O Último Rio da Lua

Capítulo 17 — A Trama de Éter e a Promessa de Resgate

por Danilo Rocha

Capítulo 17 — A Trama de Éter e a Promessa de Resgate

O som das explosões ecoava pelos corredores de Neo-Aurora, misturando-se ao cheiro acre de ozônio e metal queimado. Aurora corria, o amuleto de sua mãe apertado em sua mão, o coração batendo descompassado no ritmo frenético de sua fuga. Silas, ágil e experiente, a guiava por passagens secretas e túneis de serviço, seus passos ecoando como o martelar de um destino implacável.

"Para onde vamos?", ofegou Aurora, a voz rouca pela tensão e pelo esforço. Cada curva parecia levá-los mais fundo no labirinto de metal e concreto que compunha a cidade-arcologia.

"Para as estações de transporte de éter", respondeu Silas, sem diminuir o passo. "É a única forma de sair desta seção da cidade sem sermos detectados. Kael controla as vias principais, mas o éter... o éter é imprevisível. E é a nossa única chance."

Éter. A palavra trazia à mente de Aurora imagens de névoa cintilante, de transporte instantâneo entre pontos distantes, uma tecnologia tão avançada que beirava a magia. Era o meio de transporte oficial de Neo-Aurora, mas também um sistema complexo e perigoso, suscetível a interferências e falhas.

Eles alcançaram uma área de manutenção, um emaranhado de cabos e tubulações que exalavam um calor úmido. No centro, um grande portal circular emitia um brilho azulado e hipnotizante. Era a estação de éter.

"Precisamos de um código de acesso", disse Silas, olhando em volta com preocupação. "Os guardas já devem ter bloqueado a rede principal."

Aurora apertou o amuleto. Lembrou-se das últimas palavras de sua mãe, sussurradas em meio à dor: "A chave está no brilho... no primeiro suspiro da lua." O primeiro suspiro da lua? O que isso significava? Ela fechou os olhos, concentrando-se na memória do amuleto, nos símbolos gravados nele. De repente, uma sequência de números e letras surgiu em sua mente, clara como um raio.

"Eu tenho!", exclamou ela, surpreendendo até a si mesma. "É... 7B-Gamma-Lunar-Alpha-9."

Silas olhou para ela com admiração. "Sua mãe era realmente extraordinária. Confie em seus instintos, Aurora. Eles são sua arma mais poderosa."

Ele se aproximou de um console próximo, seus dedos dançando sobre a interface holográfica. Digitou o código. Uma luz verde brilhou. O portal de éter intensificou seu brilho, um zumbido crescente preenchendo o espaço.

"Agora, o mais difícil", disse Silas, virando-se para ela. "Precisamos sair juntos. Se tentarmos entrar em portais separados, as chances de nos reencontrarmos são mínimas. E Kael pode estar monitorando as assinaturas de éter. Precisamos de uma distração."

Antes que Aurora pudesse responder, um som metálico e familiar ecoou atrás deles. Mais guardas. Mas desta vez, eles não estavam sozinhos. Uma figura alta e imponente emergiu das sombras, vestindo uma armadura reluzente e com um olhar gélido que Aurora reconheceu imediatamente. Kael.

"Aurora. Silas", disse Kael, a voz calma e perfumada com uma ameaça velada. "É tolo tentar fugir. Este lugar é meu. Sua rebelião termina aqui."

Seu olhar se fixou em Aurora, um brilho de possessividade em seus olhos. "Você deveria estar ao meu lado, Aurora. Juntos, podemos forjar o futuro que nossa linhagem sempre sonhou."

"Um futuro de escravidão?", retrucou Aurora, o medo dando lugar à raiva. "Você não é um salvador, Kael. Você é um tirano."

Kael sorriu, um sorriso que não alcançava seus olhos. "A verdade é uma questão de perspectiva, minha cara. E em breve, todos compartilharão a minha."

Ele ergueu a mão, e os guardas avançaram. Mas antes que pudessem alcançá-los, uma figura emergiu de uma das passagens laterais. Era Valerius, o guarda leal de Kael, mas agora, sua armadura estava danificada e ele lutava com uma ferocidade inesperada. Ele se colocou entre Aurora e Kael, brandindo sua lâmina de energia.

"Kael! Você não vai tocá-la!", gritou Valerius, sua voz um rugido de desafio.

"Valerius? Que traição é essa?", sibilou Kael, a calma cedendo à fúria.

"Eu vi o que você planeja. Vi o preço da sua 'ordem perfeita'. Eu não servirei mais a um monstro", disse Valerius, e se lançou contra os guardas de Kael.

A confusão criada por Valerius foi a oportunidade que Aurora e Silas precisavam. "Agora!", gritou Silas, puxando Aurora em direção ao portal de éter.

Eles mergulharam na luz azulada, o mundo ao redor se desintegrando em um turbilhão de cores e sensações. Um puxão violento, uma sensação de ser esticado e comprimido ao mesmo tempo, e então, a realidade se solidificou novamente.

Eles estavam em uma estação de éter em ruínas, o ar pesado com poeira e o cheiro de decadência. A luz aqui era fraca, filtrada por painéis quebrados.

"Onde estamos?", perguntou Aurora, olhando em volta.

"A Zona Livre de Éter", respondeu Silas, seu semblante sério. "Um refúgio para aqueles que se opõem a Kael. Um lugar onde a Mente Coletiva não tem controle total. Mas é um lugar perigoso. Estamos nas franjas da sociedade."

Ele observou Aurora com atenção. "Valerius nos deu tempo. Mas Kael não vai parar. Ele sabe que você é a chave para o plano dele. Ele vai te caçar."

Aurora sentiu um calafrio. A imagem de Kael, sua determinação implacável, a assombrava. Mas o sacrifício de Valerius, um homem que servira Kael por anos, a fortaleceu.

"E o meu pai?", perguntou Aurora, a voz embargada. "Ele sabia de tudo isso? Ele não me contou..."

"Seu pai te amava, Aurora. Ele te protegeu. Ele acreditava que você teria uma chance de viver uma vida melhor, longe dessa guerra. Mas o destino tem seus próprios planos", disse Silas, com um tom de tristeza. "Ele me pediu para te encontrar, para te proteger, se algo acontecesse. Ele sabia que você teria a força para enfrentar Kael."

Silas tirou de seu bolso um pequeno dispositivo, parecido com um comunicador. "Este é um dispositivo de comunicação segura. Sua mãe o projetou. Ele pode alcançar aqueles que se escondem, aqueles que resistem a Kael. Há pessoas em toda Neo-Aurora, e além dela, que esperam por um sinal, por uma esperança. Você é essa esperança, Aurora."

Ele entregou o dispositivo a ela. "A trama de éter nos trouxe até aqui, mas agora precisamos traçar nosso próprio caminho. Precisamos encontrar os outros, aqueles que acreditam em um futuro livre. Precisamos nos preparar para o que está por vir."

Aurora segurou o dispositivo, sentindo o peso da responsabilidade. A promessa de resgate, não apenas para si mesma, mas para todos que viviam sob o jugo de Kael, pairava no ar rarefeito da Zona Livre de Éter. A jornada estava longe de terminar. Pelo contrário, ela sentia que estava apenas começando a desvendar as complexidades do último rio da lua.

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