculos, remexia em uma caixa de madeira gasta. O cheiro de mofo e de suor antigo misturava-se ao aroma metálico da água racionada que pingava num canto. Lá fora, o vento uivava, um lamento constante que se tornara a trilha sonora da vida em Nova Aurora, um aglomerado de barracos e estruturas precárias erguidas sobre as ruínas de uma civilização esquecida.

"Achou alguma coisa, meu bem?", a voz rouca de sua mãe, Clara, ecoou do cômodo adjacente. Clara, que já fora uma flor em um jardim que não existia mais, agora era uma sombra fragilizada, com a pele marcada pela doença que a consumia lentamente. A "tosse do metal", como a chamavam, era a herança sombria deixada pela exploração desenfreada dos recursos do planeta.

Luna suspirou, o som quase inaudível sob o barulho do vento. "Só mais sucata, mãe. Um rádio velho, umas ferramentas enferrujadas. Nada que possa nos ajudar a sair daqui." A esperança era um luxo que elas não podiam mais se permitir. A promessa de uma vida melhor em outras colônias, nos planetas mais férteis que as navegações interestelares haviam descoberto, era um conto de fadas para os que viviam à margem, esmagados pela poeira e pela desesperança.

Seus dedos longos e finos, habituados ao toque áspero do metal, deslizaram sobre um pedaço de pergaminho amarelado. Era um mapa, ou o que restava dele. Desenhado à mão, com traços quase apagados, mostrava uma série de rios e montanhas, com uma linha vermelha serpenteando por um caminho incerto. "O Rio da Lua", ela murmurou, reconhecendo o nome gravado com uma caligrafia elegante. Era uma lenda, uma história contada pelos mais velhos antes de a sanidade sucumbir à dureza da vida. Diziam que era o último rio de água potável, um oásis escondido em algum lugar do planeta, longe das zonas de mineração e das cidades em ruínas.

Clara entrou no pequeno quarto, apoiando-se em uma bengala improvisada com um cano de metal. Seus olhos, antes de um azul profundo como o céu que Luna nunca vira, estavam agora turvos e cansados. "Este mapa…", ela começou, a voz embargada pela tosse. "Seu pai guardava isso com tanto zelo. Ele acreditava… ele sempre acreditou que o Rio da Lua era real."

Luna virou-se, o mapa nas mãos, um lampejo de algo que se parecia com determinação surgindo em seus olhos. "Pai nunca acreditou em contos de fadas, mãe. Ele era um engenheiro, um homem da lógica. Se ele guardou isso, é porque há algo." Ela desenrolou o pergaminho com cuidado. A linha vermelha parecia pulsar sob a pouca luz.

"Mas Luna, seu pai se foi há anos, tentando encontrar algo que… que talvez nem exista. Você não pode seguir os passos dele. É perigoso demais." Clara agarrou o braço da filha com uma força surpreendente. "Fique aqui, comigo. Sobreviveremos com o racionamento, como sempre fizemos."

Luna afastou as mãos da mãe gentilmente. "Sobreviver não é viver, mãe. Você está definhando aqui. A água que bebemos está cada vez mais contaminada. Precisamos de uma chance. Uma chance de verdade." Ela olhou para a janela, para a paisagem desolada que se estendia até onde a vista alcançava. Montanhas escarpadas, cobertas por uma fina camada de poeira avermelhada, se erguiam contra o céu cinzento. Nenhum sinal de verde, nenhuma gota de água. Apenas a promessa de um fim lento e doloroso.

Naquele momento, um som diferente cortou o uivo do vento. Um zumbido grave, crescente. "O que é isso?", Clara perguntou, assustada.

Luna correu para a porta e espiou para fora. No horizonte, uma luz azulada começava a tomar forma. Uma nave. Não uma das naves de carga que ocasionalmente sobrevoavam a região, mas algo menor, mais ágil, com um brilho futurista que contrastava violentamente com a aridez do local.

"Uma nave… de onde ela vem?", Luna se perguntou em voz alta, o coração disparado. A tecnologia que possibilitava viagens interplanetárias era um milagre distante para os habitantes de Nova Aurora.

De repente, a nave emitiu um pulso de luz intensa, e um feixe de energia desceu em direção ao solo, a poucos quilômetros dali. Uma explosão controlada, um estrondo abafado que fez tremer as frágeis estruturas da vila. Fumaça e poeira se ergueram, e então, silêncio.

Os moradores de Nova Aurora começaram a sair de suas casas, os rostos marcados pela apreensão e pela curiosidade. Era um evento raro, uma interrupção na monotonia da desolação.

"O que foi aquilo?", um homem corpulento, com o rosto marcado por cicatrizes de antigas batalhas nas minas, perguntou a Luna. Era Jonas, o líder informal da comunidade, um homem que tentava manter a ordem em meio ao caos.

"Não sei, Jonas. Uma nave pousou… ou caiu. Ali perto." Luna apontou na direção da fumaça.

Jonas franziu a testa, seus olhos percorrendo o horizonte. "Ninguém vem para cá sem um motivo. E esse pouso forçado não parece planejado." Ele olhou para Luna, uma expressão de preocupação em seu rosto. "Fique aqui com sua mãe. Vou ver o que aconteceu. E ordene que todos fiquem em suas casas."

Luna assentiu, mas seus olhos estavam fixos na direção da fumaça. Uma nave. Uma tecnologia avançada. Poderia ser a peça que faltava para entender o mapa de seu pai? A chance que ela tanto buscava poderia ter acabado de cair do céu.

Enquanto Jonas reunia alguns homens para investigar, Luna sentiu um impulso incontrolável. Ignorando as ordens, ela pegou sua mochila, um cantil com um pouco de água e o mapa enrolado. Ela não podia ficar parada. Aquele evento, por mais perigoso que fosse, parecia um sinal.

"Luna, para onde você vai?", Clara a chamou, o desespero em sua voz crescendo.

"Eu preciso ver, mãe. Talvez… talvez a gente possa consertar a nave. Ou talvez quem está nela saiba de algo." Luna tentou soar confiante, mas seu coração batia descompassado. Ela não estava preparada para o que encontraria.

Ela saiu para a rua poeirenta, o vento chicoteando seus cabelos escuros e longos. A fumaça ainda era visível, um lembrete sombrio da queda. Ela não olhou para trás. O mapa do Rio da Lua em sua mão, a promessa de um futuro incerto em seus olhos, Luna começou a caminhar em direção ao desconhecido, impulsionada por uma força que ela mal compreendia, um misto de esperança, desespero e a herança de um pai que acreditava no impossível. O sussurro das estrelas em terra rachada estava chamando seu nome.

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